Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quando Muandumba viajou para a Espanha

14 de Janeiro, 2019
Sinceramente, continuo a aguardar até hoje, quando e como é que Angola vai beneficiar, em termos práticos, da experiência e avanços que o Reino da Espanha possui nos mais diversos domínios da actividade desportiva.
Não estou hoje aqui a levantar \"fantasmas\" por tocar nesta questão. Faço-o, só e apenas, porque o nosso Estado, o nosso Governo, o nosso Ministério da Juventude e Desportos, chegou a gastar uma pipa de dinheiro, quando, há poucos anos, chegou a enviar para aquele Reino uma incomensurável delegação multi-sectorial para aquele fim; de boas intenções.
Na altura, ficou atestado e assinado um protocolo de cooperação em Madrid. Foram signatários o então ministro angolano da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba (Angola), e o Presidente do Conselho Superior dos Desportos, Miguel Cardenal (Espanha).
O que se disse e justificou, antes e depois daquela milionária visita, é que, nos últimos tempos, a Espanha tem subido muito à escala mundial em termos desportivos, daí a oportunidade e vantagem do protocolo rubricado no campo desportivo-competitivo. Isto é indesmentível, sobretudo, a nível do futebol e basquetebol.
Por esta razão houve, inclusive, a identificação nas disciplinas desportivas que em Angola carecem de mais imputes da experiência espanhola, designadamente, o atletismo, andebol, basquetebol, futebol e desportos náuticos.
Lembro-me, também, que num plano mais amplo, a cooperação com a Espanha ficou de ser estendida para o domínio institucional: organização de eventos, manutenção e gestão de instalações desportivas, bibliografia desportiva, patrocínios e lei do mecenato, programas de apoio e fomento do desporto adaptado, protecção a jovens desportistas, indústria de material e equipamento desportivo.
Hoje, apenas constato a aprovação da Lei do Mecenato. Não se disse se a Espanha teve nela impressões digitais. No desporto adaptado, Angola é campeã mundial de futebol de muletas, mas na certa é-o por mérito próprio, isto é, sem os imputes da Espanha, onde se foi gastar rios de dinheiro.
O protocolo tinha outras boas intenções. Teóricas certamente. Contemplava, também para recordar, relações no domínio da ciência e tecnologia aplicadas ao desporto, formação e intercâmbio de programas relativos ao ensino, desenvolvimento dos currículos desportivos, metodologias de treino, gestão e administração desportiva, direito desportivo, medicina do desporto, luta contra o doping, mulher e desporto.
Eu pergunto hoje, aqui e agora: os custos do programa dessa cooperação seriam assumidos pelos signatários, de acordo com a legislação vigente e condicionados às disponibilidades do orçamento anual dos respectivos países, por via de programas com benefícios recíprocos, assentes no entendimento mútuo aos princípios do \"fair- play\", da ética desportiva e da carta olímpica, o que falta então para os benefícios estarem à vista de toda a nossa sociedade desportiva e não só?Pelo facto de, até, a referida caravana ter integrado elementos da nossa casta futebolística ao mais alto nível, eu particularmente cheguei a sonhar com o ensinamento do futebol espanhol, para Angola ter um bom padrão. Uma das melhores Ligas do Mundo é a Espanhola e a Angola e a sua Federação poderiam beber da experiência, em vez de ter-se recorrido agora a Portugal.
Digo sito, porque o anterior presidente da Federação Angolana de Futebol, Pedro Neto, que teve o privilégio de integrar a tal comitiva de Gonçalves Muandumba, chegou a dizer que o seu órgão pretendia colher bons resultados do acordo assinado com a sua congénere espanhola.
Mais uma pergunta: se o então director para política desportiva do Ministério da Juventude e Desportos, António Gomes, particularizou, na altura, que a assinatura do acordo com a Espanha permitiria maior desenvolvimento do desporto nacional, será que as pastas com estas intenções foram passadas para a actual ministra Ana Paula Sacramento e seus pares?
É claro que, antes desta ministra, pelo pelouro já passou o seu antecessor Albino da Conceição, que rendeu Gonçalves Maundumba. De Albino a ministra recebeu a \"pasta\" daquela \"missão\" à Espanha?...Aqueles que viajaram na comitiva, estando ou não hoje à testa de instituições desportivas, deviam ainda ser chamados a enumerar o conjunto de atractivos que, de Espanha, poderiam ajudar a melhorar o nosso desporto. Ainda vai-se a tempo!
ANTÓNIO FÉLIX

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