Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quando falta a exausto

27 de Fevereiro, 2020
Caso existam, são poucas as dúvidas que, em termos de investimentos, sobretudo financeiros e em infra-estruturas, o 1º de Agosto não seja o Clube angolano que mais investiu, e fruto da referida política de investimento, os títulos conquistados em várias modalidades, com destaque para o futebol, que é tão-somente o desporto rei.
Como natural, os louros vão sempre para o “number one”, que para este entendimento é o Presidente do Clube, Carlos Hendrick, sem demérito para os demais colaboradores, que no fundo são os “operários” que colocam a máquina em funcionamento e permitem a colecção de títulos.
Cada um com o seu valor e prestação, todos são importantes no exercício das competência que possuem, pelas quais devem ser instados a participar e não assistir a caravana a passar, para que no final a taça de celebração seja erguida por todos, com o mesmo sentimento de alegria e pertença.
E por que todos gostam de ganhar, devem estar ampla e profundamente engajados, de corpo e alma, nos projectos para os quais são convidados.
Aliás, é isso que deve ter motivado os obreiros do processo do regresso aos títulos da equipa principal de futebol do 1º de Agosto, dos quais os expoentes máximos são Ary Papel, Gelson Dala, Bwá, e outros que a memória adulta já não ajuda tanto a recordar, sendo o mais importante a realidade dos quatro títulos consecutivos que os militares têm.
Entretanto, e no espírito de quem ganha um dia quer sempre ganhar, o objectivo principal dos militares está focado na conquista do penta, cuja concretização divide os adeptos, sobretudo pelos resultados menos conseguidos nos últimos jogos, em que viu perder a liderança para o eterno rival.
A considerar que o Clube Central das Forças Armadas, até duas jornadas atrás, dependia apenas de si para conseguir tão almejado e perseguido penta, nesta altura existem razões suficientes por parte de quem opta por uma postura de cepticismo, em relação a possibilidade de ser conquistado o referido quinto título consecutivo.
Então, o que estará a faltar aos militares do Rio Seco para a referida conquista, até quando se sabe que têm jogadores com qualidade técnica acima da média e porem, a qualquer altura fazer a diferença, se forem chamados a puxar dos galões para desfeitear o oponente?
É na questão acima colocada que reside o fulcro desta abordagem, e a resposta ao que falta aos jogadores do 1º de Agosto é jogar até a exaustão, definida como acabamento, esgotamento, estado de elevado cansaço físico ou mental, consumo ou utilização por inteiro de algo.
Ou seja, os jogadores do 1º de Agosto, e estendemos a questão para os das demais equipas, dificilmente atingem o limite das suas capacidades, daí que quase não se registam “remontadas” nos resultados e, mais do que isso, quase que não se marcam golos em tempo de compensação.
De modo geral, os jogadores, com raras excepções, desistem cedo das jogadas e dos jogos, denotando algum desinteresse pelo que ele deve representar para o clube, que é a entidade patronal e que a meu ver deve preocupar-se mais com a questão da avaliação do desempenho, para elaborar as empreitadas seguintes.
Exemplo contrário do que acima se diz e pela positiva, claro, é observado com na Liga Inglesa, também conhecida por Primeira Liga, em que na verdade os jogos só terminam quando o árbitro apita pela última vez, e pouco ou nada se resista em caídas típicas de queima de tempo como as habituais em Angola.
No 1º de Agosto, de um tempo a esta parte, tenho acompanhado com particular atenção, o pouco empenho de Ari Papel, por sinal um dos jogadores de quem se espera sempre um
coelho da cartola, sendo este o motivo que, talvez, faça com que o treinador insista em o colocar no onze, quando há evidência mil, do seu não envolvimento até a exaustão.
Em sentido contrário, reparem no desempenho de Bobó. Parece ser o único que gosta de ganhar e, com isso, usufruir dos benefícios, sendo dos poucos jogadores do Girabola que joga até a exaustão, coisa que é fundamental para se conquistarem as vitórias que alegram os adeptos e conduzem às conquistas dos títulos Carlos Calongo

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