Jornal dos Desportos

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Opinio

Que projecto tem a FAF para os Palancas Negra ? (I)

10 de Outubro, 2019
O actual elenco da Federação Angolana de Futebol (FAF), liderada por Artur Almeida e Silva, completará em Dezembro do ano corrente três anos de mandato. Em função da produção das selecções nacionais, como podemos avaliar estes mil e noventa e cinco dias de gestão da actual direcção do órgão reitor do desporto-rei no país?
Em 2016, Angola, andava na casa da 140ª posição no “ranking” mundial e actualmente ocupa a 121ª com 1.161 pontos, o que significa dizer que em temos de qualidade o nosso futebol, sob gestão do organismo reitor da modalidade no país, evoluiu ligeiramente e com muito apoio de clubes como 1º de Agosto e Petro de Luanda.
Não podemos incluir a produção dos clubes, porque não dependem da FAF em termos de programa, projectos e muito menos financeiramente, cabendo o êxito de tais as suas respectivas direcções. De qualquer forma, podemos dizer que a gestão de Artur Almeida e Silva e seus pares tem sido ligeiramente melhor que as anteriores nos últimos dez anos, em função das politicas que tem adoptado.
No entanto, embora seja notório uma certa diferença na forma de pensar o nosso futebol, existe uma grande homogeneidade entre a gestão de Artur e as anteriores: O imediatismo, a falta de projectos exequíveis e prontamente esclarecidos a opinião publica, bem assim como na aplicação da lei de a “corda rebentar do lado mais fraco”. Dito de outra maneira, a lei de que o chefe tem sempre razão.
Com base nesta altitude, de que o chefe tem sempre razão e que por isso pode fazer o que bem entende, nos três anos que Artur Almeida comanda a direcção da FAF, a Selecção Nacional de Honras já trocou três vezes de treinador.Portanto, a caminho do seu quarto e último ano de mandato, a actual direcção da FAF nunca foi clara em dizer publicamente o que pretende com os Palancas Negras ou seja nunca apresentou um projecto para a Selecção Nacional, se bem que, por altura da contratação de Beto Bianchi, o próprio presidente do órgão afirmara que o objectivo principal era construir uma equipa que dignificasse o nosso país com um futebol alegre e competitivo. Na mesma ocasião, o líder da FAF disse também que o Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2019, que a prior seria organizado pelos Camarões, não constava das prioridades. Mas depois deixou-se levar pelo espírito do imediatismo, que caracterizou os seus antecessores. Para ele o mais importante era colocar a Selecção Nacional no CAN, não se importando com a figura que fizesse, pois ficaria na historia que durante o seu mandato ele também teria colocado Angola num CAN “y” e “x”.
Quando se fala de projecto, estamos a nos referir a algo concebido com cabeça tronco e membros e que tenha a aprovação da maior parte da família do futebol, que a bem dizer tem uma palavra a dizer em torno das selecções nacionais e que por isso merecem todo o respeito e devem ser tidos em conta, quando o assunto for programação ou projectos ligados a estas, especialmente dos Palancas Negras.
Assim, um projecto implica ter em conta o que se pretende atingir, tempo de execução, orçamento para o efeito, material humano, quem vai conduzir o mesmo e assim por diante. Dito de outra forma, significa dizer o seguinte: jogar a fase final do CAN de 2023, ficar entre as cinco melhores classificados, o ciclo de preparação, valores necessários na execução projectos e outros factores afins.
Só assim, se justificariam as constantes exonerações ou rescisões de contratos com os treinadores. Sem um plano exequível e com a aprovação da maior parte da família do futebol, como se justificam tantas rescisões de contratos?
Diante da vergonha que os nossos jogadores passaram em Portugal, aquando do estágio para o CAN deste ano, se é que se pode chamar aquilo de estágio, a direcção da FAF, usando da “musculatura” que a lei lhe confere, limitou-se simplesmente a rescindir o contrato com um homem que provou por “A mais B”, que entende de futebol e por isso tinha competência para se manter no comando da Selecção Nacional. Srdjan Vasiljevic havia apenas manifestado o seu desagrado pela forma como a Selecção Nacional foi tratada e ficava tudo dentro da normalidade.
A história do futebol moderno indica claramente, que sem projectos não pode haver evolução. Temos vários exemplos disso, tanto no exterior do país como cá, entre nós. Um grande exemplo disso é o que está a ser feito no 1º de Agosto. Como é que um clube, consegue ter aquele nível de organização e a FAF, que é um órgão do Estado não? O problema não estará na qualidade e capacidade de quem dirige?
Outro exemplo prático é o que é feito na Academia de Futebol de Angola (AFA). Não me venham dizer que o problema é que o 1º de Agosto ou a AFA tenham mais dinheiro que a FAF. É inconcebível e inaceitável, que um órgão estatal ande de mãos estendidas, quando outros com o 1º de Agosto, que também depende de alguma forma do Estado, conseguem ter melhor saúde financeira que a FAF. Quem aceita conduzir um carro do patrão, mas que seja ele a responsabilizar-se pelas despesas do mesmo, só pode indicar duas coisas: (continua no próximo numero) . Augusto Fernandes

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