Jornal dos Desportos

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Opinio

Que modelos se aplicam ao nosso Desporto-Rei?

21 de Outubro, 2017
À portas do final de mais uma temporada do futebol nacional, tudo agora converge nos aspectos de organização da próxima. O que tem sido badalado nos bastidores, é sem dúvidas como afinal será, quer nos modelos de organização, quer nos aspectos ligados aos períodos de início das provas das mais diversas categorias.
Mas, o que preocupa sobremaneira os homens do futebol é, essencialmente, o Girabola e a chamada Segundona. Início, fim, modelo de disputa, enfim e outras nuances e regulamentações requerentes que conferem forma legal aos pressupostos das competições.
Muito se tem falado dos modelos de disputa dessas provas, principalmente do Girabola cujo período de início destoa um pouco com o compasso de outras realidades africanas, o que periga sempre a desenvoltura competitiva dos nossos representantes nas Afrotaças. Os queixumes são sempre os mesmos: falta de ritmo competitivo.
Deste modo, ensaiam-se estratégias e modelos exequíveis para que, de uma vez por todas se consiga equilibrar o quadro e conferir alento aos nossos representantes.
Acredito que, não será imediata. Ou seja, não será obviamente, de um ano para o outro. Entendo que, seria quase impossível já que, teríamos que iniciar a temporada praticamente em Maio ou em Junho. Com isso, para não ser tão brusca a mudança e adaptação, teremos que ir ajustando ano após ano.
Uma saída airosa que se pode ensaiar e que tem sido também apontada vezes sem conta é, a provável estimulação de um torneio de pré-época com as oito melhores equipas do nosso \"association\" para lhes conferir rodagem competitiva enquanto aguardam o início da competição \"a doer\". Pode ser uma medida acertada, desde que tenha sustentabilidade. Desde que seja parte de um modelo-projecto capaz de \"revolucionar\" o nosso futebol para que se torne mais interessante e vinque a nível do continente berço.
Estas e outras situações interessantes, ligadas a organização do nosso futebol foram escalpelizadas há dias, num programa da Radio 5, onde o próprio presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF) e alguns membros do seu elenco, mostraram essa vontade e avançaram alguns modelos que podem ser exequíveis, contando depois com a aprovação ou não das associações e por via dessas, os clubes, em assembleia geral.
Somos a favor de reformas desde que elas contribuam favoravelmente para o desenvolvimento sustentável.
Vamos apoiar as iniciativas positivas para que a harmonia seja um facto. Só assim, só desta forma poderemos ver a organização espandir-se para outras competições, com particular destaque à denominada Segundona onde, urge o esforço comum para que as coisas tomem, de facto, outro figurino. Há que se rever e reformular principalmente a forma de ascensão dos clubes à divisão maior. O modelo actual há muito se mostrou impróprio e desadequado com a dinamica que se quer na nossa competição interna. Em nada abona se para atingir o girabola sejam necessários apenas meia dúzia de jogos nas pernas.
Por ser assim, é por isso que até hoje, se assiste alguma precariedade competitiva nas equipas de menor quilate, por não conseguirem somar o números de jogos suficientes para a consistência que a competição impõe.
Há dias, num texto de opinião eu, e o meu companheiro Sérgio Dias abordamos neeste espaço de forma exaustiva os caminhos fáceis e nada abonatórios que os candidatos são submetidos para atingirem o Girabola. Dizia na altura, que parece ser num estalar de dedos, por serem poucos os jogos e a competição, a prova de apuramento, no caso, não configurar o que se quer como modelo sustentável. Pelo número de candidatos à subida, jogos a efectuar, enfim facilidades de ascendência, recomenda-se pensarmos todos afincadamente para encontrarmos formas expeditas para salvarmos a nossa competição interna.
Porém, tudo que abordo aqui. Todas as questões aferidas não estão nem devem estar dissociadas da realidade objectiva, tendo em conta a crise financeira em que estamos mergulhados. Hoje, os clubes estão literalmente pobres. Não têm fontes de rendimentos capazes de sustentarem as enormes despesas que a prova acarreta.
Isso torna a competição igualmente pobre e diminuta, com poucos concorrentes, daí ser facílimo ascender à divisão maior.
Províncias como Huíla, Namibe, Cunene, Cuanza Sul e outras, em número extenso, há muito não marcam presença na prova de apuramento ao Girabola, cujas razões são óbvias e já as abordamos aqui exaustivamente.
Resta assim, esperarmos que, guiando-nos com o \"censo comum\" se consiga mudar o \"status quo\" e termos outros paradigmas que proporcione estabilidade, dignidade e harmonia na nossa competição interna.

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