Jornal dos Desportos

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Opinio

Prestao no CAN foi um fracasso total

06 de Julho, 2019
Caímos deitados! Sim, caímos estatelados no chão sem podermos ter capacidade de resiliência para levantarmos, sacudir a poeira e prosseguir a marcha. Fracassamos totalmente. Foi praticamente assim que a Selecção Nacional de futebol de Angola, vulgo Palancas Negras, foi eliminada do Campeonato Africano das Nações (CAN), que se disputa no Egipto desde o passado dia 21 do corrente.
Ao consentir uma derrota de 0-1 diante do “carrasco” Mali, em desafio pontuável para a terceira jornada do Grupo E, ainda na primeira fase da competição e, por via disso não ter conseguido sequer ser um dos melhores terceiros dos seis grupos, que disputaram a fase inicial da prova. O Palancas Negras, verdade seja dita tal como ela é, demonstraram tamanha incompetência competitiva.
Ou seja, a Selecção de futebol do nosso País passou “ao lado” da presente edição da maior cimeira do futebol no continente. Longe de se exprimir competitivamente com o seu futebol característico (?), os Palancas Negras demonstraram que não estão “alfabetizados” para essas andanças, se tivermos em conta que as vitórias preparam-se e os fracassos anunciam-se. Este, seguramente, foi um fracasso anunciado.
A ter em conta este princípio, a participação de Angola no CAN do Egipto foi como que a “crónica de uma morte anunciada”, título de um livro de um renomado Jornalista e escritor Colombiano, Gabriel Garcia Márquez e que, de facto, se encaixa bem nesta participação fracassada do nosso combinado nacional.
Na verdade, tudo terá começado com o conturbado estágio em Portugal e a problemática das greves, motivadas por falta de pagamentos das diárias, prémios de qualificação; agravada com a falta de jogos de controlo, etc.; incrementadas com a tentativa de “lavagem da roupa em hasta pública” entre o órgão máximo do desporto no país e a FAF; e com outras tantas “quezílias camufladas” vividas já no palco da competição. Tudo isso contabilizado, confere um saldo negativo e amargo, reflectido no desempenho fusco dos atletas em campo, praticamente nos três jogos disputados (salvo raras excepções). E, no tal desempenho dos atletas, há muito que se lhe diga se tivermos em conta aquilo que realmente deixaram transparecer, apenas coberto com algum profissionalismo evidenciado por uma mescla de jogadores.
Mesmo assim, foi como que tapar o sol com uma rede, tornando-se tudo visível. Ou seja, a falta de força anímica, comprometimento, entrega e sobretudo galhardia.
Agora, virão ao de cima as acusações, a procura dos potenciais culpados e a vontade de “linchar” este ou aquele, já que, como sabemos, “a culpa quase sempre não morre solteira”. O cair deitado nesta competição, em que todo angolano comum, independentemente da preparação conturbada, acreditava na sua selecção, já que se lembravam do quão bom foi a fase de qualificação, os resultados conseguidos, as exibições, enfim, a coesão, a conquista do balneário pelo novo seleccionador, (muitos chegaram a pensar: temos selecção!) foi como que, um golpe duro.
Infelizmente, postos na verdadeira competição, “a montanha acabou parindo um ratinho”. Dois empates e uma derrota, um golito marcado e dois sofridos e vamos à (ma (li) vida! Nem para melhores terceiros servimos. Temos que continuar a admitir que, redondamente, foi um fracasso. Um fiasco. Um pesadelo, enfim, caímos deitados.
Necessário se torna agora, acalmar os ânimos. Serenar. Reanimar-se. Pensar em estratégias de saída desta tamanha crise em que mergulhou o nosso futebol. Em nada valerá “bater no ceguinho” como soe dizer-se. Embora à partida, as culpas serão obviamente assacadas à Federação Angolana de Futebol (FAF), como um dos poucos identificáveis na questão do fracasso, o melhor mesmo seria encontrar o equilíbrio.
O bom senso. Enfim, sentar-se a volta de uma mesa e debater de forma aberta e sincera o que esteve mal e o que deve ser corrigido.
As críticas abertas e construtivas devem ser feitas, da mesma forma que todos nós deveremos ter assento nesta mesa, para cada um dar a sua humilde contribuição, porque, se Angola é o nosso querido País, o fracasso da selecção de futebol no CAN do Egipto, também é nosso! Aliás o futebol tem o condão de aglutinador social por excelência.
Porém, o importante será aprender (bem) com os erros de hoje e projectar um melhor futuro para o nosso futebol, para que amanhã, no dobrar da esquina, não voltemos a nos estatelar no chão e cairmos deitados. Tenho dito!
Morais Canâmua

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