Jornal dos Desportos

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Opinio

Quando algum v fantasmas

04 de Março, 2016
Não se apresenta justo, digno e coerente, alguns dirigentes federativos, clubes, treinadores, atletas e outros fazedores directos e indirectos do fenómeno desportivo, rebelarem-se contra os membros da imprensa (jornalistas e comentadores), de forma verbal, por vezes, chegando a “vias de facto”, porque acham que estes, no exercício da sua função, falaram ou escreveram contra si, ou algum membro do seu núcleo familiar.

Nesta fase, em pleno século XXI, em que a ciência das tecnologias de informação, conhece um crescimento acentuado, com a possibilidade de os prevaricadores serem identificados em tempo record, e em que alguns dirigentes governamentais, partidários, sindicais e de diversas organizações e associações, apregoam aos quatro ventos, estarem dispostos a colaborar com os órgãos de comunicação social, principalmente no que concerne ao acesso às fontes de informação, ainda se registam algumas “picuinhas” por parte de determinados detentores de informação de interesse geral, que por vezes, numa manifestação de total desrespeito, colocam o público em plano secundário.

São bastantes os casos em que profissionais da comunicação social são vilipendiados por fazedores do desporto, em termos e formas que ultrapassam os princípios da boa educação, não só verbal e fisicamente, como por intermédio das redes sociais, agora muito em voga e a mão de semear. Depois de num período de tempo não muito distante, tais episódios terem ocorrido em algumas provinciais do interior do país, assim como em Luanda, aconteceu na semana passada, com os comentadores da TPA (Televisão Pública de Angola), António Alegre (futebol) e Baptista Moscavide (basquetebol).

O primeiro foi alvo de ofensas e insultos de baixo calibre, por intermédio das redes sociais, proferidos pelo vice-presidente do Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola (CCAFA), Belmiro Carmelino, que numa manifestação pura de nepotismo e protencionismo, utilizou tais ferramentas, em defesa do seu filho, também árbitro e seu subordinado, Ailton Carmelino, pelo facto de o comentador, no decurso das suas funções, se ter manifestado e argumentado contra uma decisão do árbitro, num determinado jogo para o Girabola-Zap.

Baptista Moscavide, foi agredido verbalmente, pelo pai do atleta Yanik Moreira, que depois de algumas tentativas em ingressar no basquetebol norte-americano (NBA), europeu e em algumas equipas angolanas, se converteu no mais recente reforço do Petro de Luanda. É de se levar em consideração que o percurso histórico de Baptista Moscavide, enquanto atleta, treinador, dirigente e agora comentador, está ligado a história do basquetebol angolano, não fosse ele também um dos principais impulsionadores da massificação e desenvolvimento da modalidade, no período pós-Independência Nacional, que como se sabe, aconteceu em 11 de Novembro de 1975.

Os seus pronunciamentos, quer em público como em meios restritos, traduzem-se na transmissão de conhecimentos aos homens e mulheres de todas as idades. Yanik Moreira, de 2 metros e 11 centímetros de altura, apesar de fazer parte do lote de atletas da Selecção Nacional, que por via dos seus doze títulos continentais, alguns segundos e terceiros lugares, detém a hegemonia em África, tem que fazer por demonstrar as suas capacidades técnicas, ao nível da competição interna, onde ainda é um total desconhecido.

É verdade que tal como existem dirigentes, árbitros, treinadores, atletas e outros profissionais, bons e maus, o mesmo acontece com os profissionais da comunicação social. É de realçar que existem falhas ou erros, muitas vezes cometidas de forma intencional, mas é de convir que um erro/falha, não justificam o cometimento de outras.

Para avivar as suas memórias, as pessoas que se acharem prejudicadas por algum repórter ao serviço de determinado órgão de comunicação social, devem valer-se das ferramentas que a Constituição lhes concede. Podem socorrer-se do Conselho Nacional de Comunicação Social, órgão independente que possui a competência jurídico-legal para se debruçarem e decidirem sobre esse tipo de “casos”.

De igual modo, podem recorrer a administração do órgão em que o “prevaricador” funciona, que possuem gabinetes jurídicos e do contencioso, vocacionados para tratarem de assuntos do género. Outrossim, podem também valer-se das instituições judiciais e policiais do Governo de Angola. Por isso, não é justo que alguns detentores de informação de interesse geral que se acham “prejudicados” em função de qualquer matéria publicada, se neguem a prestar informações, prejudicando assim, os leitores, telespectadores e ouvintes.
Leonel Libório

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