Jornal dos Desportos

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Opinio

Que sonho podemos alimentar

12 de Maio, 2017
Os Palanquinhas começam esta segunda-feira a disputar a fase final do CAN de Sub-17, é um regresso dezoito anos depois da última participação. Nunca foi além da primeira fase, por conta sobretudo dos adversários que a sorte tratou de colocar no caminho. Em 1999, Angola defrontou o Gana, Nigéria e Mali. Apesar dos craques que possuía na altura, caiu na primeira fase.

Dois anos depois, está mesma selecção conquistou o título de 20, batendo os tais grandes dentre os quais o Gana. Porém, são passados dezoito anos, já sem os tais nomes como Mantorras, Gilberto nem Lamá. Tão pouco há condições à altura de alimentarmos algum sonho.

Se a qualificação foi sacrifícada, porém era previsível face aos adversários que defrontou na caminhada (Comores e Mauritânia). Para fase final que se inicia, para Angola na segunda-feira, os adversários embora sejam de menor peso, comungo da opinião de que não se pode exigir nada à equipa técnica. Não se lhe ofereceu as condições mínimas, necessárias para que o País possa sonhar com algo extraordinário.

Sou católico apostólico e romano, e acredito que único que fez milagre foi Jesus Cristo, segundo conta nos seus evangelhos São João. Se houver garantia por parte de Jesus Cristo de que iremos conquistar o título, podemos começar já a preparar aquelas oportunistas recepções, doutro modo não.
A mim não me repugna que a eliminação na primeira, o que não ofusca a competência de Languinha Simão, outro teimoso treinador que conseguiu a qualificação por ser precisamente teimoso, como foi algum dia Oliveira Gonçalves, e outra legião de treinadores sofredores, muitos dos quais despedidos ao telefone, como de simples reles se trata-se.

É o famoso fascismo social, como o classifica Boaventura Sousa e Santos, sociólogo. Para o português, fascismo social é a dominação do patrão/empregado, branco/negro ou indígna, e homem/mulher.No contexto do futebol, creio estarmos na presença do primeiro item, em que os dirigentes dos clubes e presidentes das federações despedem pela mais vergonhosa das maneiras.

Ou não será isso que ocorreu com Romeu Filemon nos Palancas Negras, no consulado de Pedro Neto e João Machado no ASA. Enquanto angolano, faço fé que os Palanquinhas possam brilhar, consigam o melhor que puderem, o que seria um sucesso à custa do próprio esforço. Se não for o caso, que o treinador não seja a primeira vítima. Pois o que lhe competia, fez, milagres não pode fazer, porque é uma faculdade ao alcance apenas de uma pessoa: Jesus Cristo. Salvo opinião em contrário.
Teixeira Cândido

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