Jornal dos Desportos

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Opinio

Promessas eleitoralistas

28 de Dezembro, 2016
O futebol é de facto, o ópio do povo. Aliás, não é por acaso, que é considerado como desporto-rei a nível mundial e, como é evidente, não poderia ser diferente em Angola, onde a disciplina é vivida com grande intensidade.

E no dia 17 do mês em curso, os angolanos, de Cabinda ao Cunene, deram mostras de que respiram o futebol, independentemente, da cor partidária e crença religiosa. O país parou por algumas horas e as atenções estavam viradas para o pleito eleitoral, que culminou com a consagração do candidato da lista A, Artur Almeida e Silva, tornando-se no sétimo presidente do órgão reitor do futebol no país.

Três candidatos estavam na corrida, nomeadamente, Osvaldo Saturnino de Oliveira Jesus, José Luís Prata e Artur de Almeida e Silva, tendo este último merecido a confiança do eleitorado.

Artur Almeida e Silva que nas eleições passadas foi derrotado por Pedro Neto, tendo sido posteriormente "repescado", venceu o pleito do dia 17 do mês em curso, com uma larga vantagem sobre o seu principal "rival", no caso, José Luís Prata. Artur Almeida e Silva conseguiu 67 votos, contra 54 votos do antigo vice-presidente das Selecções Nacionais.

A campanha eleitoral foi vivida com grande intensidade, com os três candidatos, cada um à sua maneira, a apresentar os melhores argumentos, para convencerem a massa associativa. É natural, que neste tipo de campanha surjam promessas que numa primeira análise e sem precisar ser um cientista, chegamos à conclusão que são irrealizáveis.

E neste particular, gostaria de me apegar numa destas promessas de Artur Almeida e Silva, por sinal, o candidato vencedor que afirmou que poderia transformar os clubes e associações em Instituições de Utilidade Pública.

Ora, esta promessa, feita pelo actual presidente da Federação Angolana de Futebol, que terça-feira entrou oficialmente em funções, com a tomada de posse, não passou mesmo de uma falácia, porquanto o actual boss da "FAF" não tem competência de transformar as associações e clubes em instituições de Utilidade Pública.

O desporto de uma maneira geral e, em particularmente o futebol, é considerado uma grande indústria. Hoje por hoje, os Estados têm cada vez menos intervenção naquilo são as atribuições das verbas e, seguramente, que Angola também está a caminhar pra lá. Outro aspecto que me chamou a atenção durante a fase da campanha eleitoral foi o facto do então candidato Artur Almeida e Silva ter dito de viva voz, que assumiria o passivo deixado pelo elenco de Pedro Neto. Aliás, não poderia ser diferente. Entretanto, é com grande espanto que tenho constatado nos últimos pronunciamentos do mesmo querer dar o dito pelo não dito, lançando esta responsabilidade ao Governo.

Compreendo que o "fardo" é bastante pesado. Afinal, ao que se diz, os funcionários da Federação Angolana de Futebol estão há catorze meses sem receberem os respectivos ordenados. Daí vai a minha pergunta. Por que razão Artur Almeida e Silva assumiu de peito aberto que iria solucionar o problema dos salários em atraso?. Todas estas promessas afinal era apenas uma operação de charme e com o único propósito de angariar votos dos associados?.

Acho que nas campanhas eleitorais os candidatos que aspiram atingir o cadeirão máximo de qualquer federação ao associação desportiva, deviam pautar por um discurso realista e pragmático.

E como não bastasse, o antigo presidente do Vitória do Sambizanga, em declarações a Televisão Pública de Angola, mais concretamente, no Programa Desporto Total, afirmou que precisava de três a quatro mandatos para implementar na totalidade as suas cinquenta acções e mais cinquenta programas...

Em face disso, espera-se pouco do actual elenco, liderado por Artur Almeida e Silva, já que considera que os quatro anos são insuficientes para se começar efectivamente a inverter o actual quadro do futebol angolano, que ao que se diz, está num estado deplorável.

Honestamente, falando, me parece tempo demais (16 anos), na medida em que o futebol angolano precisa urgentemente de sair do marasmo em que está mergulhado. A menos que o actual presidente da Federação Angolana de Futebol pretenda transformar o órgão reitor da modalidade numa monarquia....

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