Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quem explica o desporto angolano?

15 de Julho, 2019
O nosso desporto merece um estudo profundo, para se encontrar explicações que justifiquem os resultados que vai tendo.
Países como África do Sul, Egipto ou Marrocos, quando conquistam um título nesta ou naquela modalidade, a explicação obvia vai para os investimentos nas infra-estruturas, o alto profissionalismo do seu dirigismo, a massificação desta ou daquela modalidade, com início nas escolas civis até aos clubes profissionais. Acresce-se ao facto da economia desses países ser de algum modo já robusta se comparada com outros do continente. Uma selecção de sub-20, em futebol, na África do Sul, por exemplo, tem dois ou três milhões de orçamento, patrocínio de empresas como a dos caminhos- de-ferro. Entre outros exemplos. A nossa realidade é toda contrária a desses países. Temos algumas infra-estruturas, em cinco ou seis cidades. O nosso dirigismo é tido como o principal eixo do mal. Os apoios financeiros são conseguidos com muito clamor dos dirigentes, e, não raras vezes, com ajuda da pressão da imprensa. O CAN2019 é o mais fresco exemplo. Com todas dificuldades, como se explica que Angola seja o melhor em basquetebol, em andebol feminino, e vai se perfilando para ser um dos principais no masculino, em hóquei em patins (o sexto melhor do mundo), um dos melhores em xadrez, e tantas outras modalidades. Como é possível ser gigante com todos os problemas elencados. Somos por natureza talentoso ou os treinadores são mágicos? Deus terá distribuído talento desportivo para cada um dos países, e coube a Angola tanto quanto recursos naturais possui? Eu tenho dificuldades para encontrar uma explicação exaustiva, que justifique todas as conquistas reunidas por estas e outras modalidades. Como é possível ser campeã das campeãs no andebol apenas com dois clubes, e alguns viveiros. Como foi possível construir a hegemonia do basquetebol com dois clubes e um pavilhão digno deste nome, antes dos Kilambas e outros erguidos a pressa pelos chineses para os Afrobasquetes e o CAN de Andebol em 2008. E porque razão o futebol não acompanha estas modalidades de sala? Teve sempre os principais orçamentos. Em quarenta anos ofereceu ao País um único título continental (CAN sub20, em 2001) e uma medalha de bronze (terceiro lugar no último CAN sub-17). Duas presenças em mundiais (Honras e sub20, em 2006 e 2001). Aliás, três, com a qualificação mais recente dos sub-17. Temos materiais para os estudiosos das ciências sociais.
Teixera Cândido

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