Jornal dos Desportos

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Opinio

Que pernas tem o Batotabola?

05 de Junho, 2015
Calciocaos e Apito dourado são alguns dos nomes pelos quais ficaram conhecidos escândalos de corrupção no futebol, na Itália e em Portugal. Como se sabe, os italianos foram até ao fim e puniram os responsáveis pelo esquema, despromoveram inclusive clubes históricos como Juventus, assim como penalizaram o AC Milan, Fiorentina e Parma. Além de prenderam alguns dirigentes como Antonio Giraudo, ex-director desportivo da Juventus, condenado a três anos de prisão. E sem dúvida, restauraram a credibilidade do futebol naquele país, na minha opinião.

Em Portugal, o Apito Dourado ficou-se pelo sopro. Ou seja, não aconteceu nada aos suspeitos dentre eles o então presidente da Liga, Herminio Loureiro e o presidente do FC Porto, Pinto da Costa. Apesar das escutas telefónicas confirmarem que o dirigentes portista escolhia árbitros, com o respaldo do presidente da Liga, segundo o canal de televisão CM (Correio da Manhã), que mostrou escutas telefónicas, o que certo é que ninguém foi punido.

Esta semana, em Luanda, foi despoletado o Batotabola, pelo presidente do Recreativo da Caála, que assumiu existir no futebol nacional esquema de corrupção que envolve dirigentes federativos, treinadores, jogadores assim como jornalistas.

António Mosquito assumiu que ele próprio já participou do esquema, porém desistiu por se sentir incapaz de concorrer com quem dava mais aos árbitros. Para os adeptos do futebol nacional, nos quais me incluo, é uma atitude que deve ser aplaudida de pé por mais de trinta minutos.

Finalmente, alguém deu muro na mesa e está disposto a ajudar a restaurar a credibilidade do futebol nacional. Mais do que isso, salvar o futebol.

A primeira reacção do presidente da Federação Angolana de Futebol, Pedro Neto, é contraditória. Primeiro considera que Horácio Mosquito enquanto presidente da Caála é lhe exigido uma postura, diferente do que a que teve com essas denúncias.

Pelo menos assim interpretei, embora o presidente da FAF tivesse sido inclusivo.

No entanto confirma mais adiante a existência de corrupção, pelo que não ficou surpreendido com as revelações de Horário Mosquito. Pedro Neto entende que a situação que se põe é quais os métodos para afastar o tal fenómeno do futebol. E pergunto, se o presidente da Federação Angolana de Futebol sabia disso, porque não convidou o Ministério Público a fazer uma investigação para apurar quem e como se faz?

Por acaso num Estado Democrático e de Direito não são as instituições judiciais que devem agir numa situação como essa? Por outro lado, não devia o presidente da Federação Angolana de Futebol felicitar a coragem do presidente do Recreativo da Caála e juntar-se a ele, na perspectiva de se colocar ao tal fenómeno que diz existir.

Considero que só existiam dois caminhos para se inibir esse fenómeno. O primeiro, convidar o Ministério Público para investigar o assunto, e o outro serem os próprios clubes a fazerem um juramento de sangue e colocarem fim ao problema.

Pessoalmente confio mais na primeira solução do que na segunda, por não ser vinculativa. Um simples juramento pode ser desrespeitado a qualquer instante. Uma decisão judicial já tem mais força inibidora para a comunidade futebolística. Razão pelo qual salto de alegria com esta posição de Horário Mosquito.

Dizia que a atitude do presidente da Caála pode não apenas restaurar a credibilidade no futebol, mas salvá-lo, pois equipas pequenas como a Académica do Lobito, sem recursos para participar nesses jogos de influências, estão condenadas a desaparecer. A acontecer não desincentiva só os clubes a apostarem na formação como fez a Académica, como impede que as selecções nacionais tenham bases largas de jogadores.

Seguramente, não há escolhas possíveis. A formação é a base, está visto. Espanha, Alemanha, Ghana e Brasil são grandes no futebol por conta dessa aposta. Não podíamos ser diferentes. Fico por isso a rezar, como estarão milhares de adeptos, para que o Batotabola não morra na secretária. Que chegue ao fim, punido que tiver de o ser e ilibando os que merecem. O Ministério Público prestaria um grande serviço ao País, dada à dimensão social do futebol.
Teixeira Cândido

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