Jornal dos Desportos

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Opinio

Por que se cala a Federao de Andebol? de Andebol?

20 de Janeiro, 2020
Enquanto decorre o Campeonato Africano de Andebol em masculino, por cá aguardamos expectante, que a Federação Angolana de Andebol dê uma explicação sobre quem terá impedido Filipe Cruz de ser contratado pela selecção congolesa. Não podemos varrer o assunto para debaixo do tapete, é a carreira de um angolano que está em jogo. Um senhor que deu tudo para o andebol masculino ter a expressão que apresenta hoje no Continente. A primeira justificação do presidente Pedro Godinho, pessoa de que temos muito respeito, não convence. É vazia de conteúdo e não explica de quem terá sido a mão invisível e abusiva. Por exclusão de partes, não pode ser uma pessoa extra andebol e sem relação com a Federação Congolesa. É crível que a força oculta esteja dentro da Federação Angolana de Andebol e merece por isso explicar o que ocorreu. Quem usou abusivamente o seu poder e a sua relação para interferir na vida de um cidadão, que faz do treinamento o seu ganha-pão. Quem paga todos os prejuízos decorrente deste abuso de poder? Filipe Cruz não devia cruzar os braços com receio de que pode não voltar mais a treinar em Angola. Sabemos da influência que se joga no nosso desporto, da permanente troca de favores existente entre federações e os clubes. Aliás, na pessoas dos presidentes e alguns clubes, no futebol como noutras modalidade. A promiscuidade por cá é um “direito costumeiro”. Angola devia orgulhar-se, pois um dos seus é valorizado ou reconhecido. Devia inclusive apoiá-lo, porque internamente fez bem o seu papel, cumpriu o que se lhe pediu quando orientou as selecções. Não pode por isso ser prejudicado, por força do receio de que pode complicar a vida de Angola. Ele é profissional, vive disso, e investiu para isso. Infelizmente na sua terra e apesar dos feitos nunca é reconhecido na dimensão que devia. Quem fala de Filipe Cruz olha para Vivaldo Eduardo e outros. Se fossem estrangeiros, europeus de preferência, teriam inclusive direito a tapete vermelho. Os nossos por mais que façam não chega para beneficiarem do respeito e consideração. É, por um lado, “aceitável”, foram quinhentos anos de colonização e não pode ser com meio século que desaparece o complexo de inferioridade. Não importa o nível de maturidade que se alcança. O complexo é sentimento com força. Terminamos com a mesma pedido. Os adeptos do andebol aguardam por explicação mais estruturada sobre o que aconteceu ao técnico Filipe Cruz. Não vale imitar a avestruz, pois ela nunca prejudicou ninguém com a sua cabeça enterrada no chão. A Federação Angolana de Andebol deve explicação, se quiser manter a reputação de uma instituição dirigida por um cidadão sensato, patriota e que respeita o poder que tem em mãos.
Teixeira Cândido

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