Jornal dos Desportos

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Opinio

Povo do Planalto sabe jogar bola

11 de Outubro, 2016
É verdade, sim senhor, que o futebol é uma grande paixão que envolve multidões - é por assim dizer uma festa das multidões - e por esta razão o Huambo agora com duas equipas no Girabola no próximo ano vai conhecer outro pulsar da sua vida, sobretudo aos fins-de-semana, fazendo acorrer aos estádios, da Caála e dos Kuricutelas, adeptos mil...para verem jogar e ovacionar ali o Recreativo da Caála e aqui este novo promovido, o JGM.

As gentes do Huambo e forasteiros que lá aportam merecem, por isso, o que a própria Antropologia Social explica de ciência: este futebol modernamente originado entre as elites burguesas na Inglaterra do século 19, espalhou-se pelo mundo, esse mundo de que o nosso Huambo também faz mapa, movimentando torcedores, jogadores, árbitros, empresários e altas quantias em dinheiro. Só não sei se o JGM tem milhões para se aguentar na fina flor do nosso "association".

Mas voltar a colocar duas equipas na primeira divisão era mesmo sonho antigo de todos que morrem por amor pelas equipas e craques daquela antiga cidade de Nova Lisboa, como o Huambo era designado.

Na verdade, saudosismo à parte, as gentes do Planalto central sabem também jogar à bola com perfeição e o povo adora. O Huambo já teve uma forte palavra a dizer no nosso mosaico futebolístico, com equipas de nomeada e jogadores fenomenais - daqueles que sabiam mesmo jogar á bola com arte, tratar a bola por tu como costumo dizer.

Eu ainda não esqueci o ano de 1987 quando o 1º de Agosto todo-poderoso foi buscar o Picas ( lembram-se ainda deste antigo craque?) ao Petro do Huambo e não conseguiu.

O 1º de Agosto chegou depois a escrever à Federação Angolana de Futebol a alegar que Picas estava mal inscrito no Petro do Huambo. O Conselho Jurisdicional, através da sua Comissão de Regulamentação, considerou improcedente a" queixa". O documento chegou à federação já com 30 minutos de atraso...e ainda por cima perdeu o título.

A "tribo" do Huambo na altura bateu palmas porque o tiro dos militares saiu pela culatra. E são estas palmas que o JGM tem de ser capaz provocar, com boas exibições, bons resultados na versão 2017, enquanto grupo e cada jogador para voltarem a colocar a província nas luzes da ribalta.

O proprietário do clube, o senhor Jorge Gomes Magrinha, antes do feito da sua equipas garantira que havia condições necessárias para cumprir com o objectivo assumido e agora vamos ver se investirá para dar-nos a ver, em boa verdade, um grupo forte, jogadores do "raça" e treinadores competentes.

Tem de montar isto para que possa bater o pé aos grandes do campeonato conforme as formações do Huambo já faziam antigamente, obrigando a suar em campo o 1º de Agosto, a TAAG, o Petro de Luanda, o 1º de Maio, Chela e outras que inclusive chegaram apanhar aviões para aquela cidade do Planalto Central e lá assediar e contratar jogadores "alheios"...

O JGM não pode deixar apenas esta tarefa para o Recreativo da Cála, equipa que depois de quase ter sido campeão em 2009 ( soçobrou em segundo lugar) com a orientação do técnico David Dias, agora já não é a mesma.

O facto de ser uma equipa quase nova, porque fundada apenas a 12 de Maio de 1998, não é entrave para o JGM chegar a 2017 não apenas com os seus bons médios Nelson e Kilombo, que em 2015 já ajudaram o 1º de Maio de Benguela, ou Guigui (ex-Académica do Soyo) só para citar estes.

Porque no Girabola as exigências competitivas são e serão outras. O JGM já não encontrará adversários do quilate do Desportivo Jackson Garcia de Benguela, Polivalentes do Cuanza Sul, FC Bravos do Maquis e Casa Militar do Cuando Cubango, Sporting de Cabinda com os quais cruzou para este seu apuramento inopinado. Vai encontrar verdadeiros "colossos".

Em homenagem ao principio da solidariedade de que deve beneficiar o JGM quero aproveitar este espaço, no sentido de apelar o novo presidente da Associação Pronincial de Futebol do Huambo, António Machado Lemos, a cumprir a sua promessa: revitalização do futebol na província com vista a dotar as equipas de maior competitividade como o principal desafio da sua direcção.
António Felix

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