Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Precisamos de profissionais globais para decises locais!

25 de Fevereiro, 2019
Os precursores da classificação do desporto como um negócio ( e um negócio extremamente lucrativo)- foram os norte-americanos que, durante o século XX, apresentaram diferentes saídas para angariar fundos e transformar a actividade desportiva numa forma de ganhar receitas financeiras cada vez mais voluptuosas.
Quando os norte-americanos começaram a investir de forma contundente na formação de uma cultura desportiva comercial, o marketing tornou-se um princípio, um meio e um fim para a afirmação e potencialização das marcas e dos activos envolvidos com a indústria do desporto.
O que ficou clarividente na estratégia traçada por mais um sonho americano é que o dinheiro só começaria a cair a grosso no desporto se houvesse uma relação significativa entre o nível de participação do consumidor em eventos de natureza desportiva e o seu grau de envolvimento clubístico, compromisso psicológico e lealdade clubística, levando o marketing desportivo a diferencia-se substantivamente do marketing empresarial, por causa da sua dimensão social, sustentados nos três eixos descritos acima em letras maiúsculas, na qual os chamo figurativamente de \"triângulo mágico\" que faz existir e mover o marketing desportivo.
Não é por acaso que hoje me referido O \"triângulo mágico\" tem gerado efeito \"bola de neve\" um pouco pelo mundo inteiro. Senão vejamos.
ENVOLVIMENTO CLUBÍSTICO - Os adeptos do desporto, de uma maneira geral, estão cada vez mais conscientes e exigentes de que eles são a parte mais interessada e a mais indispensável no \"mundo apaixonante e emotivo do desporto\" e, por isso, hoje estão a todo custo, decididos a dividir o poder nos processos de tomada de decisão a nível dos clubes.E é neste detalhe que os clubes desportivos sérios, organizados e com gestão profissional no topo da sua hierarquia, procuram juntar a fome com a vontade de comer, levando estrategicamente os adeptos (o elemento mais importante do marketing-mix de um clube) de todas as formas aos estádios ou recintos desportivos.
O objectivo é, mais do que entretê-los, proporcionar-lhes uma experiência emocional única, memorável, alimentando nestes o desejo persistente de a repetir.Esse conjunto habitual de experiências lúdicas constitui a base para um vínculo mais consistente e durável com o clube do \"coração\", com impacto directo e relevante na sua imagem corporativa ou institucional e por, consequência, na geração de receitas financeiras regulares.LEALDADE CLUBÍSTICA - Qual é a marca que, actualmente, esteja ligada ao sector empresarial, comercial ou de negócios em Angola, que não gostaria de ter o estatuto de devoção muitas vezes exacerbada que equipas como Petro de Luanda e 1º de Agosto têm no nosso país, por intermédio dos seus adeptos?É por mero fortuito que slogans como \"perder ou ganhar sou do D´agosto ou do Petro\" são evocados pelos referidos adeptos, mesmo que os resultados e as incidências dos jogos, seja de futebol, de basquetebol ou andebol, não sejam favoráveis a uma destas equipas?
Os níveis de lealdade dos adeptos advém do facto de estes serem fulcrais nos momentos antes, durante e depois dos jogos, sendo a sua lealdade maior quanto mais sucesso a equipa obtiver.Neste quesito os adeptos se encaixam em três (3) domínios, nomeadamente, o adepto com uma ligação afectiva ao clube – que engloba o \"passionate partisan\" (leal ao clube em todos os momentos), \"champ follower\" (influenciado pelo sucesso do clube) e o \"reclusive partisan\" (leal, mas só assiste aos jogos ocasionalmente), permitindo aos \"marketeers\" desportivos personalizar as experiências para satisfazer as necessidades específicas de cada segmento diferente de adeptos.
COMPROMISSO PSICOLÓGICO - Os consumidores do desporto são, do ponto de vista psicológico, um dos mais fascinantes objectos de estudo para todo e qualquer profissional de marketing desportivo.
Porque a oferta de um conjunto de emoções aos consumidores do desporto, preenchidas com medos e esperanças sobre o que poderá acontecer com as suas equipas favoritas, ajuda a desenvolver ligações emocionais com as mesmas equipas ou atletas favoritos, sendo, este factor, o início de um processo de percepções manifestadas pelos referidos adeptos, deixando-os num estado de euforia e de prazer, principalmente quando assistem quer ao vivo ou pela televisão um determinado evento desportivo.
Sem esquecer, claro, as várias ligações psicológicas que caracterizam os adeptos com determinados clubes desportivos, que passam muitas vezes por processos baseados em motivos sociopsicológicos e/ou demográficos), afeição (quando uma ligação psicológica aparece, criando vários estados de associação entre o indivíduo e o clube) e a fidelidade (quando um indivíduo se torna leal, resultando em atitudes influentes que produzem um comportamento consistente e durável), progressivo, que pode implicar consciencialização (quando um indivíduo percebe que existem vários clubes, não tendo ainda um favorito), atracção (quando um indivíduo reconhece ter um clube.Porém, não ficaria bem, e seria até \"feio\", concluir o artigo de hoje, sem deixar de recorrer a conhecida frase que dá o mote para o seu título, que é pensar globalmente e agir localmente.Profissionais com experiências globais são muitas vezes responsáveis por tomar decisões onde o conhecimento local é fundamental. Se calhar a solução para o nosso marketing desportivo passe mesmo por ai! *Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo Zongo Bernardo dos Santos


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