Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quando os Palancas recebiam nove milhes

08 de Julho, 2019
Antes da partida, dos nossos Palancas Negras, para a fase final da Taça de África das Nações que ainda está a decorrer de forma renhida no Egipto, onde \"caíram de borco\", logo nos 16 avos de final, sem chegar aos oitavos, quartos e meias finais que no mínimo era a meta, cheguei a tomar boa nota do ministro das Finanças, Archer Mangueira, quando falava para a Rádio 5, em Luanda, em que chamou a tenção para a necessidade do orçamento para competições de vulto - como a Taça de África das Nações - ser apresentado pela Federação, sempre e sempre, um ano antes do \"ano desportivo”, primeiro, direccionado ao Ministério da Juventude e Desportos e este, ao Conselho de Ministros, a fim de constar do Orçamento geral do Estado.
Por causa, destas palavras do ministro, pergunta-se: a Federação Angolana de Futebol terá apresentado o orçamento \" um anos antes\", isto é, em 2018, para Taça de África das Nações deste 2019?
Acho, até, que o apelo do ministro Archer Mangueira, não foi o primeiro. Já vem de há três anos, porque em 2015, a Federação Angolana de Futebol - e outras Federações - ficaram a saber que a partir de 2016, as verbas inscritas e cabimentadas para a rubrica do Associativismo Desportivo no Orçamento de Estado, mereciam apreciação a três níveis de concertação. Isto, foi dito pelo então presidente da 5ª Comissão da Assembleia Nacional, Manuel Júnior.
No seu dizer, o cumprimento rigoroso desses passos, iam evitar as apreensões sempre manifestadas pelos representantes das instituições desportivas.
Eu acho, por esta razão, que a nossa Federação Angolana de Futebol, devia, desde muito cedo, fazer constar publicamente o que precisava, e não apenas, em círculos fechados, manifestar reservas quanto ao orçamento atribuído, tarde ou cedo, pelo Ministério da Juventude e Desportos. Não pode haver receio na divulgação de cifrões. A Federação gastou quanto, verdadeiramente?
Até onde me recordo, se a memória não me falha, a última vez que ouvi um alto dirigente falar de orçamento cedido para o Estado, para a fase final de uma Taça de África das Nações, vulgo CAN, e mais outras despesas correntes da Federação Angolana de Futebol, aconteceu em 2012 quando se falou, sem receio, de nove milhões de dólares.
Naquele ano, a Federação Angolana de Futebol recebeu esse valor, do Ministério das Finanças e da Juventude e Desportos, para , por um lado, servir a campanha das Palancas Negras no CAN que decorreu de 19 de Janeiro a 10 de Fevereiro de 2013, na África do Sul, e por outro, pagar as dividas atrasadas com jogadores dos Palancas Negras, treinadores e outras entidades públicas e privadas.
Um alto dirigente da Federação Angolana de Futebol, no caso, o ex-presidente de direcção, Pedro Neto, chegou a dizer, animadamente, que \"estou satisfeito e aproveito para agradecer a forma como o Executivo reagiu ao pedido que fizemos, o que significa que está a começar a considerar a modalidade, independentemente de não ser a modalidade mais ganhadora\".
Disse, na altura, em aditamento, que \"o valor atribuído foi em função das necessidades apresentadas, não vai ser entregue na totalidade, será entregue em sistema de tranches, em função das necessidades, como qualquer outro orçamento\".
Mas antes da abertura e disponibilidade financeira aberta e cedida pelo Estado, Pedro Neto teve, digamos, de chamar as coisas pelos próprios nomes. Certa vez, sem meias medidas nem evasivas, teve a soberana coragem de dizer que a questão dos prémios que alguns jogadores e treinadores das Palancas Negras ainda tinham direito, pelo título de vice -campeões do CHAN, não era um assunto do seu elenco ou da Federação, mas do Estado.
Eu, enquanto jornalista, ligado ao desporto, apoiei-o sem reservas, nos artigos que escrevi na altura. E, porquê? Porque, em boa verdade, a selecção de Angola é de todos nós, a questão de haver dinheiro para os seus compromissos internacionais, de forma atempada, era - e continua a ser, ainda hoje em dia - um problema da Nação, não é só institucional.
Sem isto, os Palancas Negras não podem ter boas condições para atender à demanda competitiva, que se lhes coloca à frente. Os Palancas Negras têm de trabalhar com orçamentos, como os teve nos anos em que brilhou nas Taça das Nações de 1996 e 2008, com exibições de encher os olhos. Por que de resto.... António Félix

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