Jornal dos Desportos

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Opinio

Que Girabola nos espera?

03 de Fevereiro, 2017
Que época desportiva teremos? Está é a questão que se coloca. O primeiro sinal foi a desistência do Benfica de Luanda. Ou abandono? Seja o que for, Benfica fica ausente do Girabola cujas cortinas são levantadas amanhã. O segundo sinal foi o desinteresse pela liguilha, que abriu o caminho para o 1º de Maio regressar à maior competição nacional. Podemos incluir ainda a questão dos poderosos do Girabola terem abdicado do estágio no exterior do país.

Abdicar talvez não seja capaz de descrever a realidade. Foram forçados pela conjuntura económica. Pelos dólares que a todos fazem falta. E por conta dessa doença, reduziu também o número de jogadores estrangeiros. Como escrevi não faz muito tempo, neste capítulo foi uma providência divina. Atadas todas essas situações podemos antever um Girabola de gritos ou talvez não, já que as despesas também terão baixado por conta dessa questão dos estrangeiros.

Seria bom se atingisse também o sector dos técnicos. Ainda teremos os grandes clubes nas mãos de treinadores não nacionais, o que não é mau de todo. Se aos grandes clubes não se espera que gritem tanto já em relação aos pequenos não se sabe a sorte que lhes espera. Oxalá a Federação Angolana de Futebol possa arrecadar receitas para ir tapando os grandes buracos orçamentais que os clubes apresentam.

Seria primeiro exigível que a FAF tornasse público os valores que envolvem este negócio do naming e dos direitos televisivo da competição, assim como as receitas que cabem a cada equipa. É um imperativo que denota transparência. Ainda que a empresa envolvida não aceite, a FAF tem de lhe recordar a necessidade de ser transparente para os adeptos do futebol, assim como para os eventuais interessados em disputar com a ZAP o espaço. É assim que funciona a economia de mercado.

No que à competição diz respeito, espera-se que haja pudor na arbitragem, pois em época de fome ou de aperto a ética é indesejada. Em homenagem ao esforço que as equipas vão fazer, seria bom que a arbitragem fosse limpa, salvo erros involuntários. É um apelo que tem dois sentidos para os clubes, que são promotores do fenómeno e para os "promovidos".

Os candidatos continuam a ser os mesmos, 1º de Agosto, Libolo, Petro de Luanda. A ordem pouco importa. Na segunda linha, Interclube e Kabuscorp do Palanca. A expectativa quanto ao campeão é saber como será capaz de cobrir o enorme vazio no ataque, por força da saída dos seus mais valiosos atacantes cuja média era golos 60 por cento da produção da equipa.

Para começar, a Supertaça dir-nos-á alguma coisa sobre o campeão e o seu adversário, Libolo. Não se espera avaliar já a qualidade futebolística, quer-se apenas uma luz. Em nome dos adeptos, que também sou, declaro aberta a época futebolística.
Teixeira Cândido

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