Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Punies adicionais

19 de Dezembro, 2019
O mundo do desporto regista inúmeros casos de jogadores que sofreram pesadas sansões para lá de cometerem determinada inflação e serem admoestados disciplinarmente, em função de uma reavaliação extra jogo, que ditaram sansões adicionantes, que podem ser interpretadas como agravantes, se comparadas com o que acontece na aplicação das normas do Direito, enquanto ciência.
Na arena internacional, as “mordidelas” de Luiz Suarez são, pela negativa, os melhores exemplos de punição extra campo que o mundo conhece, envolvendo jogadores de craveira mundial e reconhecidas qualidades técnicas que, infelizmente, ainda que seja circunstancial, contrastam com a conduta de boa educação, que se recomenda para todos, em tudo e por tudo.
A título de recordação, em 2014, a FIFA considerou que o referido atleta havia infligido o artigo 48º, parágrafo 1º, e o artigo 57º, por acto anti-desportivo, num jogo entre as Selecções do Uruguai e da Itália, em que o sul-americano mordeu o italiano, Giorgio Chiellini, e por isso, foi punido com nove jogos de suspensão. Como pena acessória, Suarez, foi proibido de frequentar qualquer estádio durante quatro meses e ainda teve de pagar uma multa de 110 mil francos suíços, actos que não mereceram quaisquer tipos de condescendências, pois em resumo se considerou a necessidade do valor educacional que as imagens dos actos em causa provocam à sociedade, sobretudo aos apreciadores do futebol.
A ficha de Suarez regista, igualmente, um caso em 2013, na condição de atleta do Liverpool da Inglaterra, protagonizou outra mordidela ao jogador sérvio ao serviço do Chelsea, Branislav Ivanovic, o que custou ao agora jogador do Barcelona, dez jogos de suspensão e o adjectivo de “atleta das reacções intempestivas”.
Como se não bastasse, em 2010, quando jogava pelo Ajax da Holanda, Luiz Suarez, atacou um adversário com os dentes, tendo sido punido com sete jogos de suspensão, situação encarada por muitos com surpresa, a considerar que era “um réu primário”, e por isso, merecia caridade, o que não ocorreu.
A nível interno, a “cuspidela” de Tony Cabaça a um jogador do Santa Rita de Cássia, no Girabola de 2017/18, comanda as estatísticas dos casos punidos para lá do cartão vermelho, que dita expulsão imediata do jogo e a ausência dos campos, de acordo aos regulamentos, quando aplicados em situações normais. Na altura, condenamos veementemente a acção irreflectida do jogador do 1º de Agosto e da Selecção Nacional, na mesma proporção que deixamos expresso o sentimento de cepticismo, em relação ao facto de o caso ter sido prontamente resolvido apenas pelo interesse desportivo ou se não terão sido movidas outras “palhas”, visando fins inconfessos!
Aqui chegados, e entrando mais ainda na razão objectiva deste artigo em que o Desporto é feito no texto, por aquilo que vamos observando, julgamos ser altura das instâncias de direito do desporto angolano, encararem com alguma seriedade e brevidade a necessidade de punições extras jogos, depois de revistas as imagens.
A guisa de exemplo, os disparates expressos por desportistas, facilmente compreendidos pela expressão facial, poderiam ser um bom começo para estancar este tipo de maus comportamentos, que têm influências negativas sobretudo nas crianças que assistem aos jogos por via da televisão, com todo o poder que o referido meio de comunicação tem.
No último fim-de-semana, por exemplo, houve uma situação em que um jogador do Académica do Lobito, no exercício de uma acção irreflectida, “agrediu” o avançado Leonel Yombi, ao serviço do 1º de Agosto, ante a passividade do árbitro, que não foi para lá da marcação da falta a favor da equipa do Lobito, que de facto precedeu ao facto narrado. E não colhe, na perspectiva do que aqui defendemos, o argumento de não estar em vigor o VAR que, como se sabe, é para situações pontuais do jogo, e o que pretendemos é para o período extra jogo, uma acção que pode estar sob alçada de uma comissão, chamem-na como quiserem, que vela pelos aspectos ético-morais, que ocorrem em determinados jogos e sejam passíveis de punições adicionais, até por que precisamos moralizar a sociedade angolana, em todos os aspectos.
CARLOS CALONGO

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