Jornal dos Desportos

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Opinio

Primeiro quarto sob signo de equilbrio

19 de Outubro, 2019
À passagem da oitava jornada da época 2019/2020 do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, prova que nos últimos tempos passou a designar-se com o cognome de Girabola Zap, é nota marcante o equilíbrio que se faz sentir no seu seio.
É bem verdade, e convenhamos admitir isso, o certame ainda não ganhou embalo suficiente, para se começar aquilatar as reais performances de cada um dos 16 concorrentes, mas o facto é que algumas equipas vão dando indicadores de querer fazer boa campanha. É, por exemplo, o caso do Recreativo do Libolo, três vezes campeão nacional, e da sensacional Académica do Lobito, que partilhando nesse momento o 3º e 4º postos, com 17 pontos cada, à semelhança do Petro de Luanda, que está na segunda, após vencer ontem o Progresso do Sambizanga. Ambos pressional o líder 1º de Agosto que soma mais um ponto.
Em oito jornadas disputadas e pese embora tenha um jogo em atraso, o tetra-campeão 1º de Agosto dá indícios de querer assumir de “peito aberto” a vanguarda, rumo a mais uma consagração.
E, nessa altura, ampliar a vantagens sobre os seus mais directos concorrentes na luta pelo título, casos do Petro de Luanda e Interclube, é claramente um objectivo crucial, para quem almeja a revalidação do troféu da maior prova do futebol nacional.
Tal como o rival do “Catetão”, o 1º de Agosto centra atenções em três frentes, já que além do Girabola Zap, começa em Novembro a sua marcha na fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos e vai disputar ainda a Taça de Angola, a segunda maior prova do futebol no país. O seu objectivo nas três frentes é fazer uma boa figura.
O Petro de Luanda, que atravessa um “jejum” de mais dez épocas sem atingir o título do Girabola Zap, quer, como é óbvio, estorvar os intentos do rival do “Rio Seco”. Com mais um jogo que o 1º de Agosto, os tricolores têm noção do quão importante é não deixar o rival ampliar a vantagem, sobretudo quando faltam poucas rondas para o dérbi dos derbies.
Ao Petro, convém, como é óbvio, procurar encurtar ao máximo possível a diferença com o rival militar, para que, na disputa do clássico dos clássicos, consiga superá-lo, embora nas últimas épocas a balança tem favorecido a turma do “Rio Seco”.
“Regressado” 18 anos depois a elite dos grupos das “Champions League”, o Petro à semelhança do 1º de Agosto, tem fortes ambições quer no Campeonato Nacional da I Divisão, quer na maior prova de clubes da Confederação Africana de Futebol (CAF) e Taça de Angola. E para já deve-se reconhecer que é uma ambição legítima, para um conjunto com o rótulo de “maior papão” do Girabola Zap.
E mais ainda: com quinze títulos conquistados, os tricolores sabem, de antemão, que em caso de novos desperdícios nesta prova podem ver o rival, que nesse momento soma treze, encurtar a diferença de conquistas, algo que, para já, fere-lhe o orgulho.
Porém, à passagem da disputa deste primeiro quarto, a história do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão não se resume apenas a estes dois “colossos”. Há, à semelhança dos também já referenciados Libolo e Académica do Lobito, outras equipas que correm em busca dos lugares cimeiros da “fina-flor” do futebol nacional.
Estão nesse “carrossel” as equipas do Interclube (actual 4º colocado com 14 pontos), FC Bravos do Maquis do Moxico (5º com a mesma cifra pontual), assim como o Clube Desportivo da Huíla (CDH), que soma menos um ponto, na posição imediata.
Qualquer uma dessas equipas já nos habitou a boas prestações nesta alta-roda do futebol nacional, daí que seja de se esperar que, pelo andar da carruagem, hão-de tentar fazer frente aos ditos “colossos” na discussão do título.
Isso acaba por tornar mais renhida a luta no topo da tabela de classificação, o que por si só torna mais animada esta maior festa do futebol nacional. E com muito campeonato ainda pela frente, é ponto assente que vamos ter muitas dessas equipas a assumirem posições, que se ajustam mais aos seus pergaminhos nesta “fina-flor” do futebol nacional. Mais a mais quando a primeira volta acaba sempre por ter carácter crucial.
Todavia, noutro lado da “barricada” aparecem as equipas mais modestas, no caso as que lutam para lugares medianos e outras ainda, cujo objectivo passa pela manutenção. Nesse quesito, as formações do Cuando Cubango FC (8º classificada com 11 pontos), Recreativo da Cáala (9º com 10), Wiliete SC de Benguela (10º com nove), Sporting de Cabinda (11º com oito) e Sagrada Esperança da Lunda-Norte (12º igualmente com oito) ocupam lugares medianos. A turma diamantífera, que sempre nos habituou a excelentes prestações, esta época apresenta-se com alguns furos abaixo.
No meio desse cenário, que se descreve das equipas que ocupam os lugares medianos, é sublime também destacar a situação daquelas que estão acossadas pelo espectro da despromoção. Estão nessa zona da linha-de-água o Progresso Associação do Sambizanga (13º classificado com sete pontos), 1º de Maio de Benguela (14º com dois), Ferroviário do Huambo (15º com dois) e Santa Rita de Cássia do Uíje (16º e última com os mesmo dois pontos). Por essa razão, terão de carregar no acelerador, para saírem da zona movediça em que se encontram.
Sérgio. V. Dias

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