Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Por uma questo de dignidade

22 de Julho, 2016
Na semana que se apresta a terminar, três assuntos de capital importância cativaram a atenção dos adeptos do futebol, sendo de se destacar o encontro que amanhã pode qualificar a Selecção Nacional de Angola de sub-20, à fase final da Taça de África das Nações, aprazada para o próximo ano, na Zâmbia, quando defrontar, em Luanda, a sua congénere do Egipto, depois de uma derrota (1-0), no embate da primeira mão.

O anúncio pelo presidente da Assembleia – Geral do Desportivo “4 de Abril” do Cuando Cubango, Ernesto Kiteculo, da desistência do clube, do Girabola - Zap, que muitos consideram ser uma cópia do “filme” que recentemente teve como protagonista o Porcelana FC do Cuanza Norte, e a renúncia à demissão do cargo de treinador do Desportivo da Huila, por parte de Ivo Traça, que vai colocado a disposição da diecção do clube, também constituíram destaque. Convém recordar que a formação do Cuanza Norte, que se mantém no Girabola - Zap, havia manifestado publicamente essa intenção, por intermédio do Governador Provincial, José Maria dos Santos, do presidente de direcção, Pereira da Silva, e pela presidente da Mesa da Assembleia – Geral, Joana Lina.

Ao esperar por novos desenvolvimentos sobre a questão relacionada com o “ 4 de Abril”, ao contrário da opinião de muita gente, o que aconteceu no Desportivo da Huíla, tratou-se de uma tentativa de auto - demissão e não de uma chicotada psicológica. È assim que as chicotadas psicológicas ou despedimentos de treinadores, acontecem com maior frequência, em função dos resultados que as equipas alcançam. Toda a gente tem conhecimento que a profissão de treinador é das mais ingratas, uma vez que, dependendo dos resultados que a sua equipa alcançar, tanto pode iniciar a noite na condição de bestial e despertar no dia seguinte como besta. Neste aspecto, para que Ivo Traça, voltasse a condição inicial, valeram as conversas que manteve com a família, que segundo ele é mais visada pelas razões que estiveram na base do imbróglio com a direcção do clube, e algumas pessoas do círculo de amizades.

No Girabola - Zap, após a disputa da segunda jornada da segunda volta, à excepção de Ivo Traça, que como é sabido, aprsentou a sua demissão por falta de condições de trabalho para si e para o grupo de trabalho, as chicotadas psicológicas que aconteceram no Kabuskorp do Palanca, Recreativo da Caála, 1º de Maio de Benguela, Atlético Sport Aviação (ASA), Académica do Lobito e Porcelana do Cuanza Norte, ocorreram por “maus resultados”.

Como é natural, não me compete ajuizar sobre os motivos que estiveram na base do despedimento dos seis treinadores e do “caso” Ivo Traça. O certo é que pelo andar da carruagem, numa altura em que há ainda muitos jogos para serem realizados até a conclusão do campeonato, é caso para dizer que pela quantidade de jornadas que faltam disputar, assim como pelas proporções em que as “chicotadas psicológicas” ocorrem, muitas cabeças de treinadores “vão rolar”, assim como alguns vão passar muitas noites com insónias.

É natural que as direcções dos clubes têm competência para gerirem a sua matéria humana, financeira e material da forma que acharem conveniente.
Em minha opinião, pelo que ocorreu nas épocas precedentes, em que os despedimentos dos treinadores aconteceram em doses algo exageradas, tais pressupostos devem obedecer aos requisitos que a Lei Geral do Trabalho de Angola prescreve, para que não haja beneficiados e prejudicados. Não pretendo fazer crer que isso tenha estado na base do pedido de demissão de Ivo Traça, mas não posso deixar de referir que existem membros de algumas direcções dos clubes, que para esconderem algumas falhas no capítulo organizativo, se recorrem dos treinadores como “bodes expiratórios”, muitas vezes sem motivos que justifiquem tal tomada de posição.

Neste aspecto, a revitalização da Associação Nacional de Treinadores de Futebol de Angola (ANTFA), deve fazer-se sentir com a maior urgência possível, como forma de desempenhar a sua função de defensor e conselheira dos membros da classe, para além de parceiro de se constituir em parceiro da Federação Angolana de Futebol (FAF). É preciso recordar que Ivo Traça, desde o início do campeonato, que reclama por melhores condições de trabalho. Correm nos meandros do futebol, segundo as quais, o técnico também reclama pelos seus salários em atraso, cujos meses não foram quantificados, qual existem deveres e cumprimentos de ambos os lados. Qual a estabilidade psicológica que o treinador como chefe de família, e com as consequências daí decorrentes, possuía para desenvolver o seu trabalho, se nos atermos ao momento difícil que o país atravessa, em função da crise económica mundial.

Está provado que em função das suas atribuições, o técnico desportivo, no caso o do futebol, assume-se também como o “comandante” do grupo de atletas e outros a eles ligados. Ao se ter como base o que tem acontecido em Angola, ao persistirem os mesmos problemas, é um dado adquirido que o “recuo” do antigo atleta internacional do 1º de Agosto e da Selecção Nacional, dificilmente vai provocar melhorias no desempenho do colectivo.
Leonel Libório

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