Jornal dos Desportos

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Opinio

Pblico empurra cinco nacional ao Mundial da China

13 de Dezembro, 2018
A Selecção Nacional de Angola de Basquetebol vai fazer a oitava presença na mais alta roda do basquetebol Mundial, que a República Popular da China vai organizar em 2019. Mais uma vez, o público angolano foi determinante para a qualificação.
Entretanto, não sei se foi por estratégia da direção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB) ou foi por coincidência, o facto de Angola ter realizado a primeira e a última das cinco janelas, que davam acesso ao Mundial, foi determinante.
Nos últimos anos, mais precisamente desde 2011, Angola estava a perder terreno na hegemonia do basquetebol Africano, especialmente, para selecções como a Nigéria e a Tunísia, que venceram os dois dos últimos três campeonatos Africanos desde 2011.
Temos de reconhecer, que o actual momento menos bom da nossa seleção nacional a nível do continente, não se deve a um retrocesso de qualidade técnica dos nossos jogadores, mas por mérito das demais seleções Africanas, como as mencionadas acima, que se fartaram da “colonização” imposta por Angola no basquetebol Africano durante 22 anos.
Desde o Afrobasket de 2011, a Tunísia e a Nigéria, passaram a ver o Campeonato Africano com outros olhos. Aperceberam-se que é uma grande oportunidade dos respectivos países aparecerem na mais alta roda da modalidade a nível Mundial, como nos jogos Olímpicos e Mundiais.
Assim, com esta nova forma de encarar a prova, os jogadores profissionais dos países em referência e não só, que não valorizavam o campeonato Africano, começaram a participar. Daí, o elevado grau de dificuldades que o \"cinco\" nacional encontrou nos últimos sete anos.
E, não é para menos, formações como a tunisina, Nigéria, Senegal, República Centro Africana, Camarões e Egipto, além de estarem “unidas” contra Angola, possuem jogadores morfologicamente bem constituídos e com grandes margens de actuarem em campeonatos da Europa e mesmo na NBA, que é o mais bem disputado do Mundo.
Além desta realidade, países como, Moçambique, Cabo Verde, Gabão e outros, que até nos últimos sete ou mais anos eram consideradas animadoras de festa, hoje já batem o pé à nossa selecção, porque também evoluíram muito e têm jogadores a militarem em grandes campeonatos da Europa.
O mesmo não acontece com Angola. Neste momento, só temos dois jogadores de referência a evoluírem na Europa: Yanik Moreira, na Grécia, Carlos Morais, na Itália. Podemos ter mais um ou outro em Espanha. Mas é pouco.
Por isso, enquanto este quadro se manter, teremos muitas dificuldades em voltar a ter o domínio do basquetebol continental ou até mesmo, para ganhar um Campeonato Africano, porque além de estarmos na “alça” de mira de todas as selecções de África, ainda temos um grande handicap: falta de altura e robustez física.
Um grande exemplo disso, foi o que aconteceu no último Afrobasket disputado no Senegal, em 2017, em que nem chegamos ao pódium e até perdemos com Marrocos e o Senegal. A derrota de Angola, não foi só por culpa do treinador e muito menos pelo pouco tempo de preparação que tiveram. Foi mais, por causa do desnível de altura em relação aos adversários e por isso, perdemos os dois jogos na luta das tabelas.
Além disso, ainda temos mais dois adversários de vulto. Mário Palma, treinador da Tunísia e Lazare Andingonó, treinador do Petro de Luanda e da selecção dos Camarões. Mário Palma, conhece muito bem o basquetebol angolano, pois, foi um dos que deu a identidade e filosofia ao nosso basquetebol, ao lado de Vitorino Cunha e Wlademiro Romero.
Quanto ao treinador do Petro de Luanda, com a sua grande visão de jogo e inteligência, é um autentico “espião” e “plagiador” do nosso basquetebol e por via disso, a selecção do seu país está a crescer rapidamente a nível do continente e de certeza absoluta, que a curto prazo vão criar-nos muitos dissabores.
Portanto, o facto de Angola organizar a primeira e a última janela de apuramento, pode ser considerado uma grande estratégia por parte da direção da FAB, pois, permitiu iniciar e terminar a corrida para o Mundial em casa, diante do seu público, onde se a memória não me atraiçoa, Angola não perde nenhum jogo desde 1989 (?).
Mesmo diante do nosso público, que sabe contagiar os seus jogadores e adormecer os adversários, Angola viu-se e desejou-se para vencer os Camarões e a Tunísia. Por isso, os especialistas do basquetebol consideram que foi uma qualificação sofrível e que Angola devia ter feito mais.
Em minha opinião, mesmo a não ser um especialista nesta matéria, em função dos argumentos que acima apresentei, a qualificação de Angola não foi sofrível porque jogamos com grandes selecções, que têm jogadores de grande nível. Só jogamos o que a Tunísia e os Camarões permitiram.Assim, temos de ter bem em mente, que enquanto Angola continuar com os problemas que tem e viver apenas da capacidade natural dos seus jogadores, dificilmente volta a fazer a “banga” que fez, até à conquista do décimo título Africano.
Não nos esqueçamos, que nos dias de hoje, o basquetebol é para jogadores bem evoluídos técnica e fisicamente acima dos dois metros de altura. Não é em vão, que a NBA é a melhor liga do Mundo e por isso, os Estados Unidos da América ganham tudo e mais alguma coisa.
Agusto Fernandes

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