Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quando a onda leva um camaro acordado!

24 de Setembro, 2018
No penúltimo final de semana do mês de Julho, desloquei-me propositadamente àquela que é considerada a nova catedral do futebol nacional, o Estádio 11 de Novembro, para assistir ao jogo entre o Petro de Luanda e o 1º de Agosto, com a vitória a sorrir para a formação do Rio-Seco, por duas bolas sem resposta. Enquanto assistia à partida de futebol, dei por mim a reparar naquilo que no meu entender tem levado a perda considerável do número de espectadores a assistir aquele que é considerado desde o período pós-independência da história do país, o nosso \"El Clássico\"! Creio que, não estando taxativamente certo, o número de público presente não passava as mais de dez mil pessoas sentadas ou em pé nas bancadas, sendo que, ao que se sabia a princípio, era um daqueles jogos que tinha todos os ingredientes para apontar quem estaria em melhores condições para arrebatar o título do Girabola Zap da presente edição, a julgar, sobretudo, pela excelente época desportiva, em termos de emoção e não muito de qualidade, os dois arquivais apresentaram. Mas afinal, o que tem faltado para que o número de público nos estádios de futebol, vem a ser maior, do que aqueles que presenciávamos, quando os jogos entre Petro de Luanda e 1º de Agosto eram disputados ora no estádio da Cidadela, ora no estádio dos Coqueiros?Se é verdade que os tempos mudam, e a vida não pára, os motivos nunca deixarão de ser vários, mas nos tempos de hoje, o principal parece-me ser aquilo que é um dos conceitos-chaves do desporto nos tempos de hoje: o entretenimento. Ou seja, a capacidade de podermos proporcionar uma experiência fantástica aos milhares de pessoas que se deslocam a um estádio de futebol. É claro que este tipo de entretenimento a me que refiro pode e deve ser proporcionado pelos artistas da bola que se movimentam dentro das quatro linhas, mas como sabemos, isso nem sempre acontece. Quantas vezes ouvimos de pessoas próximas ou anónimas que, logo após saírem de um jogo do Girabola-Zap, chegam a dizer: \"afinal para quê que vim assistir a este jogo, mais-valia ter ficado em casa\", ou \"devia ter gasto o dinheiro na companhia de uns amigos\"? Parece-me que, principalmente, para os jogos Petro de Luanda e 1º de Agosto, o foco está demasiado virado para a promoção do jogo em si e não tanto de tudo o que se passa à volta do mesmo. Ora, se nós não controlamos o nosso \"core product\" - o jogo, isto é, não controlamos a performance dos artistas da bola ou as condições climatéricas que se vão fazer sentir no jogo... então o melhor é focarmo-nos nas extensões deste produto. E parece-me ser nestas extensões que os departamentos de marketing e comunicação, quer do Petro de Luanda, quer do 1º de Agosto, podem e devem se focar para mudar para melhor a forma de atrair o público aos estádios de futebol. Além disso, se analisarmos a forma como o Petro de Luanda e o 1º de Agosto comunicam nas suas plataformas digitais com as suas massas associativas e as suas claques que deslocam aos estádios, nós que somos especialistas em marketing desportivo, percebemos logo que a mesma está marcada por uma grande \"unidireccionalidade\", ou seja, são poucas vezes dadas oportunidades aos fãs de brilharem, de serem ouvidos, de realmente sentirem que fazem parte do clube. Os nossos clubes não se abrem muito para \"fora\" e, talvez com isso, estejam a perder o comboio onde estão os sócios e adeptos do futuro. Refiro-me aos mais jovens, também virtualmente conhecidos como os das gerações Y (a geração da Internet) e Z (a geração das redes sociais) que estão habituados a ser ouvidos pelas marcas, a terem opinião e a terem acesso aos bastidores. Muito mais poderia ter dito. Contudo, as minhas sugestões não se esgotam por aqui. Por isso fica registada a promessa, de em artigos futuros continuara abordagem a volta desde importante e hipotético assunto!
*Mentor e Gestor Executivo
do Fórum Marketing Desportivo
Zongo Fernando dos Santos


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