Jornal dos Desportos

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Opinio

Que Santa teremos?

23 de Setembro, 2016
Quem vai ao mar avia-se em terra. É um conselho secular e de aplicação geral. Ou susceptível de ser aplicado em qualquer sector da vida. No Girabola, em particular, esta recomendação devia ser levada até ao extremo pelas equipas que nele competem. Sobretudo equipas que não têm estofo financeiro da dimensão dos grandes de Luanda ou do Recreativo do Libolo.

A subida do Santa Rita de Cássia ao Girabola é uma boa-nova. E quem segue as minhas opiniões sobre o futebol sabe que sou defensor incondicional de um Girabola nacional de facto. De um Girabola com representação nacional. Por isso, vejo com bons olhos a presença de equipas de outras províncias na competição nacional, na perspectiva futebolística.

A presença do Santa Rita se bem explorada pode resultar no encaixe de algum dinheiro para os hoteleiros, que estão seguramente satisfeitos com a possibilidade de terem mais hospedes no próximo ano. São as tais externalidades positivas que o futebol, e o desporto no geral, oferecem ao meio no qual estão inseridos.

Porém, a minha preocupação reside no facto de saber como está preparado o Santa Rita para enfrentar as despesas do Girabola2017. Que meios tem, que promessas recebeu e de quem? Ou será mais um “bola no pé e fé em Deus”.

Vai o Santa Rita acreditar na sorte ou tem já garantias seguras de que poderá receber apoio à altura das despesas do Girabola. Em média, equipas que não discutem títulos não gastam abaixo de um milhão e meio de dólares. De onde virá então o dinheiro da formação do Uíge que chega ao Girabola?
Não sou adepto da estratégia de “vamos só”. Pois há que se respeitar as expectativas dos jogadores, treinadores e outros funcionários que irão programar as respectivas vidas contando com os seus ordenados regulares. Seria bom que a formação do Uíge tivesse tudo isso acautelado, para não engrossar na primeira hora o coro das equipas que ascendem ao Girabola sem conhecerem o amanhã. Quem não tem condições para jogar o Girabola não o faz. E quem se atreve a tal, precisa assegurar que se trata de uma ideia exaustivamente reflectida. De outro modo, fazem-se figuras feias, tristes para a imagem não apenas do clube, mas também da província de que se é parte.

A crise actual está mais pesada do que todas as outras que o país já atravessou nos últimos dez anos (observação pessoal inteiramente). Os patrocinadores ou potencias estão a fechar as portas, porque não sabem como alimentar o negócio sem os “sagrados” dólares ou as divisas.

Espero que Santa Rita de Cássia não se transforme numa Santa chorona. Tem alguns meses ainda para amadurecer o projecto e fortificar todas as garantias.

A outra equipa que vai estar no Girabola é o FC Bravos do Maquis. Equipa que dispensa apresentação e que sabe o peso das dificuldades financeiras de estar na competição com a dimensão do Girabola. Oxalá tenha dessa vez garantias de que já não irá passar o vexame que viveu, na época passada, ficando inclusive impossibilitado de jogar as eliminatórias das Afrotaças. É uma lição de que não devia esquecer.
Teixeira Cândido




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