Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Que desporto teremos no ano que agora comea?

06 de Janeiro, 2018
Ao iniciar um novo ano, a preocupação primária na vida de cada um é, sem dúvidas, balancear o que foi feito no ano findo e arregimentar energias para prosseguir a caminhada. Triunfal ou não, o que se impõe é que a marcha continue. E isso, que seja feita com energias renovadas e retemperadas. Todos são unânimes em corrigir o que de errado foi feito e rectificar as falhas cometidas e consentidas. Por conseguinte, melhorar substancialmente o que esteve mal nos carris, rumo à perfeição e excelência.
No desporto, este pressuposto não foge à regra, salvo raras excepções em que se verifiquem atropelos de arrepiar os cabelos, infelizmente julgados por muitos, como coisas normais.
Para o ano de 2018 que acaba de nascer, em nossa modesta opinião, o desporto nacional, no seu todo, terá de vestir-se de \"fato-macaco\" e procurar reconquistar o seu lugar ao sol africano e internacional.
Não se pode admitir que se continue na senda em que a preparação da Selecção Nacional de futebol para o Chan, esteja mergulhada numa autêntica brincadeira, diga-se!
Para além de tudo que aconteceu, com convocatórias e mais convocatórias, recusas de jogadores e o resto, o mais grave é que, nem um campo em condições a selecção tinha para treinar, pelo que foram atirados no \"pasto\" da \"velha\" cidadela. Ainda nesta senda, julgamos que os jogadores e direcção do 1º de Agosto, ao abdicarem e preterirem a ida à Selecção Nacional acabaram dando \"um tiro certeiro no próprio pé\" pois, como soe dizer-se: \"A Pátria, aos seus filhos, não implora, Ordena!\"
É necessário perceber que a Selecção Nacional é o ponto mais alto para qualquer desportista, logo, mete dó ter que testemunhar tamanha incongruência e cumplicidade, principalmente da FAF, na sua qualidade de órgão reitor da modalidade cujos membros, assistiram de camarote e com cachimbo a fumegar, todo este cortejo triste sem portanto esgrimir argumentos válidos e suficientes para travar.Agora, vem a competição. Como será? Exigir-se-ão resultados à Vassilejvic?
Se, por causa dessas e outras coisas viermos à terreiro dizer, com frontalidade e coerência, que a campanha no CHAN será um fiasco, podemos correr riscos de sermos considerados até de lesa pátria, anti-patriótas, quando até estamos, apenas e só a sermos abertos e francos, diante de realidades objectivas que reflectem isso mesmo.
Por isso, começando por aqui, o desporto no seu todo, neste novo ano, terá que se revitalizar. Regenerar. Terá que se assumir. Sim, assumir o seu papel social profundo, indo ao encontro da idiossincrasia dos jovens angolanos, procurando preencher expectativas daqueles que vêem nesta vertente o seu baú de emoções e realizações e, noutros casos, o seu escape para as frustrações que a vida quotidiana teima em colocar no caminho. Temos que iniciar a reviravolta porque senão, a própria crise nos irá engolir.
Prova disso é que, a maior parte dos clubes do Girabola, correm sérios riscos de desistirem, por alegada falta de dinheiro. Se há apoios institucionais para umas, deve haver para todas. Se a realidade objectiva impele que o Estado, nesta fase, subsidie o Girabola, para a salvaguarda do futebol e da unidade nacional, que o faça. Certamente que será um ganho.
Neste ano de 2018 há que rever inclusive, parte da legislação desportiva, com particular destaque a lei da associações desportivas e adaptá-la aos novos tempos. Enfim, há que se arranjar mecanismos para convivermos da melhor forma com a crise e colocar o espírito criativo e empreendedor a funcionar.
As incongruências que provocaram as ausências, por exemplo, da selecção de sub-20, de Hóquei em Patins, no campeonato mundial, na China, depois de longo período de preparação, por incompetência administrativa; as falhas graves de algumas associações desportivas que, como resultado colheram fracasso, devem ser revistas urgentemente sob risco de muitas delas caírem no descrédito total. 2018, aparenta-se fértil em contribuir para o relançamento que se impõe.
Ninguém pode duvidar de nós. Temos matéria humana suficiente para isso. Há que se rever os processos desde a fase conceptual à sua execução prática. O basquetebol angolano, por exemplo, perdeu a hegemonia que detinha em África e isso, em quase todos os escalões. Isso tem de constituir uma grande preocupação por parte dos agentes. Afinal, onde pecamos ?
Recentemente, na competição africana de clubes, quer em masculinos, como em femininos, fracassamos. O pior de tudo é que já tínhamos perdido em selecções. Portanto, dada a evidência dos factos, temos mesmo que mudar. Mudar de mentalidade, de atitude, de comportamento e práticas, enfim, mudar a visão, os objectivos. Numa só palavra, mudar para melhor!
Por outro lado, houve pouca aposta nas modalidades individuais. Está mais do que provado que é preciso apostar sério no atletismo, no judo, no boxe, no karaté, na ginástica, no ténis de mesa e de campo no xadrez, entre outras. Essas, consideradas como \"modalidades pobres\", em minha modesta e humilde opinião, são mais ricas do que muitas que se arrogam com este estatuto. É mais fácil uma modalidade individual fazer ouvir o nosso Hino e hastear a nossa bonita bandeira em palcos competitivos internacionais de grande monta, como mundiais olimpíadas.
O desporto é um grande veículo para a diplomacia. É necessário capitalizar a transversalidade do desporto porque, por via disso, é possível atrair potenciais investidores e mobilizar o turismo interno e externo, conhecido como indústria da paz, mobilizando assim, valiosas receitas diversificadas, para não continuarmos a depender apenas e só do petróleo e dos diamantes. Agora em 2018, temos que revitalizar. Temos que apostar forte. Temos que saltar as barreiras da crise e correr para a vitória.
Julgamos que para isso, as nossas selecções nacionais devem ser apoiadas, em primeira instância pelo Estado porque representam a Bandeira e o Hino, Símbolos Nacionais. Para além daquilo que são os patrocínios que devem ser achados para complementar, o Estado deve assumir as suas responsabilidades, dando o primário para, no mínimo, em face da competição a acudir, terem uma preparação a altura. Por seu turno, as Associações desportivas (entenda-se Federações) devem ter um papel mais dinâmico. A de andebol, é um exemplo a seguir.
Neste ano de 2018, o desporto escolar e universitário, devem dar o ar da sua graça como acontecia num passado recente e retomar o seu papel de forja e garante da revitalização dos viveiros para a devida transição, da recreação para a competição.
Para toda essa demanda, é necessário esforços ingentes, inteligências e saberes de todos nós e assim elevarmos o nosso desporto primeiro para a organização que se impõe, depois, para a reconquista da hegemonia na sub-região austral em particular e do continente africano, duma forma geral. Assim, as infra-estruturas abandonadas têm de ser recuperadas. Os variados recintos para estimulação do desporto comunitário, devem ser revitalizados, enfim, toda engrenagem deve funcionar em concordância. Se assim for, tenho a certeza que o nosso desporto neste novo ano de 2018, vai vincar....Tenho dito!

BOCA: bem-haja para essa nova postura da governação no país, agora encabeçada por João Lourenço, que de resto há-de ajudar a combater as assimetrias em diferentes sectores
MORAIS CANÃMUA

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