Jornal dos Desportos

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Opinio

Proteger os talentos

20 de Maio, 2019
O Girabola encerrou ontem as cortinas, no meio de tanto barulho. Muitas abordagens terão lugar. É natural. É, aliás, tradicional fazer um rescaldo. Visitar todos os aspectos da competição.

O meu rescaldo dedico hoje aos jovens talentos o seu não acompanhamento, uma vez que chegas as equipas principais. Falo sobretudo nos grandes clubes, Petro ou 1º de Agosto. Os clubes de menor pressão tendencialmente são favoráveis, para os jogadores crescerem. Ou como dizemos no futebol: explodir. Lembro-me de Flávio Amado ter sido emprestado para a Académica do Lobito, antes de brilhar no Petro de Luanda e no Al Ahly do Egipto. Nos grandes clubes não há paciência com os jogadores. Flávio Amado conhece o que digo. No seu primeiro ano, sentiu na pele a pressão de mais de quinze milhões de adeptos do Al Ahly. Com força anímica que lhe caracteriza, venceu e chegou a melhor marcador daquele clube e da competição doméstica.

Assisto com muita preocupação a carreira de Carlinhos, Nelson Luz e outros que vão se mostrando. Gogoró talvez tenha sido igualmente vitima da grandeza do 1º de Agosto e do seu não acompanhamento psicológico. É imprescindível assistir os miúdos, sob pena de se perderem. Carlinhos, Nelson Luz, Vanilson, Mário, Zito e outros tantos jogadores jovens lançados nas principais equipas do Petro e o1º de Agosto, são grandes talentos.

Disso restam poucas dúvidas. A incerteza reside em saber se poderão brilhar conforme as previsões. Podemos ter outros Gelson, miúdo que se impôs e hoje tenta um lugar ao sol no futebol português?

Cada jogador é um jogador. Conheci muitos jogadores talentosos mas fracos mentalmente. Não aguentam a pressão. Avelino Lopes terá sido vítima disso mesmo no Al Ahly do Egipto. É preciso que os jogadores sejam assistidos, pelo menos nesta fase da sua carreira, por psicólogos. A pressão não surge apenas dos adeptos, mas também dos próprios colegas.

Li há dias uma declaração do central belga ao serviço do Manchester City, Kompany, que se manifestou chateado, porque um \"miúdo\", referia-se ao seu colega Sterling, lhe proibiu de rematar. É um caso de pressão interna a que estão sujeito os jogadores. Se a um mais velho acontece isso, quanto mais a um jovem. Os miúdos não raras vezes são pressionados pelos colegas adultos, uns tantos que actuam nas mesmas posições. Não basta lançar talentos, eles precisam de protecção contra a pressão interna e externa. Teixeira Cândido

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