Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quando se investe bem na formao

28 de Outubro, 2019
Este texto podia servir para celebrar a vitória conseguida pelos Palanquinhas no Mundial de sub-17 que decorre no Brasil. Mas não é. Podia ser, pois é mais uma vitória do futebol nacional num mundial, depois de duas participações, em Sub-20 e seniores. A razão do texto é para festejar mais os frutos que a formação tem vindo a oferecer. Não me canso de repetir. Os clubes, com recursos, se fizessem setenta por cento do que o 1°de Agosto e a Academia de Futebol de Angola têm vindo a fazer, sem dúvidas dentro de uma década estaríamos próximos dos melhores clubes africanos, como o Ghana e a Nigéria. Está última é simplesmente hepta campeã mundial da categoria. Não há milagres no futebol nem sorte. Há antes de tudo muito trabalho. Um trabalho que pressupõe ter condições de infraestruturas assim como ter os melhores treinadores. Ganha-se o triplo. Primeiro, os clubes passam a gastar menos na contratação. Segundo passam a ter hipóteses de vender e numa única venda o clube pode arrecadar milhões e milhões investidos durante anos. Terceiro, os resultados desportivos tendencialmente são bons. Gastar para contratar jogador, como muitos clubes têm vindo a fazer, pode ser dez vezes mais caro do que formar dois excelentes jogadores. Esta foi sempre a filosofia do nosso basquetebol. Infelizmente, a febre da contratação por contratação, característica do futebol doméstico nas últimas duas décadas, chegou lá de maneira mais severa possível, de sorte que os melhores, os imprescindíveis chegam a ser estrangeiros. Quem diria? Como estará Romero a assistir tudo isso lá onde está. Não sei qual tem sido o sofrimento do Victorino Cunha. Sinto na cara do Mário Palma está dor, quando assiste prestações desastrosas de Angola, mesmo enquanto adversário. Talvez não diga muito, mas seguramente sabe que Angola está a fugir da filosofia vitoriosa. É o preço de se ter vice-presidente nos clubes que só pensam em vitórias e a qualquer custo. Faltou durante anos a estes vices, dos dois maiores clubes, o respeito pela tradição do basquetebol. A par desse desrespeito, a mudança sistemática de treinadores alguns dos quais ou maioria sem compromisso com formação. De tudo, resultou o que vimos assistindo. O futebol, está a fazer percurso inverso. E ainda bem. Só precisa haver mais do que um clube a fazer o mesmo. E há muitos com possibilidades para o fazerem.
Teixeira Cândido

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