Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Qualificao e chicotada psicolgica

28 de Março, 2019
O último fim-de-semana foi, do ponto de vista desportivo, recheado de acontecimentos, sendo que o futebol mostrou, mais uma vez, a sua supremacia, e reforçou o adjectivo de ser o desporto-rei, de muitas emoções e paixões. A título de exemplo, o jogo de basquetebol entre 1º de Agosto e Petro de Luanda, que jogaram para a Afroliga em sénior masculino, foi relegado para segundo plano, face a disputa da partida derradeira dos Palancas Negras que, no Botswana, jogavam para o apuramento ao CAN de Junho próximo.
Os jogos acima referidos foram realizados na sexta-feira, 22, mesmo dia em que algumas horas antes, a versão Sub-23 dos Palancas Negras, perdia (1-3), em pleno Estádio 11 de Novembro, para a congénere sul-africana, em partida da primeira \"mão\" da penúltima eliminatória de acesso ao CAN\' 2019, a ser disputado em Novembro do ano corrente, no Egipto.
Apesar da “crença” que o técnico principal, Pedro Gonçalves, afirmou possuir para o encontro de resposta, disputado nesta terça-feira, nada passou disso mesmo, ou seja, discurso do líder, a considerar que os sul-africanos voltaram a derrotar os “nossos miúdos”, (3-0), que assim ficaram igualmente arredados de participar nos Jogos Olímpicos de 2020, no Japão, uma vez que a prova do Egipto é qualificativa à maior cimeira do desporto mundial.
Atribuímos, portanto, nota positiva à selecção principal que, no mesmo dia, alcançou o apuramento para o CAN de 2019, terminando no primeiro lugar no Grupo I com 12 pontos, isto após o triunfo por 1-0 na deslocação ao Botswana com golo apontado pelo avançado Wilson Eduardo, jogador do Sporting de Braga, que se estreou com a camisola dos Palancas Negras, da forma que todos gostariam.
A considerar que a vitória e consequente apuramento foram o melhor que aconteceu, apraz-nos apelar alguma prudência por parte de todos, no sentido de não fazermos, da vitória em referência, a verdade absoluta de que o nosso futebol está relançado no caminho desejado.
Assim escrevemos, pois, nada foi para além de uma vitória à que nos obrigávamos, até porque o Botswana não é do campeonato de Angola, - entenda-se a gíria desportiva -, sendo maior o que ainda há por fazer, para que o futebol angolano esteja ao nível das Nações mais fortes e bem cotadas do continente africano.
Aqui chegados, e como bons cidadãos, saudamos a proeza, e encorajamos todos os actores directos e indirectos da epopeia, a arregaçarem mangas, quanto antes, para termos uma participação auspiciosa no Campeonato Africano das Nações, que será disputado em Junho do ano corrente, no Egipto.
Entretanto, a nota negativa do fim-de-semana em abordagem vai para a direcção do Petro de Luanda, que rescindiu o vínculo contratual com o técnico Beto Bianchi, facto que deveu-se a “questões de segurança, já que o treinador tem sido alegadamente ameaçado por adeptos do clube “tricolor”
Sem tergiversar, assumimos que os argumentos da direcção do Petro de Luanda não convencem nem já o mais leigo em matéria desportiva. Porquanto, é de todo sabido que, Beto Bianchi, contratado em Novembro de 2015, tinha a missão de devolver a mística do clube que, neste espaço de tempo, conquistou apenas uma Taça de Angola, em 2017, tendo se especializado na conquista do segundo lugar, posto ocupado em 2016, 2017 e 2018.
Mais do que um discurso marginal das reais motivações do despedimento, à direcção do Petro de Luanda, se calhar, terá escapado o pormenor de que as razões evocadas podem suscitar a entrada em cena do SIC ou PGR, considerando que nas entrelinhas das “questões de segurança”, subjazem indícios de crime.
E mais do que isso, passa-se a mensagem negativa e falsa de que os adeptos angolanos são vândalos e isso pode beliscar não só a imagem isolada do Petro Atlético, enquanto clube, mas de toda a nação angolana de quem, verdade seja dita, os cidadãos, com as excepções à regra, são catalogados de um povo pacato, cordato e, acima de tudo, hospitaleiro.
Para dizer que, mais uma vez, o défice a nível da comunicação institucional do Petro de Luanda esteve em evidência, deixando aberta a necessidade e urgência de se prover a referida área com quem entende do ofício. Carlos Calongo


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