Jornal dos Desportos

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Opinio

Quem herda os passivos da FAF?

15 de Dezembro, 2016
O dia 17 de Dezembro está a ser aguardado com grande expectativa pela família do futebol angolano, por ser da eleição do homem que irá conduzir os destinos da modalidade-rainha no país.

O futuro presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF) terá uma missão extremamente difícil. Ele vai herdar um grande passivo das direcções anteriores. Em primeiro lugar, o eleito terá de arranjar formas de tirar o futebol do abismo em que se encontra.

Só para termos uma ideia, no Ranking da Fifa, Angola encontra-se abaixo da posição 140, atrás de selecções que eram suas “fregueses” como Cabo Verde, Uganda, Benin e outras.

Do ponto de vista financeiro a FAF está praticamente de “mãos estendidas” e quase que não consegue pagar nem mesmo os salários dos seus funcionários de base e não só. O Hotel Palanca que se situa debaixo das bancadas da Cidadela praticamente não funciona.

É necessário organizar a situação de hospedagem das selecções nacionais que na maior parte das vezes ficam em hotéis onde pagam avultadas somas monetárias que poderiam ser poupadas se a FAF tiver o seu próprio “Estado Maior”.

Por outro lado a selecção principal, os Palancas Negras, praticamente não existe e precisa-se urgentemente de um treinador principal para formar um conjunto capaz de resgatar a mística do nosso futebol.

A FAF precisa urgentemente de patrocinadores oficiais permanentes quer a nível nacional como internacional. Não conseguimos perceber como é que até hoje a FAF não consegue convencer alguns empresários locais como os da Cuca, Sonangol, Cimangola e outras empresas de vulto para patrocinarem a selecção de todos nós.

Estes problemas são os que a olho nú qualquer um de nós pode observar, pois internamente de certeza absoluta que os problemas são muito mais graves e somente os que conhecem bem a casa podem se pronunciar sobre o assunto.

Isto implica dizer que os candidatos ao cadeirão máximo do órgão reitor do nosso futebol devem ter consciência da “batata quente” que estão a procurar receber e estar dispostos a assumir ou resolver os graves problemas que enfermam o nosso futebol.

É interessante que ao longo dos seus discursos todos os candidatos prometeram resolver os problemas do nosso futebol mas quase nada falaram do passivo que poderão herdar do reinado de Pedro Neto.Queremos lembrar que os problemas da FAF são muito antigos e quase todos se não todos os presidentes que lá passaram não mudaram nada. Aliás na maior parte dos casos eles só seguiram o trilho dos seus antecessores.

Será que os problemas são tão graves assim que é impossível resolve-los? Cada candidato deve ter bem em mente este pormenor. Porque os anteriores gestores não conseguiram impor as suas ideias na gestão do futebol nacional?

Portanto, os problemas da FAF são pesados demais para um individuo ou um grupo restrito de pessoas resolve-los. Será necessário fazer uma selecção de cérebros competentes para encontrar os caminhos certos à solução do problema.

Pelos discursos dos candidatos e por aquilo que conhecemos deles podemos dizer que mesmo os que forem derrotados podem ser úteis com as sua ideias. Um dos maiores erros que os anteriores gestores do nosso futebol cometeram foi dar motivos para haver uma oposição contra a FAF.
A oposição surge quando os que lideram excluem totalmente os outros no que diz respeito à vida da FAF. Mesmo sem querer um presidente da FAF pode incorrer neste erro fatal. A FAF é um órgão do estado e é bom que todos os credenciados para o efeito sejam tidos e achados na solução dos problemas do nosso futebol.

Agora que venha o dia 17 de Dezembro e com ele o novo homem forte da FAF que terá a espinhosa, mas honrosa missão de inverter o actual quadro no órgão que superintende o futebol angolano.
Augusto Fernandes

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