Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Produzir talentos urge

25 de Novembro, 2014
A importância de que se reveste a cooperação para a formação, incide sobre à necessidade da execução de trabalhos sérios, baseados em programas convenientemente gizados na ciência e em horizontes temporais, que se devem efectuar no futebol de formação.

O acordo, entre outros, permite aos quadros técnicos do clube português que é um dos principais emblemas do futebol mundial, trabalhar sobre a descoberta e formação de talentos para o futebol angolano.

É certo que acções do género não se deve circunscrever apenas a AFA, que segundo algumas afirmações – intencionais ou não - que se ouvem em diversos círculos futebolísticos nacionais, deve beneficiar projectos de outras agremiações e instituições ligadas ao futebol de formação.

Mas julgamos que muitos mais apoios devem surgir de todos quantos se acharem na obrigação de apoiar e desenvolver o futebol jovem, numa interpretação fiel dos princípios da pirâmide desportiva. Os projectos devem começar a ser desenvolvidos a partir das bases.

Agora, que se começa a falar com alguma insistência sobre os futebol nas camadas de formação, depois do recente descalabro da selecção principal no acesso à fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN)-2015, na Guiné - Equatorial, o actual elenco Federativo deve aproveitar o tempo de que ainda dispõe até à conclusão do seu mandato, para em harmonia com os clubes e outros segmentos da modalidade, arranjar mecanismos para os escalões de formação, quer das equipas quer das selecções nacionais para que desfrutem das condições ideais para que os objectivos sejam atingidos.

Com isso, pode-se evitar que se cometam mais erros nos escalões subsequentes. Já não faz sentido que os dirigente dos clubes e das Selecções Nacionais se esqueçam de criar condições adequadas para os infantis, iniciados, juvenis e juniores, que se consubstanciam em equipamentos, botas, bolas e recintos adequados ao trabalho que se pretende.

ambém urge termos muitos mais treinadores capacitados em termos de conhecimentos académicos e científicos para desenvolverem o trabalho junto dos escalões etários.

Devido à ausência cada vez maior que se nota, no que diz respeito aos deveres cívicos e morais que têm origem na descaracterização nas famílias como núcleo fundamental do desenvolvimento da sociedade, regista-se o aumento de jovens e adolescentes vinculados aos clubes, alguns dos quais do Girabola, que enveredaram pela associação viradas às práticas incorrectas.

Isto coloca em perigo a continuidade como desportistas, o que deve merecer a devida análise e ponderação de toda a sociedade.
Em relação ao que acima está exposto, merece destaque o trabalho desenvolvido pela Escola de Futebol Norberto de Castro, mesmo sem o apoio de qualquer instituição financeira estatal, leva a efeito um projecto que está a dar frutos em Viana (Luanda), como também já arrancou nas províncias do Huambo, Huíla e do Namibe.

Além de alguns nomes sonantes que militam em algumas equipas do Girabola e no estrangeiro, com destaque para Geraldo (Curitiba do Brasil), o projecto do empresário Norberto de Castro continua a oferecer formação futebolística e académica a jovens, a crianças e adolescentes, alguns dos quais sem posses, oriundos das ruas.

Neste diapasão não devem ficar de fora clubes como o 1º de Agosto, Petro de Luanda, Progresso Sambizanga, Interclube, ASA, Polivalentes, escolas do N’ Zango e do Curtume, alguns com mais ou menos dificuldades que outros, que desenvolvem um trabalho positivo nos escalões de afirmação do futebol nacional.
Quando é que formações como o Recreativo do Libolo e o Kabuskorp do Palanca, que dispõem de alguma mobilidade financeira e que já se sagraram campeões nacionais, vão começar a apresentar jogadores jovens saídos das suas área de formação, ao invés de continuarem a contratar jogadores já formados, alguns dos quais no estrangeiros, de nível técnico duvidoso?

Não se deve “bater e rebater” sobre o que está feito ou o que aconteceu, mas pensar-se em soluções para contornar tal situação, que embora de forma ténue, começam a surgir. A transparência é uma causa que deve prevalecer e constar na forma de trabalho de quem de direito.
LEONEL LIBÓRIO

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