Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Principal objectivo est a ser cumprido

18 de Outubro, 2018
Apesar da derrota diante da Mauritânia, na passada terça feira, em minha modesta opinião, a Seleção Nacional de Honras, Palancas Negras, está no bom caminho, em função do nosso histórico nos últimos oito anos.
É ponto assente que, a prior, o CAN dos Camarões, não é obrigação do onze nacional. Temos de ser realistas. Depois da nossa estreia exitosa na mais alta roda do futebol mundial, que teve como palco a Alemanha em 2006, o nosso futebol regrediu, mesmo tendo realizado o CAN em 2010, onde, pela segunda vez, ficamos nos quartos de finais.
Depois disso, foi um autêntico “deus nos acuda”. É interessante que, nos anos 90, mais precisamente no período entre 1995 a 2000, chegamos a estar entre as melhores selecções do globo, na posição número 50.
No período em referência, tivemos, como o nota de destaque, a nossa primeira participação num CAN, realizado na Africa do Sul, em 1996, com jogadores como Orlando, Fua, Yamba Asha, Wilson, Neto, Hélder Vicente, Quinzinho, Jony, Akwá, e outros, muito bem liderados pelo malogrado Carlos Alinho, tendo como presidente da FAF, Armando Machado.
Dai em diante, já com Justino Fernandes, como presidente da FAF, e Oliveira Gonçalves, no comando técnico, os Palancas Negras surpreenderam o Mundo, ao apurar-se para a fase final do Mundial da Alemanha em 2006, num grupo que tinha como cabeça de série a fortíssima Nigéria, dez anos depois do Can de 1996, da Africa do Sul.
Portanto, de 2010 a 2017, os dirigentes máximos do futebol angolano ligados à Federação Angolana de Futebol, tudo fizeram para resgatarem o período de ouro vivido na época do apuramento ao Mundial de 2006.
Para o efeito, contrataram, em média, um treinador por ano mas sem sucesso, porque faltava a sintonia entre toda a família do futebol nacional, sobre qual era o principal problema do nosso futebol que, aos poucos, foi identificado.
Mas será que não sabíamos qual era o real problema? De certeza que sim. Mas a grande verdade é que a nossa vontade de estar entre os grandes do futebol continental e mundial era tanta, que cegou-nos a mente.
Não é segredo para ninguém, que para se atingir grandes patamares desportivamente falando, é imperioso ter atletas de alto nível e dirigentes com elevado sentido patriótico. Era este o nosso principal problema, porque depois de estrelas como Napoleão , Garcia, Lourenço, André, Tandu, Ndunguidi, Arménio, Lufemba, Vicy, Alves, Jesus e outros, a qualidade do nosso futebol foi regredindo paulatinamente.
Sim, na época dos jogadores acima referenciados, havia mais de cinco seleccionáveis por cada posição. Só em termos de guarda-redes além do Ângelo, tínhamos o Napoleão, Carnaval, Manecas, Zé do Pau, Pinto Leite e o Luís Cão, sem falar do Rosinha, Maló e outros.
Com o passar dos anos, ficamos muito limitados em termos de jogadores de qualidade e, especialmente, depois do Mundial da Alemanha, jogadores da estirpe de um João Ricardo, Jamba, Delgado, André Makanga, Figueiredo, Akwá, Gilberto, Flávio, Zeca Langa e outros, envelheceram e o resultado foi um autêntico “caos”.
Agora, nos últimos dois anos surgiram jogadores como Show, Herenilson, Gelson, Macaia, que aglutinados a outros nomes de referência como Landu, Fredy, Massunguna, Bastos, Galiano e outros, bem liderados por Vaseljevic, estão a formar uma equipa a altura das encomendas e podemos considerar que estamos de parabéns.
Em função desta realidade, podemos considerar a derrota diante da Mauritânia, como tendo sido normal, em função da sua posição no Ranking da FIFA e do anti- jogo feito pelos mauritanianos, desde o dia da chegada da nossa selecção.
Mas não podemos nos queixar sobre esta situação, pois há muito anos que sabemos que em África, e um pouco por todo Mundo, os jogos extra-campo funcionam e não devem ser desconsiderados, o que implica dizer que todo o cuidado é pouco nestas andanças.
Assim, em função do desaire dos Palancas Negras, no jogo da passada terça-feira, que cenário se apresenta diante deles ou seja o que se pode esperar da nossa selecção? Tendo em atenção os resultados desta 4ª jornada, que ditaram os seguintes resultados do nosso grupo: Mauritânia 1 – 0 Angola e Botswana 0 – 0 Burkina Faso, temos as seguintes hipóteses, matematicamente falando:
1 – com a vitória diante de Angola, a Mauritânia soma nove pontos, o Burkina Faso, sete e Angola seis. Na 5ª jornada a ser disputada em Novembro, teremos Angola – Burkina Faso e Mauritânia – Botswana.
2 - Em função do potencial de cada equipa, podemos prever o seguinte: a Mauritânia, tem cerca de 80% de probabilidades de vencer o jogo contra os tswaneses em sua casa, ao passo que o jogo de Luanda, entre o Angola e o Burkina Faso, está tudo em aberto, com 50% de probabilidades para cada equipa.
3 – Entretanto, embora a ida ao CAN do Camarões não seja um imperativo, isto em minha opinião, porque as contas do presidente Artur e de outros membros da família do futebol nacional, a ideia pode ser contraria, a nossa seleção tem a obrigação de vencer para, pelo menos, vingar-se dos 3-1 com que fomos brindados em casa do adversário, na primeira volta
4 – Com a provável vitória da Mauritânia em casa sobre o Botswana, fará 12 pontos e, se Angola vencer o Burkina Faso, fará nove pontos. Na ultima jornada, o Burkina Faso recebe a Mauritânia e, pela lógica, vencerá o jogo e somaria 10 pontos. Assim, Angola teria de ir ao Botswana e vencer para somar 12 pontos.
Só assim poderemos estar na Republica Unida dos Camarões. Mas, para nós, o mais importante é que estamos a construir uma equipa nova e capaz de competir com as melhores selecções de África e, com o tempo, com as melhores do Mundo.
Augusto Fernandes

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