Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Que o Egipto nos ajude!...

17 de Junho, 2019
Uma década depois, os Palancas Negras voltam ao Egipto. Sob orientação de Oliveira Gonçalves, com então estatuto de mundialista, o \"onze nacional\" não foi capaz de se qualificar para outra fase. A presença naquele país assinalava o regresso dos Palancas Negras ao Campeonato Africano das Nações (CAN), cumprindo seis anos de ausência. Foi um CAN memorável, apesar do resultado não ter sido digno de um mundialista. Poucos países beneficiaram do apoio, que os Palancas Negras mereceram dos egípcios. Gilberto e Flávio Amado eram os responsáveis por tal feito. Jogavam no Al Ahly do Egipto e eram queridos, em particular Gilberto, que havia se transferido cinco anos antes do CAN. Flávio fazia um ano, e foi o CAN que o \"salvou\", dado que vivia um período de contestação. A razão é que não tinha se adaptado o suficiente, carrega nos ombros o azar de ter desperdiçado uma grande penalidade no clássico com Zamalek, adversário visceral do Al Ahly. O CAN foi aproveitado e Flávio se afirmou como um jogador a ter em conta. A equipa transpirava condições de trabalho, tinha feito estágio em Málaga, seguido de um particular no Marrocos. Com Camarões, Togo e o Congo Democrático, os Palancas Negras vendiam expectativa de que podiam brilhar. Mas caíram por terra. Um das grandes desculpas na altura era a inexperiência. Só o Akwá conhecia o que era jogar um CAN. Hoje, o leque é mais alargado. Bastos, Djalma Campos, Mateus Galiano, Geraldo, Freedy já sabem o que significa jogar um CAN. O grande estreante será, sem dúvidas, Gelson Dala. O meu receio repousa na turbulenta preparação, que os Palancas Negras viveram na véspera do arranque da prova. Não sei como senhores que andam no futebol há muito, não são capazes de gerir uma crise. Uma situação que lhes era aliás alheia. O que não era alheio é a boca. O presidente da Federação Angolana de Futebol tem boca para se comunicar, explicar aos jogadores que havia um atraso, porém ia a tempo de honrar com o devido. Basta dizer isso aos jogadores para ganhar o dia, evitar a vergonha que por passaram os Palancas Negras, uma publicidade de todos negativa, para a imagem da Selecção Nacional e do País num todo. Um acto capaz de inibir futuros jogadores, filhos de angolanos, que nasceram noutras paragens. Oxalá, que no relvado a resposta seja diferente, melhor, de modo a resguardar a imagem dos jogadores. Oxalá que o Egipto nos ajude. Teixeira Cândido

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