Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quando o pas no aproveita

23 de Outubro, 2015
Numa sociedade desportiva como a angolana, onde no meio de muitas coisas positivas e ganhos, algumas menos boas vão surgindo, eis que para o gáudio e orgulho dos angolanos, somos surpreendidos por acontecimentos que são de louvar, protagonizados por jovens e não só, dignos de realce que merecem o reconhecimento de todos.

O treinador angolano, David Dias, a residir em Manchester (Reino Unido), que em Angola, efectuou um trabalho digno de realce, nos seniores do Recreativo da Caála, Santos FC e Progresso Sambizanga, é um dos cinco técnicos escolhidos pela Federação do Quénia, para descobrir e formar jovens talentos, em alguns centros urbanos daquele país.

O projecto engloba vários aspectos de índole social e desportiva, sendo o de maior prospecção levado a cabo naquele país, numa perspectiva de futuro, que se enquadra nos planos de desenvolvimento desportivo queniano, cujo futebol, como modalidade rainha e que movimenta o maior número de atletas, público e meios, não se tem afirmado no contexto continental, tanto a nível de secções nacionais, como de clubes. A descoberta, lapidação e formação de um atleta, em obediência aos métodos científicos, demora entre oito à dez anos.

São gestos como o que se está em presença, levados a cabo, principalmente por jovens, quer no interior, como no exterior do país, que longe de servirem de orgulho aos angolanos, devem servir de fonte de inspiração para que o futebol nos escalões etários, continue a beneficiar cada vez mais, de projectos sérios.

Em Angola, de um tempo a esta parte, embora não sendo com a dimensão ideal, dada a sua extensão territorial e densidade populacional, nota-se o surgimento de cada vez mais instituições vocacionadas para os escalões de formação, como é o caso da AFA (Academia de Futebol de Angola), Academia do 1º de Agosto, Academia do Interclube de Angola, Escolas do Petro de Luanda, Progresso Sambizanga, Rasgado (Benguela), “Ti” Nandinho, assim como o ressurgimento, em Janeiro próximo, da Escola Norberto de Castro (Viana), entre outras, cujos projectos, assentes em bases científicas e que beneficiam de suportes de apoio técnico e material, têm “pernas para andar”.

David Dias, que possui formação de treinador do grupo C, da UEFA (União Europeia de Futebol), obtido em Londres, esteve a frente da equipa do Recreativo da Caála, na sua melhor época, em 2010, clube do qual foi despedido pelo então presidente de direcção, Horácio Mosquito, por não concordar com ingerência no seu trabalho por parte de “estranhos”.

Em 2013, foi criticado publicamente, num canal de televisão, pelo presidente do Progresso Sambizanga, Paixão Júnior, quando este afirmou que “não possui braço para dirigir o balneário”.

Para além do trabalho individual que vai efectuar, o qual vai aumentar pontos no seu currículo pessoal, tem tudo para deixar vincado, pela positiva, o bom nome de Angola, além-fronteiras.

Neste diapasão, é de realçar o facto de outros angolanos, na condição de treinadores de diversas modalidades, também mostrarem o seu valor fora de Angola, como são os casos de Vivaldo Eduardo, várias vezes campeão africano de clubes pelo Petro de Luanda e pela Selecção Nacional feminina de andebol, que recentemente orientou a selecção da República do Congo e do antigo seleccionador nacional de futebol, Lito Vidigal, que em Portugal, orienta equipas da principal liga.
Leonel Libório

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