Jornal dos Desportos

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Opinio

Que esperar de Angola no CAN?

18 de Abril, 2019
Os Palancas Negras disputam, pela oitava vez, o Campeonato Africano das Nações (CAN). A primeira vez que o fizeram, foi em 1996, na África do Sul. Na época, sob orientação técnica de Carlos Alinho. E, com jogadores como Orlando, Hélder Vicente, Abel Campos, Joni, Quinzinho, Paulão e outros, Angola fez uma boa figura.
Vale recordar, que no jogo de baptismo, num CAN, no dia 15 de Janeiro de 1996, os angolanos que jogaram, inicialmente, com Orlando, Amadeu, Walter, Wilson, Neto, Carlos Pedro, Joni, Fua, Paulão, Akwá e Túbia enfrentaram o Egipto, perderam por 2-1, mas fizeram uma exibição agradável.
Em 1998, no Burkina Faso, os Palancas Negras com o português Manuel Gomes (Neca), ao comando técnico, com jogadores como: Marito, Miguel Pereira, Lito Vidigal, Paulo Silva, Sousa, Akwá e outros, tiveram um desempenho abaixo das expectativas, inclusive foram goleados pela Costa do Marfim, por 5-2.
Angola tornou a estar presente na fase final de um CAN, em 2006, curiosamente, no Egipto, “exalando perfume” de mundialista, pois, era uma das cinco selecções de África apuradas para o Mundial que a Alemanha organizou no referido ano. Mesmo assim, o onze nacional teve uma exibição descolorida e foi eliminada na primeira fase.
A primeira grande prestação de Angola num CAN, aconteceu em 2008, no Ghana. Angola foi orientada tecnicamente pelo angolano Oliveira Gonçalves, contava com jogadores como, Lamá, Marco Airosa, Locó, Rui Marques, Kali, Yamba Asha, Figueiredo, Zé Kalanga, André Makanga, Gilberto, Manucho Gonçalves e companhia, atingiu os quartos -de -final.
No CAN organizado pelo nosso país, em 2010, marcado pelo “pesadelo” do jogo Angola -Mali, em que até aos 78 (?) minutos, vencíamos por 4-0, acabamos empatados. Os Palancas Negras voltaram a apurar-se para a segunda fase da prova. Isto é, nos quartos -de -finais.
Entretanto, apesar de passar para a segunda fase, consideremos que a nossa equipa teve uma prestação negativa, em função da soberba exibição na edição anterior, que se realizou no Ghana, em que inclusive goleou o Senegal, por 3-1 . Em razão da excelente prestação no referido CAN, o governo angolano apostou forte, não só em infra-estruturas, como também na própria selecção, para que no mínimo chegasse à final.
Os Palancas Negras, com Lito Vidigal como treinador, jogaram o Can de 2012, no Gabão, mas regrediram em termos de classificação, pois, ficaram na primeira fase. Em 2013, na África do Sul, com o técnico Gustavo Ferrin, Angola fez das piores exibições no seu historial, a nível dos Can.
No CAN, em referência, o onze angolano era composta por Lamá, Bastos, Dani Massunguna, Geraldo, Gilberto, Djalma, Mateus Galiano, Manucho Gonçalves e outros, decepcionou o país ao perder por 1-2, contra Cabo Verde, depois de estar a vencer por 1-0. No referido desafio, os Cabo-verdianos, praticamente, vulgarizaram os nossos rapazes. Foi uma grande humilhação para os angolanos.
Assim, em função destes pressupostos, o que se pode esperar dos Palancas Negras, no CAN de 2019, que o Egipto vai organizar, em substituição dos Camarões, que foram impedidos de realizar o torneio, por incumprimentos de alguns pressupostos para a realização de um evento da dimensão de um CAN?
Em primeiro lugar, devemos ser realistas. A nossa equipa está no grupo composto pela Tunísia, Mali e a Mauritânia. O que nos diz o histórico de cada equipa, a nível do continente, quer em termos de clubes e ou de selecções? Não temos dúvidas, de que a Tunísia e o Mali, ocupam os primeiros lugares nestes quesitos.
Em função do potência de cada selecção, os Palancas Negras apresentam-se como a terceira força do grupo. Aliás, na fase de qualificação, Angola ocupou a primeira posição do seu grupo, com o mesmo número de pontos que a Mauritânia. Entretanto, nos jogos entre si, os angolanos têm vantagem, ou seja, venceram os Mauritanianos no cômputo geral, por 4 -2.
Se o ranking, fosse determinante, Angola era a última força do grupo, ocupa a posição número 122, atrás da Mauritânia que está em 103º lugar, a seguir está o Mali na posição 65, e finalmente a Tunísia, em 28º lugar no referido ranking. Contudo, os números não jogam. Isso, implica dizer, que apesar de tudo, os angolanos podem sonhar pelo menos em melhorar a sua prestação em relação aos Cans de 2008 e 2010.
Como assim? nos referidos CAN, atingimos os quartos -de -final. É verdade, que uma coisa é querer e outra, bem diferente, é poder, ou seja, conseguir o que se quer. Mas a julgar pela grande capacidade mobilizadora do treinador Vasilejevic e o nível da maior parte dos nossos jogadores, podemos acreditar que o homem vai montar uma equipa capaz de fazer boa figura no CAN do Egipto. Augusto Fernandes

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