Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Primeiro fracasso de Beto Bianchi

04 de Julho, 2017
Os Palancas Negras não conseguiram, mais uma vez, passar à fase seguinte de uma prova com caris internacional em que participam, neste caso, a Taça Cosafa que 26 de Junho a 9 de Julho decorre em terras de Nelson Mandela.

Independente do valor da competição, que não vai por aí além, considero a prestação dos comandados de Beto Bianchi como o verdadeiro primeiro fracasso desta nova era da equipa nacional, facto que a todo o bom patriota amante do desporto rei não terá \"roubado\" a menor graça que fosse.

E, parece, que está difícil encontrar a fórmula para chegar ao tal desiderato, que repito, é uma vontade colectiva dos angolanos amantes da modalidade aos quais me associo, e cada um a seu jeito sofre com os sucessivos desaires da equipa que representa a extensão territorial que se chama Angola.

Apesar de não termos perdido nenhum jogo na competição, com o valor que esse facto tem, continuo a pensar que é urgente a necessidade da inversão do quadro em que se encontra o futebol angolano, que parece ter perdido o respeito até das chamadas pequenas Nações.
CARLOS CALONGO

A parte final do parágrafo anterior, permite perceber a grandeza do discurso daqueles que advogam que a qualidade e os resultados no futebol, não se compadecem com a dimensão territorial, tão pouco com os recursos naturais que fazem de determinada Nação, \" especial\".

Mais do que isso, a organização e investimento no factor homem consubstanciam os maiores indicadores para que os objectivos sejam alcançados à contento, claro que o resto é uma questão de gestão e permanente exercício de avaliação e controlo das componentes do projecto.

Posto isto, continuo a não saber, qual o projecto para um modelo sustentável e uniforme do futebol angolano, sobre o qual todas as forças vivas da modalidade se possam rever e contribuir, independentemente das pessoas/nomes que estejam encarregadas de movimentar a máquina no capítulo da operacionalidade administrativa, política e competitiva.

Esta observação vem à tona, apesar de não ser uma preocupação nova, por não concordar que para a Taça COSAFA os objectivos traçados pela equipa técnica nacional fossem \"aprimorar a dinâmica técnica e táctica do grupo, para permitir chegar com mais facilidade ao êxito...\".

Desde logo, anunciei a minha repulsa quanto á \"pequenez\" dos objectivos, até porque a operação África do Sul forçou mais uma paragem ao Girabola, com todas as contrariedades advenientes, e que quanto a mim, não foram exploradas nas dimensões necessárias, pois, muito há que se diga sobre o assunto.
Em concreto, não concordo com o argumento que a nível de selecção sénior se aproveitem torneios como o da COSAFA, para preparar uma selecção sólida e capaz de melhorar a sua prestação no CHAN2018, o que para mim, não passou de mero exercício de antecipação de desculpas, por eventuais fracassos.

Talvez na mesma linha de pensamento tenham andado os dirigentes do Clube Central das Forças Armadas Angolanas, Kaburscorp do Palanca e Progresso do Sambizanga, para então preferir que os seus clubes continuem a jogar o Girabola, apesar do número de atletas que têm ao serviço da Selecção Nacional.

Perante este, que é o primeiro fracasso real da era Beto Bianchi, - considerando que na corrida ao CAN de 2019 apenas tivemos uma derrota que pode ser devolvida em nossa casa -, quero recordar que pensamentos /projectos pequenos geram resultados pequenos, a inversa completamente verdadeira e para a qual deve recair a escolha.

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