Jornal dos Desportos

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Opinio

Prestao aceitvel da Seleco Nacional

03 de Fevereiro, 2018
Uma vitória, dois empates e uma derrota, correspondem à safra obtida pela Selecção Nacional de futebol de honras, na 5ª edição do CHAN de 2018, cujas cortinas cerram amanhã, com a equipa da casa, o Marrocos, a defrontar a similar da Nigéria na final.Angola teve uma preparação marcada com muitos espinhos, acabou por surpreender em Agadir, região do Reino de Marrocos que foi palco do Grupo D e C no primeiro turno, em que a equipa teve como adversários, o Burkina Faso, Camarões e o Congo.
Quando quase nada se esperava do conjunto, muito por obra das situações adversas por que passou antes do início da montra do futebol continental reservada a atletas que evoluem nos países de origem, os Palancas Negras tiveram uma prestação aceitável. Disso não se questiona. Primeiro, se se tiver em conta a escolha tardia do novo seleccionador nacional, o sérvio Srdjan Vasiljevic, que rendeu no cargo um mês do arranque da prova, o hispnaho -brasileiro Beto Bianchi.
Como se não bastasse o \"enlance\" tardio do técnico com a Federação Angolana de Futebol (FAF), o outro impasse estava ligado ao facto da comunicação, pois, o sérvio assumiu o comando da equipa sem qualquer domínio da língua portuguesa.
Nessa perspectiva, era de esperar que com coadjuctores o seu compatriota Miroslav Maksimovic que já tinha treinado no país, e o angolano Silvestre Pelé, estes acabaram por ser o \"abono de família\" para o início da empreitada no CHAN.
E isso, pelo facto de que, quer o sérvio Miroslav Maksimovic, como Silvestre Pelé, posssuírem domínio do futebol angolano e ainda, por conhecerem muitos dos jogadores convocados para a montra do futebol cuja final está agendada para amanhã. Apesar de todos esses aspectos, a rapaziada sob comando de Srdjan Vasiljevic deu uma resposta positiva, ombreou com adversários que à partida eram apontados como teoricamente mais fortes.
Isso, explica-se pelo o rigorso empate nulo na estreia com o Burkina Faso, que veio a sagrar -se líder do Grupo D, no final do primeiro turno do CHAN. A magra vitória sobre os Camarões na segunda jornada e nova repartição de pontos no fecho de contas com a selecção do Congo-Brazzaville. Em rusumo, o conjunto esteve bem.
Na fase do \"perde-cai\", a Selecção Nacional não teve arte nem engenho para evitar a derrota com a sua similar da Nigéria, que com a vitória de 2-1 logrou o passe para as meias-finais, onde também vergou o Sudão por 1-0, rumo à final de domingo.
Não obstante a derrota frente as \"Águias Verdes\", Angola não deixou de surpreender, sobretudo áqueles que à partida cogitavam uma campanha com furos abaixo, para equipa de todos nós. Os atletas angolanos souberam dignificar o país.
E, quiça, numa atitude mais ousada pudessem surpreender a forte selecção nigeriana, que mesmo sem contarem com as suas \"feras\", pelo estatuto dessa prova que abre oportunidade a jogadores que evoluem no país, ainda assim provou a sua capacidade. Angola bateu o pé aos adversários.
Em Marrocos, onde frequentas vezes os Palancas actuaram, Angola pode não reviver momentos semelhantes ao da sua estreia num CHAN, todavia, acabou por ser uma surpresa agradável.
Na primeira edição desta cimeira do futebol africano, realizada no Sudão em 2011, os Palancas Negras, então treinados por Lito Vidigal, alcançaram um honroso segundo lugar, fruto da disputa da final em que perderam para Tunísia, por 1-3.
De regresso à competição, falhada a segunda e terceira edições, o combinado angolano não logrou a qualificação para a segunda fase. Portanto, na segunda presença na prova, no Rwanda, Angola fez uma campanha para esquecer.or essa razão e aliada a vários factores menos bons, que o conjunto antes da realização deste CHAN, no Reino de Marrocos, muitos agentes do futebol dentro das nossas fronteiras prognosticaram uma campanha difícil.
Felizmente e a contrapor essa lógica, os Palancas Negras dignificaram o país. Bateram-se com dignidade perante os seus adversários e provaram o quanto o futebol angolano pode impor-se a nível do nosso continente. Assim, fica um sério aviso do que Angola é capaz. Aliás, já provamos por A+B ser uma pátria do desporto e do futebol, em particular. Por isso mesmo, em próximas edições desta montra do futebol, podemos fazer melhor.
Sonhar não é proibido. Como na estreia da prova do futebol africano logramos um honroso segundo lugar, porque não acreditar que possamos fazer melhor. E, fazer melhor nesse caso, pressupõe sonhar com a conquista do CHAN.
E, por falar de futuro, penso que como muitos “expertes” do desporto -rei no país defenderam na antevisão deste CHAN, que fosse mais sensato que Angola participasse na prova com a selecção que esteve no torneio de Toulom, em França.Reitero o facto, porque o CHAN não se equipara a um Campeonato Africano das Nações (CAN), ou de outras provas sob a égide do órgãos reitor do futebol africano. Por isso, esta prova podia ser a \"porta para a oportunidade\" de jogadores mais jovens.
Tal como agora, vai proceder-se à uniformização do calendário do Campeonato Nacional da I Divisão, vulgo Girabola Zap, com os de outros países, dever-se-ia também já esboçar novas perspectivas para a presença de Angola em provas futuras.
Porque não se idealizar o próximo CHAN, CAN e outras competições em que Angola pode qualificar-se. O futuro começa agora. Para tal, tudo tem de começar por um plano esboçado e uma estratégia face às metas que se pretende.
Sou apologista de que o sérvio Srdjan Vasiljevic, que se tornou 31º seleccionador nacional de honras e o terceiro da praça sérvia a entrar nas opções dos Palancas, tenha de começar um acompanhamento mais detalhado das equipas.Digo isto, porque é ponto assente, que só com um trabalho aturado, Angola pode resgatar a mística granjeada em tempos idos, em que podemos destacar as honrosas presenças nos Mundiais da Alemanha e Holanda, em honras e Sub-20, e bem como a conquista de um CAN, em 2001, na Etiópia. As conquistas destes feitos foram possíveis graças ao desempenho de muitos jogadores que apontados por muitos como a \"geração de ouro\" do nosso futebol. E se começarmos a trabalhar a todo o vapor, outros feitos incomensuráveis hão de surgir no desporto-rei. Creio, plenamente nisso...
Sérgio V.Dias

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