Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quem acode o campeonato?

28 de Julho, 2017
Verifica-se um abrandamento de ritmo na disputa do campeonato nacional de futebol da primeira divisão. Quebrou-se aquele suspense que nos foi dado a ver na primeira volta. As razões podem estar relacionadas com as constantes mutilações que vão ocorrendo na sequência da realização de jornadas, perante a necessidade de se dar prioridade à preparação da Selecção Nacional, envolvida em competições de suma importância.

Este quesito leva a que tenhamos um campeonato descompassado, em que equipas há com mais jogos que outras, sendo uma condição que não ajuda a fazer uma leitura melhor enquadrada sobre o potencial de que vai à frente em relação aos outros, sendo que a sua liderança resulta mais da folga dos seus principais concorrentes, ainda que não seja motivo bastante para se lhe tirar o mérito.

A solução, talvez, fosse interromper a sequência da prova para permitir a realização dos jogos em atraso, em busca do ajuste da classificação geral e dai as equipas partirem para a disputa do resto do campeonato ajustadas ou em igualdade de circunstâncias, pelo menos no que pode dizer respeito ao número de jogos realizados.

Escapa, porém, a sensação de que este arranjo está fora de qualquer cogitação, uma vez que os compromissos da Selecção Nacional vão prosseguir, estando nesta altura, certamente, com as baterias viradas para a preparação do jogo do próximo dia 20 de Agosto contra o Madagáscar para a primeira-mão da derradeira eliminatória de acesso ao CHAN\'2018.

Equipas com mais de dois atletas ao serviço dos Palancas Negras vão continuar protegidas por aquilo que está consagrado na Lei. Vão continuar a ver a prova a seguir e ao acumular dos seus jogos. Honra seja rendida ao 1º de Agosto que, ignorando o número de atletas que cedeu se julga com potencial suficiente para fazer os respectivos jogos sem temores de natureza alguma.

Aliás, a situação que ocorre, analisada com alguma profundidade, está é a beneficiar a formação militar, que com a sua coragem vai engordando a sua pontuação, e se manter incólume no topo da tabela classificativa, fortificando ao mesmo tempo a esperança de revalidar o título, que ė, indubitavelmente, o seu objectivo principal, para o qual se batem a sua direcção, equipa técnica e atletas.

Afinal quando os outros atacarem os jogos em falta, o farão sob alguma pressão psicológica, sendo que o objectivo será igualar uma marca pontual já existente. De resto, isto já acontece com o Recreativo do Libolo, a única equipa cuja acumulação de jogos está claramente justificada, pois resulta da condição de duplo compromisso a que esteve envolvido até bem pouco tempo.

Esperamos que o quadro que ora se desenha não venha custar caro a quem vai à frente, já que poderá se dar o caso de a páginas tantas, depois de se analisar a sua larga vantagem, de se lhe criar algumas armadilhas, ardilosamente engendradas. De resto, se é verdade que a segunda volta do campeonato joga-se mais em gabinetes que propriamente nas quatro linhas da quadra de jogo, os militares que se cuidem.

Fora isso, também convirá reconhecer que neste descompasso a prova em si perde algum interesse junto do público consumidor. Algo deve ser revisto, sobretudo porque não é a primeira vez que temos uma selecção a trabalhar em pleno curso do campeonato. Só que neste particular a FAF pode limpar as mãos, porque quando propôs uma paragem de cerca de 70 dias não foi poupada de críticas. E agora estamos assim. Quem acode o Campeonato?
MATIAS ADRIANO

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