Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quando o trabalho srio

20 de Maio, 2016
A julgar pelo trabalho que começou a ser desenvolvido com mais seriedade nas camadas de formação, por alguns clubes, núcleos e academias, cujos resultados, embora de forma ténue, começam a ser visíveis, o futebol de Angola tem tudo para nos próximos três/quatro anos, alcançar maior protagonismo, em África, principalmente na área geograficamente situada ao sul do deserto do Sahara.

Não obstante a Federação Angolana de Futebol (FAF), ter permitido a inscrição de cinco atletas estrangeiros, com a possibilidade de jogarem em simultâneo, num só jogo, no Girabola-Zap que decorre, é notório o facto de muitas equipas, incluindo as que beneficiam de maiores orçamentos financeiros, terem apresentado, não só bastante “prata da casa”, como lançaram uma quantidade assinalável de jovens provenientes dos juniores. É um bom indicador, porquanto vai permitir aos jovens, que fundamentalmente nos sub-20 se viam impossibilitados de o fazerem, mostrarem as suas capacidades de interpretação dos conceitos técnicos.

O programa “os Putos no Girabola” da Rádio “5”, constituiu-se num parceiro dos desportistas nacionais, ao passar informações detalhadas sobre a participação dos “putos” na maior competição futebolística nacional. Destacamos apenas, como exemplo de um trabalho efectuado com base na cientificidade, que Gelson e Ary Papel, as principais referências do momento, fazem parte de uma preie de atletas de eleição no clube militar, que começou com Nelito Kwanza, Miúdo Neto, Assis, Stopirrá.

Para os lados do ex RI-20, começa a ser bastante falado, o nome do jovem Nelson da Luz, que completou dezoito anos de idade, recentemente, como um dos possíveis substitutos de Gelson ou Ary Papel, que na próxima época deverão ingressar no futebol europeu. No Petro de Luanda, um dos clubes que mais forneceu atletas formados na sua “cantera” (Luizinho, Paulão, Bondunha, Teófilo, etc), o destaque recai para Diógenes e Carlinhos, ao passo que na Académica do Lobito, Xabalala, de apenas 17 anos de idade, está a mostrar no meio dos “kotas”, a arte de bem tratar a bola.

Os resultados que começam a emergir na Academia de Futebol de Angola (AFA), Real Sambila, Progresso Sambizanga, Académica do Lobito, 1º de Agosto, Petro de Luanda, ASA, Núcleo da Escola Norberto de Castro no Huambo, Interclube de Angola, aos quais se juntam o Petro do Huambo, Porcelana do Cuanza-Norte, e “Ti Nandinho”, entre outros, que arrancaram igualmente com o trabalho ao nível dos escalões etários, oferecem indicadores que permitem auferir que tais pressupostos, são passíveis de se tornarem realidade.

Dessa forma, é necessário que os projectos que agora começam a dar frutos, sejam alvo de continuidade, devendo servir de incentivo aos demais clubes e associações, como forma de melhorar a prestação das selecções nacionais nas competições em que estiverem engajadas, assim como para inferir maior responsabilidade a todos quanto estejam ligados a área de formação e massificação desportiva, no caso do futebol.

Nunca é demais referir que o trabalho que começa a gora a surtir efeito, é o reflexo de que os escalões de formação, no âmbito da pirâmide desportiva, devem merecer a devida atenção e apoio, o que em Angola, reconheça-se, nem sempre acontece. Ao invés do que constitui realidade em Angola, as entidades de direito, devem das mais variadas formas, fazer com que os clubes possuam os escalões de formação, em políticas articuladas com a federação angolana da modalidade e com o desporto escolar.
Leonel Libório

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