Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Preparados!

18 de Agosto, 2015
A 28.ª edição do Campeonato Africano das Nações, Afrobasket, inicia amanhã na cidade tunisina de Radés. Com 16 selecções presentes (4 grupos de 4), a selecção nacional, campeã em título, surge novamente como uma das formações favoritas ao triunfo, a par da Tunísia, que, na qualidade de selecção anfitriã, tudo vai fazer para levantar o troféu e assim representar o Continente nos Jogos Olímpicos de 2016, a disputarem-se no Rio de Janeiro.

A Tunísia será o quinto país a organizar o campeonato por mais de duas vezes, entre as 12 nações africanas que já sediaram o torneio. Até a presente data, 36 dos 53 Estados do continente já marcaram presença no Afrobasket, competição iniciada em 1962 no Egipto (vencedor da 1ª edição) e tem Angola como maior vencedora, totalizando 11 troféus. O historial da competição diz-nos que os egípcios são os que mais vezes albergaram o torneio, seis vezes, enquanto o Senegal é o mais representativo com 26 presenças garantidas.

Falhou apenas a primeira edição. Quando estamos a pouco mais de 24 horas do início da competição, as calculadoras, por enquanto, vão ficar bem trancadas nas gavetas, já que a principal preocupação das 16 selecções presentes em Radés, nesta primeira fase, é somarem os pontos necessários para alcançarem uma posição digna nos seus grupos, de modos a não encararem selecções mais fortes na segunda fase.

Nesta primeira etapa ninguém será crucificada. Todas passam a segunda fase. Chegados aqui, a fase do “mata - mata”, a luta será infernal e o mínimo erro pode significar o frustrar das ambições e o regresso antecipado à casa. Algo que ninguém pretende. Pelos menos por enquanto. O caminho a trilhar pelo combinado nacional, na cidade tunisina de Radés, não será nada fácil. Será, digamos, tortuoso, atendendo ao capital humano e ambição de cada uma das 16 selecções presentes. Uma recta com muitos obstáculos.

Estamos na Tunísia, não em passeio, mas sim com o intuito de conquistarmos o 12º título africano da história e, assim, voltarmos a representar o Continente em mais uma edição dos Jogos Olímpicos. Isto para dizer que apesar das ambições desmedidas das 16 equipas, não nos podemos sentir inferiorizados. Antes pelo contrário. Temos de levantar a cabeça e encarar a prova com alto sentido de responsabilidade.

Temos de assumir este risco, porque o basquetebol no nosso país é muito mais do que um jogo desportivo. O espectáculo que proporciona tem responsabilidades acrescidas que vão para além das quatro linhas. É pensando em tudo isso que todos os angolanos acreditam que o "Cinco" Nacional possa regressar com a medalha de ouro.

Já disse aqui neste espaço que para se vencer na vida é preciso contar à partida com duas coisas: sorte e talento. Mais importante ainda torna-se indispensável estar bem preparado para que nada nos surpreenda, devendo adoptar-se sempre uma atitude onde se conjuguem, de uma forma clara, a confiança e o respeito.

É bom, no entanto que se diga que tudo vai depender obviamente do modo como vamos encarar a prova, e, aqui sim, a sorte será determinante. A mesma sorte que nos acompanhou durante a conquista dos títulos anteriores. Temos de resistir a todas as provocações. Aliás, hoje, no desporto como na sociedade em geral, resistem os mais inteligentes.

Os jogadores eleitos pelo técnico espanhol Moncho López para esta empreitada sabem que não podem facilitar. A entrega tem de ser total. Mas há três jogadores a quem os angolanos muito esperam, pela sua experiência em provas do género. Refiro-me a Eduardo Mingas, Carlos Morais e Armando Costa, um trio de luxo que muitas selecções gostariam de ter nos seus plantéis.

Numa prova que se prevê bastante competitiva e onde apenas o vencedor irá representar o Continente nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, recai sobre os três jogadores a difícil e ingrata missão de liderar a selecção, pelo menos na quadra e na gestão do balneário, rumo ao único e exclusivo objectivo de recolocar o basquetebol angolano no torneio olímpico, depois de ter falhado a edição de 2012, em Londres, na Inglaterra. Os nossos jogadores merecem a nossa confiança. São merecedores do nosso orgulho, por isso estou convicto que todos eles darão o máximo em prol das cores da Nação. Estarão à altura das exigências de todos os angolanos. Vamos todos acrediar.
Policarpo da Rosa

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