Jornal dos Desportos

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Opinio

Quando o preparador vive abaixo de Co

08 de Outubro, 2018
Confesso, que não é rir da desgraça alheia, como se diz, não é fazer chacota da vida de outrem, porém, quando o nosso repórter Valódia Kambata nos trouxe ontem a matéria para hoje, na página sete darmos a ler aos nossos leitores, a minha tristeza foi enorme.
Senão, avaliemos só a angustia manifestada pelo preparador físico Eduardo Ramom, que esteve ao serviço do Kabuscorp do Palanca, que ainda hoje, vergonhosamente, não paga os seus salários.
\"Neste momento, estou a viver pior que um cão. Devo dois meses de renda de casa. Eu pergunto: como pode o presidente dizer que todas as dívidas estão pagas?\", lamentou.
Eu acho, por isso, que o presidente de direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF), Artur Almeida, não pode considerar, apenas, que é pouca a quantia de 25 milhões de kwanzas, que o Governo - através do Ministério da Juventude e Desportos - cedeu, para cobrir as despesas das selecções nacionais, em todos escalões, nas competições em que estão envolvidas e outros afazeres.
À Federação Angolana de Futebol não basta, igualmente, defender só a sua \"dama\", no sentido de que deve ser contemplada, no mínimo, com 550 milhões de kwanzas. Nem sequer adianta apressadamente lamentar que além dos valores acima referidos... só recebeu 100 milhões de kwanzas, \"a chorar\" que é reduzido para cobrir as despesas correntes da Federação, como o pagamento de salários dos funcionários.
Claro que, como alguém disse, quem tem dinheiro canta como Pavaroti, mas há humanamente factos tão evidentes que a Federação não pode fingir que não vê, ou que se vê, adverte, apenas, verbalmente, os incumpridores e na prática nada faz.
Por exemplo, há um conjunto de cobranças que por estes dias suscita a Federação Angolana de Futebol a pressionar os clubes que têm incumprimentos contratuais com atletas e treinadores, cujos casos - vejam a pouca vergonha, meus senhores ! - foram remetidos pelos lesados à FIFA.
Esta pressão deve ir até quando? Vai tolerar promessas de incumprimentos? Já ouvi o presidente do Conselho de Disciplina da FAF, José Carlos Miguel dizer certa vez que a Federação Internacional de Futebol tem recebido, ultimamente, muitas queixas de atletas, treinadores e dirigentes, o que pode fazer com que Angola deixe de participar em provas oficiais de carácter africano e mundial.
Isto, repito, é uma vergonha. O Conselho Técnico Desportivo da Federação Angolana de Futebol sabe que a FIFA coloca a FAF sob o risco de sofrer sanções. Isso, se acontecer, é porque a FAF não tem punho, não tem autoridade!
A postura repudiante das equipas do Kabuscorp do Palanca, liderada pelo suposto abastado empresário e político, Bento Kangamba, e do mítico Progresso do Sambizanga, dirigido pelo ex- governador do Banco de Poupança e Crédito (BPC), Paixão Júnior, que não pagaram as dívidas cobradas ainda por antigos jogadores, obrigou a Federação Internacional de Futebol a sancionar, e por essa razão, fazer com que a Federação Angolana de Futebol passasse a pressionar mais intensamente todos os clubes, a honrarem os acordos, compromissos e contratos financeiros com atletas, treinadores e dirigentes.
O Progresso do Sambizanga, no último Girabola conquistado pelo 1º de Agosto, perdeu seis pontos devido à existência de pagamentos em atraso, ao ex-atleta Raphael Kwaku Obeng, do Ghana, de acordo com um Comunicado da FAF, em cumprimento de uma orientação da FIFA.
É público e notório que o Kabuscorp do Palanca também foi punido com a retirada de 12 pontos, devido a pagamentos em atraso ao ex-jogador brasileiro Rivaldo, que representou o clube em 2011, bem como à equipa do TP Mazembe, da RDC, no âmbito da contratação de Tresor Mputo Mabi, em 2013.
O defesa central, Marlon Coleti, jogador brasileiro que representou o FC de Cabinda na época 2011 e 2012, exige ainda, a partir do Brasil, que a direcção do FC de Cabinda pague uma dívida de nove milhões de kwanzas que correspondem a 40 mil dólares, referentes aos salários em atraso, prémios de jogos e contrato de trabalho.
É muita vergonha que a FAF deve ( e pode) evitar! Está em agenda o arranque da nova época, dormirá na promessa dos clubes e deixar os jogadores a vegetar no sonho?
António Félix

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