Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Que falta o Marketing faz ao Girabola?

26 de Fevereiro, 2018
Tal como na Inglaterra em tempos idos, o principal campeonato de futebol foi usado para desviar a atenção de problemas políticos, e no Brasil o “ Brasileirão” serviu para desviar a atenção da censura e da repressão do regime militar, eu sou dos que acredita que o nosso Girabola pode e deve desviar a atenção dos actuais problemas económicos e sociais que a todos nos aflige.
O meu pai conta muitas vezes com muita nostalgia, ao ponto de eu ficar como se levasse “um soco no estômago”, que no tempo do nosso “ El clássico” 1º de Agosto - Petro de Luanda, ou vice-versa, ou até mesmo de jogos do 1º de Maio de Benguela - Progresso do Sambizanga, em que despontavam jogadores do calibre de Ndungindi, Viera Dias, Mané, Barbosa, Capeló, Napoleão Brandão, Jesus, Abel Campos, Paulão, Saavedra, Quim Sebas, Lufemba, Fusso, Sarmento, Santinho, Santo António entre tantos outros, havia pessoas que preferiam ir à pé ao campo dos Coqueiros, andar grandes distâncias para assistir este e outros dos grandes jogos, do que ir à farmácia que muitas vezes ficava perto das suas casas, para comprar aspirina, para a dor de cabeça!
Ninguém tem dúvida, de que ainda hoje, o duelo entre militares e petrolíferos da capital, continua a ser uma forma de atrair os olhares e as atenções dos fãs e prosélitos do desporto nacional e não só, de uma forma geral, mas os amantes do futebol de uma forma particular e única.
Entretanto, o que muitas vezes não descortinamos, é que jogos do Girabola em que 1º de Agosto e Petro de Luanda jogam entre si, ou são intervenientes directos, se forem explorados “mercadologicamente”, podem e devem servir de um excelente meio para atrair investidores e empresas, que têm produtos ou serviços diversos a apresentarem aos consumidores do desporto nacional, com possibilidade de gerar receitas não só para os clubes envolvidos, assim como alavancarem a exposição na média, para dar mais visibilidade e notoriedade ao respectivo campeonato.
Basta que se explorem as oportunidades de marketin e comunicação, que o Girabola, pode proporcionar.
Ou até mesmo, basta que a FAF tenha por finalidade, a visão futurista de fazer o marqueting e a comunicação acontecer!
Para o efeito e para começar, é necessário que o departamento de marketing e comunicação da FAF crie uma plataforma à volta dos demais departamentos de marketing e comunicação dos clubes que militam no Girabola Zap, apresente sinergias que agreguem valor acrescentado aos clubes, com vantagens recíprocas, como a possibilidade de agregar novos parceiros, fortalecimento de marcas desportivas dos clubes e sua subsequente imagem, retorno da média e outros aspectos e detalhes não menos importantes.
É que com estas e outras acções feitas em conjunto, para que os objectivos em comum estejam e sejam dos reais interesses de todas as partes envolvidas, para se tornarem viáveis as suas realizações.
No entanto, como todos sabemos, a FAF não possui até hoje no seu departamento Marketing e Comunicação, um especialista em gestão de marcas, para tratar do melhor produto: o Girabola.
Entretanto, se tivesse um marketeer especializado na área acima mencionada, jamais a FAF teria inúmeras dificuldades de trabalhar para a satisfação dos fãs e de adeptos do futebol nacional, com a consequente garantia de em todas as causas e efeitos, haver uma abrangente exposição da marca Girabola, além de atingir uma grande parcela da população, em termos de envolvimento, aumentar a sua popularidade, atrair assim patrocinadores locais ou grandes patrocínios fora de Angola, criar acima de tudo uma independência financeira em relação aos clubes, melhoria nas infra-estruturas desportivas, e sem esquecer a divulgação a nível mundial, através de portais e canais no formato digital, aspectos cada vez mais essenciais e fundamentais para a sobrevivência da maior competição nacional do desporto-rei.
Porém, nada de pressa, tudo pode começar a ser feito de uma forma natural, sem que seja algo criado ou forçado.
Basta que para tal, o trabalho seja feito de forma redobrada, investir no tempo na criatividade e num bocado de dinheiro, definir as estratégias bem planeadas e traçadas.
Usados como ferramentas essências, para alavancar e reforçar as grandes competições desportivas, o Marketing e a Comunicação devem despertar aos gestores da FAF, e demais clubes nacionais, a necessidade de se adaptarem às novas formas de obter lucros e de buscar maneiras de deter e multiplicar ganhos financeiros, tirar proveito social e económico de campeonatos da dimensão de um Girabola, a ter em conta o impacto económico e a popularidade que a nível mundial, o futebol granjeia.
*MENTOR E GESTOR DO FÓRUM MARKETING DESPORTIVO.
Nzongo Bernardo dos Santos

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