Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quando o treinador mantido

07 de Setembro, 2013
Na realidade, o fundamental desta abordagem é mesmo um assunto doméstico, mas faz-se necessária a presença de referências de outras paragens para permitir que os leitores tirem as melhores ilações sobre o que mais adiante vamos falar.

Nesta direcção, começamos por falar de Alex Ferguson, cuja história da ligação com o Manchester United começou no dia 6 de Novembro de 1986, desembarcando em Old Trafford com a preocupação de acabar com o jejum de títulos ingleses que já durava 19 anos, assim como disciplinar a vida de jogadores como Bryan Robson e Norman Whiteside que eram excessivamente dados ao consumo de bebidas alcoólicas.

Até à chegada de Ferguson, o Manchester United tinha apenas sete títulos ingleses enquanto o seu maior rival, o Liverpool, tinha 18 conquistas.

Em 1993, a história começou a mudar, quando o United venceu a Premier League, sendo que nos 20 anos seguintes, conquistou 13 títulos nacionais e colocou os Red Devils como o “novo dono” da hegemonia na Inglaterra, ultrapassando os 18 do Liverpool, que não vence o campeonato nacional há 23 anos.
Estas conquistas representam razões suficientes para a manutenção do técnico, independentemente dos anos em que o Manchester United não ganhou o campeonato, a exemplo das épocas em que o Chelsea e o Manchester City se “intrometeram” na disputa dos colossos ingleses.

Em relação ao francês Arséne Wenger que está no Arsenal desde 1996, 17 anos, há que referir que o treinador conquistou o campeonato inglês nas épocas de 97/98, 2001/2002 e 2002/2003, assim como a Taça da Inglaterra nas mesmas épocas, com acréscimo da época 2004/2005, além da Super Taça nos anos de 1998, 1999, 2002 e 2004.

De lá para cá, o Arsenal observa um “jejum” em conquistas de títulos, qualquer coisa como sete épocas, algo que, no quadro da “lei” segundo a qual os treinadores vivem de títulos, é preocupante e difícil de compreender a manutenção de Wenger.

Contudo, torna-se algo compreensível a partir do momento em que o seu desempenho reflecte a devolução da glória e o prestígio ao lendário Arsenal, seduzindo torcedores e os críticos que então apelidavam o jogo dos gunners de “futebol sem chama” ou “futebol enfadonho”, conforme se ouvia nas bancadas, antes da sua chegada ao clube.

A presença quase permanente do clube nas competições da UEFA, com todos os ganhos financeiros daí decorrentes, promove outras análises que nos fazem compreender a razão taxada no título deste texto que vem em forma de reflexão para o ordenamento desportivo angolano, seja a nível de clubes como de selecção.

Quando o treinador não é despedido, pelo menos o seu trabalho deve ser vistoso a nível da qualidade do futebol patenteado ou na relação entre homens, a exemplo do que fez Alex Ferguson em relação aos jogadores que eram dados ao álcool, isso em relação ao bom carácter humano que um treinador deve ter, enquanto condutor de homens.

E, verdade seja dita, tomando em consideração o momento do futebol da Selecção Nacional, fica difícil perceber o que se escreve no título, pois não se vislumbra nada comparável com o que até aqui foi escrito, estando o futebol nacional divorciado de uma identidade que a caracteriza como algo que se pode assistir, pelo menos isso, na ausência de bons resultados, os últimos dos quais resultaram na eliminação do CHAN, prova onde Angola já fez melhor com treinadores que também foram despedidos.
CARLOS CALONGO

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