Jornal dos Desportos

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Opinio

Pronto para encomendas?

05 de Setembro, 2017
Vamos supor que o Domant seja uma equipa que, além de entrar no Girabola, entrasse também para a Liga. Teria, na verdade capacidade financeira? Vamos supor também que esta mesma equipa, em vez de subir ao Girabola, ficasse apenas num campeonato nacional da segunda divisão, mais regular, com mesmo tempo e jornadas que se vê no Girabola. Também teria ou não orçamentos e estruturas para aguentar-se?

Muito sinceramente, julgo que já era tempo de a FAF em vez de continuar a \"apadrinha\" um Girabola com equipas sem capacidade financeira para todas as \"encomendas\" da primeira divisão a que o Domante seguramente voltará a aventurar-se, a arrojar-se, e enfim...

É por isso até que as equipas de peso até hoje pouco falam já da Liga e sei que uma das metas preconizadas nos programas dos três últimos elencos federativos, nomeadamente o de Justino Fernandes, Pedro Neto e, mesmo agora, de Artur Almeida teve e ainda tem a ver com o alargamento de torneios( campeonatos ) a nível da alta competição interna, especialmente a criação da Liga de Clubes. A verdade é que persiste a dificuldade em se dar corpo à Liga. O projecto continua a \" hibernar\"!...

A outra ideia que tarda também a sua conversão em realidade é mesmo a institucionalização de um campeonato da segunda divisão mais longo, com mais equipas e não apenas ao modo do actual \"Zonal de Apuramento\" onde as candidatas do Girabola, muitas d elas, ainda arrastam-se financeiramente. Avança ou não avança?

O \"produto\" Liga Nacional foi anunciado como sinal de que o \"menu\" competitivo ganharia outra vida, outra movimentação e competitividade, os mais variados agentes do futebol deram largas e fizeram figas para que as intenções da Federação Angolana de Futebol vingassem.

Não sei se estou a mudar de assunto, mas, é que, no que de facto a Liga diz respeito, quando os dirigentes publicitaram e propagandearam ao eleitorado do futebol que o país teria esta elite futebolística, os próprios clubes bateram palmas porque adivinhavam que, em parte, a locomotiva financeira do futebol angolano no capítulo de clubes podia \"emancipar-se\" com o pontapé de saída deste torneio profissional.

Com a ideia do nascimento da Liga, os clubes aceitariam que a resolução dos seus conflitos e a defesa dos seus interesses passaria a ter nova sede e outros protagonistas, que já não apenas por via da FAF, essa que, pelo contrário, continua a ser uma espécie de consagração do \"chefe máximo\" do futebol doméstico.

Se passarmos uma vista ao gráfico do programa em que sempre constou - e consta ainda nesse mandato de Artur Almeida - a criação da Liga estava concretamente prevista para o nível alto.Entre nós, estou recordado pressupunha-se que a teríamos já em 2006. O que deixou porém perplexo é o facto de que quase iniciativas nenhumas foram encetadas para que se tornasse realidade até agora. É certo que esse passo depende igualmente da estabilidade organizativa e financeira dos próprios clubes; depende da própria regularização e desenvolvimento económico do país. Mas ainda assim...

Quanto à estrutura do Campeonato Nacional de Futebol da II Divisão está na mesma bitola. A \"bola\" não andou de forma regular, safa-se com o curso da \"Segundona\", um torneio que, bem vista a coisa, pode estar já fora de moda, quanto mais não seja, com os escândalos que tem dado a ver.

São portanto estes dois itens - a Liga e o Nacional da II Divisão - que mais avultam; que mais saltaram à vista no capítulo da Actividade/Competição Masculina que têm sido prometidos em boa forma ao país, sem realidade prática! E se há esta dificuldade e, ainda por cima um Girabola ZAP sempre eivado de suspeitas de corrupção, como é que a base vai funcionar para termos boas equipas, bons jogadores?

Como é que funcionará, já agora também, a promessa de se obrigar que todos os clubes, reconhecidos como tal, da primeira e segunda divisões, a terem escalões de base, sobretudo de iniciados, Sub-17, Sub-17 e Sub-20? E como fica a obrigatoriedade a FAF fazer cumprir que todos os clubes tenham treinadores qualificados. Tudo, porém, ficou no papel? Só falei e perguntei tudo isto porque o Domant não se aguentará o GIrabola sem reclamação, para não falar já da Liga.
António Felix

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