Jornal dos Desportos

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Opinio

Que Girabola teremos em 2018?

22 de Fevereiro, 2018
0 40º campeonato nacional de futebol da primeira divisão, que agenda para o fim-de-semana a 3ª jornada, vai ser disputado em velocidade como nunca aconteceu, desde a sua fundação em 1979.
Os motivos são do conhecimento de todos os amantes do nosso futebol, pois, já muito se falou acerca do mesmo. Entretanto, se sabemos que o campeonato vai ser disputado “velozmente”, ou seja em seis meses, contra os anteriores oito ou nove meses, outros pormenores inquietantes ainda estão sem respostas.
Por exemplo: as equipas vão ter capacidade financeira para efectuarem dois jogos, por semana? Quantas equipas estão em condições de fazê-lo, sem problemas? O que a Federação Angolana de Futebol (FAF) pode fazer para evitar as desistências?
Em termos de qualidade, esperemos que este ano, os níveis técnicos dos jogadores melhorem substancialmente, embora, ainda não tenhamos verdadeiros artistas da bola, como, Akwá, Gelson, Jesus, Ndunguidi, Arménio e outros.
As arbitragens para muitos são os grandes vilões dos campeonatos, nos últimos anos também estão a melhorar o desempenho, como vimos no jogo Interclube - Caála, no fim-de-semana, no Estádio 22 de Junho.
Depois de 2015, com a “entrada em vigor” da crise económica que se instalou no país e não só, o mundo do desporto e do futebol em particular, conheceu dias negros, como nunca antes. Assim, até clubes como o Petro de Luanda, o rei dos campeões do Girabola, o Recreativo do Libolo, o Kabuscorp do Palanca, o Recreativo da Caála que em cerca de dez anos impuseram a sua força, têm experimentado grandes dificuldades.
Equipas como o ASA, foram despromovidas depois de muita luta ao longo dos anos, para que tal não acontecesse. Portanto, é ponto assente: sem dinheiro é impossível sobreviver ou manter-se na alta competição.
Em função da situação económica dos clubes que disputam o Girabola 2018, será que têm “oxigénio” para jogarem as 30 jornadas programadas? Segundo certo homem do desporto, que conhece bem a situação económica dos clubes, (estamos a falar de Paixão Júnior, presidente do Progresso do Sambizanga, durante uma entrevista à TV Zimbo, em 2017, somente três ou dois clubes têm condições de jogar até ao fim do campeonato, em 2018.
Os clubes são: 1º de Agosto e Inter de Luanda porque têm o patrocínio do Estado ou seja, dos órgãos que representam. O terceiro clube é o Recreativo do Libolo. As demais equipas têm de fazer das tripas coração, como soe dizer-se. Isto implica dizer, que se esta análise for verdadeira em cerca de 50 por cento de probabilidade, dificilmente o Girabola termina como começou com as 16 equipas.
Vejamos, alguns exemplos claros, de que as coisas não estão nada bem em relação à maior parte dos clubes. O Recreativo do Libolo, tetra - campeão nacional, em cerca de dez anos de participação no Girabola, nos últimos oito anos sempre se apresentou como candidato ao título até 2016
Em 2017, vimos um Libolo, totalmente modificado. Vê-se impossibilitado de ter as melhores unidades no seu plantel, por indisponibilidade financeira. A direcção Libolense não segurou a espinha dorsal da sua equipa, e hoje com o plantel que tem, apenas deve lutar para manter-se entre os grandes do nosso futebol.
O Kabuscorp do Palanca até já se deu ao luxo, de ser a primeira equipa em África (?) a contratar um ex - melhor jogador do Mundo e Mundialista em duas ocasiões, no caso Rivaldo, a época passada também teve os bolsos com alguns furos...
Às demais equipas, como Domant do Bengo, Futebol Clube do Cuando Cubango, Sporting de Cabinda, Académica do Lobito e outras do mesmo campeonato, como se prepararam para o presente campeonato nacional?
É verdade, que o Ministério da Juventude e Desportos prometeu uma ajuda às equipas mais necessitadas. Contudo, não se sabe ao certo até que ponto vai ser a ajuda. Em função da realidade, creio que a FAF, enquanto instituição do Estado que gere o futebol nacional, devia tomar medidas acautelatórias para que as equipas terminem o campeonato.
Sabe-se, que um dos “calcanhares de Aquiles” das nossas equipas, é a falta de dinheiro para pagar salários aos atletas e o transporte dos mesmos.
Talvez, fosse o caso, da FAF servir de avalista dos clubes necessitados e aproveitar o fato da ministra dos Desportos prometer ajuda aos mais fracos, para junto das empresas de transporte como a TAAG e outras, abrir um crédito para as equipas necessitadas, com a condição suprema de creditação, sob pena da direcção do clube beneficiado ser punida em caso de incumprimento.
Se forem tomadas medidas como estas, as equipas podem ter meio caminho andado, para como iniciaram o campeonato cheguem ao fim. Entretanto, as direcções dos clubes devem ter em mente, que é responsabilidade deles arranjarem activos para manterem as suas equipas e não o Estado, como alguns se habituaram nos últimos anos.
Augusto Fernandes

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