Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quando seremos grandes em frica?

30 de Janeiro, 2020
Já sem nenhuma hipótese para continuar na “Champion Africana”, eis chegado o momento para o balanço, ainda que superficial, do fraco desempenho dos representantes angolanos, que mais uma vez, demonstraram ter muito que aprender para serem os tais “grandes de África”.
Quero, antes de prosseguir, abrir parêntesis para dizer que não nutro muito simpatia com a expressão “gigantes dentro e gatinhos fora”, com a qual alguns comentarista e até mesmo jornalistas, de forma pejorativa, adjectivam o 1º de Agosto e o Petro de Luanda.
E porque até os que assim procedem fundamentam, em maioria de razão, as suas opiniões, com as derrotas extra muro dos clubes angolanos, o que para mim não é motivo único para a conclusão, os referidos fazedores de opinião privam-se do prazer de realizar um trabalho profundo, em relação as “outras” causas do fracasso das equipas angolanas.
Advogando a favor dos clubes angolanos, habituais nas provas africanas, elenco como factor com peso significativo, a necessidade da frente diplomática desportiva, que as autoridades desportivas locais devem encetar, para contrapor o protagonismo que, por exemplo, as equipas do Magreb têm nas referidas provas.
“Intromete-se”, no grupo dos “poderosos”, o Todo Poderoso de Mazembe, (designação curiosa!), não por ter jogadores muito bonitos, mas sim pela pujança do seu proprietário, que é uma espécie de Bento Kangamba em versão mais avançada de 5G, com os merecidos descontos à adjectivação.
Ao que se diz, o “Le grand patron do TP Mazembe”, é do tipo de pessoa que corporiza e exterioriza a cultura dos nossos vizinhos da República Democrática do Congo, cujo estilo de vida é marcado pelo prazer de verem-se “adorados” pelo que possuem e fazem.
Verdade seja dita, isso tem o seu quê de valor, que infelizmente não faz cultura entre os dirigentes angolanos, sem que para cá seja chamada a necessidade de ser feito um copy past , até por que, cada provo é um povo e cada cultura também é uma cultura.
E não devem restar dúvidas para ninguém, pois isso é mesmo assim, nem que seja pelo simples facto do futebol ser feito pelos homens, e estes, pela complexidade do seu ser, habilitam-se à tudo e mais o resto, para ver os seus e dos que gostam, intentos alcançados.
O que acima se diz termina na seguinte questão: Que dirigente desportivo angolano passeia pelos corredores da Confederação Africana de Futebol, ao ponto de solicitar uma conversa com o presidente do referido órgão, no mesmo momento, sem marcação prévia?
Por mais que se reduza a importância desta reflexão e se eleva a conclusão de ser no campo em que se dá a resposta mais efectiva para tornar grande os clubes angolanos, a verdade é que tudo concorre para tudo, e neste capítulo, da diplomacia desportiva, os clubes angolanos têm muito que aprender com os homólogos do continente.
Noves fora o que se disse, a qualidade dos nossos jogadores é e continuará a ser, apenas, para o consumo interno, se não houver uma profunda mudança na mentalidade dos dirigentes, que parece ainda não compreenderem que o sucesso está no investimento na formação.
Isso evitaria que os clubes angolanos continuem na condição de importadores, muitas vezes em “gatos por lebre”, ao passo que os reais “grandes africanos” exportam, até com números fabulosos, e quando compram, melhor o fazem. Carlos Calongo

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