Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quem acode os ex-atletas?

10 de Maio, 2016
É de todo angustiante quando, de forma fortuita, cruzamos com alguém que no passado, como atleta no activo, nos encheu de alegria e orgulho com os seus golos, seus smaches, seus sprints, numa condição penosa, que indicia, à partida, uma vida alheia à estabilidade social, prenhe de capítulos dramáticos, que o levam à beira da mendicidade.Casos semelhantes temo-los aos montes.

É sair à rua ou ir ao um convívio público, como nos chamados e corriqueiros "muzongués", para nos surpreendermos com a presença de alguém que há muito não víamos, e com uma aparência pouco atraente, mas que na verdade já foi uma fonte de alegria, como excelente atleta na disciplina que representou.

Sendo verdade que a nossa vida é um ciclo de altos e baixos, ver um ex-atleta de rastos podia ser algo a encarar com normalidade, porque o mesmo passa-se com académicos, médicos, políticos enfim. Aqui o caso só assume contornos incompreensíveis porque não envolve meia dúzia de pessoas. Envolve um exército, uma vasta legião.

Aliás, mais fácil para qualquer exercício matemático é apontar os poucos, que, tendo sido atletas de nomeada, andam bem inseridos na sociedade com estatuto de "senhor fulano". A esmagadora maioria pode não estar na linha da pobreza, mas vive à custa de muita ginástica, a que não devia estar submetido quem fez o país levantar a bandeira às alturas nos grandes palcos desportivos.

Já se disse em ocasiões anteriores e não será demais reiterar, que o grande problema dos antigos atletas tem a ver com o facto de muitos não terem previsto o "dea after", ou a fase a seguir à carreira desportiva. O argumento pode até fazer sentido, mas também dá lugar a uma discussão que pode não ter um desfecho simpático, dado a realidade do passado.

Se se fizer um cadastramento entre os jogadores no activo, são poucos aqueles que têm conciliado os caminhos do clube que representam com os caminhos de instituições académicas. Não é que lhes falte alguma visão futurista. Têm-na. Mas já fizeram a leitura que lhes permite concluir que com os seus proventos no desporto podem organizar o futuro.Estou a dizer que a situação que penaliza alguns dos antigos atletas, longe de todas as suposições, tem apenas a ver com a traição temporal. Fizeram desporto num outro contexto, em que mesmo espalhando classe e talento nas quadras, pouco ou nada ganham, à excepção da fama proporcionada pela presença regular nos jornais e na televisão.

Se na época o desporto estivesse já profissionalizado, tendo ido à escola ou não, teriam eles outras condições de vida. Os atletas dos nossos dias organizam a vida com dinheiros resultantes de contratos celebrados com os clubes e de outras luvas. O que teria feito o "craque" do passado com a Yamaha da Ulisses ou com o televisor da ERT?

Há, portanto, no meu conceito, algo que terá falhado na definição de políticas voltadas para a acomodação daqueles que no passado escreveram com suor as páginas da nossa história. Os desportistas foram votados à sua sorte, literalmente esquecidos. Vai dai que a iniciativa da criação de um Sindicato de Antigos e Actuais Futebolistas de Angola e a abertura de uma conta bancária em nome desta instituição só deve colher aplausos daqueles que defendem o bem para o próximo.

É evidente que a história do desporto angolano não se escreveu apenas com feitos do futebol. A ideia devia ser melhor amadurecida e envolver outros desportos. A ser assim sensibilizaria melhor a sociedade e as instituições do Estado. A associação teria maior peso, envolvendo antigos atletas de todas modalidades. A propósito, onde anda o Sidrack?

O Mitty? O De Vasco?.Seja como for, já é muito salutar que se tenha pensado até ai, embora teimosamente continue a não perceber que diferença existe entre Associação dos Antigos Futebolistas de Angola e de Antigos e Actuais. Trará esta coesão entre antigos e actuais maior vitalidade à instituição?

Matias Adriano

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