Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Promessas de Maneda e a "sopa de bacalhau"

27 de Agosto, 2018
Rebentou, há dias, nos meandros do nosso basquetebol e também nos nossos domésticos meios de imprensa, um barulho que tem a ver com o estado de coisas do nosso basquetebol, particularmente, no capítulo das selecções, sinceramente, não gostei.
As \"bocas\" dos dirigentes da Federação, a demissão de José Carlos Guimarães de não mais comandar querer saber e dirigir selecção alguma, \"promessa\" de Manuel Silva \"Gi\" de vir a estar a Norte da selecção que dirige, são aspectos nada bom de se ouvir.

Pode ser que valha aqui, devido a tais desentendimentos... o velho ditado segundo o qual \", em casa onde não há pão, toda a gente ralha e ninguém tem razão\".
Os jogadores reclamam os seus pagamentos de prémios, o presidente da Federação, Hélder Cruz \"Maneda\" responde que não há ( e será que não há mesmo?) verbas disponíveis, e até já reflecte se vale a pena continuar à frente da direcção do órgão federativo
Em minha modesta opinião, este extremar de posições só ocorre, se não há mesmo verbas para pagar ou compensar o trabalho dos treinadores e jogadores, mas no actual contexto, o actual elenco federativo, também na minha opinião, só está, em boa verdade, a pagar caro as promessas eleitorais que fez.
O que vi, nas últimas eleições, reconduzem-me ainda ao tipo de como se diz... \"bué\" de promessas de bacalhau a pataco: o presidente que era candidato, que concorreu, que acabou eleito e que hoje por hoje dirige a Federação, prometeu fazer muitas boas novas, em favor do basquetebol nacional; às selecções campeãs, seus jogadores, treinadores e dirigentes, mas afinal, a experiência está a evidenciar que o que perspectivou, é na prática...uma, miragem autêntica!
Não sei se Mandela vai cristalizar a ideia de deixar a Federação, face aos entraves que alega. Entretanto, sem pretender atingi-lo sem motivo, acho que não é foi de bom tom, ter feito \"papel de político de caserna\"; dono de promessas públicas para o eleitorado, que se com razão ou não, diz-se enganado.
Atenção: o eleitorado do basquetebol é como um povo, sabe... ou vai sabendo já das coisas. Eu explico porquê!
É que o eleitorado (como o povo), está habituado a sacrifícios, dá o aval para o sopro de ventos que prometem mudança. No entanto, o avolumar das desilusões e de sacrifícios minam a confiança, e esse é um perigo bem real para a democracia, como para quem dirige uma Federação.
O meu conselho vai no sentido, de que a virtude de falar verdade e cumprir promessas, é o melhor caminho! Se não, o dirigente fica como se tivesse prometido aos jogadores, treinadores e dirigentes, uma espécie de bacalhau e sopas de Sidónio. Afinal, a promessa eleitoral tem um preço!
Este pretexto comparativo, se contextualizado, fez-me lembrar a época da implementação da Primeira República, em Portugal, pelo seguinte: corria nas ruas lisboetas a suposta boa nova, de que os republicanos iam tabelar os preços, de modo que todas as pessoa tivessem acesso aos bens de consumo, primeiro.
Entre tais bens, estava o bacalhau, que supostamente era vendido a pataca, isto é, a uma moeda de baixo valor. A verdade é que o bacalhau nunca chegou a estar a esse preço, e portanto, foi uma \"promessa mentirosa\".
Se Maneda não tiver o apoio institucional de que precisa, e merece das autoridades desportivas (e mesmo políticas); se não continuar a mexer nas suas algibeiras para suportar os encargos, as encomendas da Federação, das selecções, é bom que leve à serio o que de facto disse para o País, na passada sexta-feira: \" Ser presidente da Federação é um desafio interessante, mas é uma tarefa injusta. Se as coisas continuarem conforme estão, vão ter de repensar a nossa continuidade\".
Acho, que é uma boa visão, porque se não, será como a rola que come o milho, mas ( afinal) a fama (má) fica com a pomba!
António Felix

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