Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quem mandou matar o jornalista desportivo?

18 de Fevereiro, 2019
O jornalismo enquanto figurar no catálogo das profissões de \"alto risco\" há-de continuar a somar indubitavelmente luto devido à sanha matadora das pessoas que não se querem deixar ficar na mira da verdade e, assim, serem sindicado pelo grande \"quarto poder\", que é a imprensa.
Já sabemos que, desde a imprensa secularmente ganhou este estatuto de controlo, estando particularmente de atalaia a actos de sabotagem, de corrupção, de coação, que, infelizmente, já chegou ao mundo da milionária industria futebolística, perdeu-se a conta de quantos jornalistas terão sido mortos da mais diversas formas por aqueles que são avessos à transparência, à verdade desportiva em particular.
O último assassinato que, recentemente, fez correr rios de tinta na imprensa, veio do Ghana.
Já passaram dias ( foi a 16 de Janeiro), mas, tristemente falando o luto, a dor, a abominação aos actores do acto ainda estão no ar desde aquele dia em que até já obrigou a Amnistia Internacional expressar indignação com o tiroteio e assassinato de Ahmed Hussein-Suale, que foi identificado como um investigador disfarçado e um membro chave da equipa de investigação particular .
Como se sabe, e o seu feito foi público, um seu documentário \"Number 12\", divulgado em Junho de 2018, provou, através de jornalistas infiltrados, o envolvimento de dezenas de árbitros ghaneses e de outros países africanos, e de dirigentes da Federação de Futebol local, incluindo o presidente, Kwesi Nyantakyi, num alto esquema de corrupção.Na sequência disto, documentário revelava negociações mantidas com potenciais \"investidores\", que, em troca de contratos lucrativos com o governo ghanense ofereciam presentes no valor de milhões de dólares.
E mais: o presidente da federação ghanense demitiu-se do cargo logo após a divulgação do documentário, tendo sido acusado de corrupção em Outubro e proibido pela FIFA de exercer qualquer actividade relacionada com o futebol, além de ter pagado 440 mil euros de multa. Na sequência do escândalo, mais de 50 árbitros africanos foram também suspensos da Confederação Africana de Futebol (CAF).
Foi este, portanto, o \"leit motive\" que atingiu um direito à vida, quer até é sacrossanto e a que deve ser dada a máxima prioridade, conforme identificado no artigo 13 (1) da Constituição de Gana de 1992, bem como o direito à liberdade o estipulado noseu artigo 14.
Eu, particularmente, não esperava que essa sanha assassina ocorresse no Ghana, pais onde estive em 2088, a reportar para este jornal a fase final da Taça de África das Nações onde os Palancas negras ficaram nos quartos de final e Manucho Gonçalves teve a sorte de ir para o Manchester United. O Ghana era um \"país-exemplo\" de liberdade de imprensa. Lembro-me que quando lá cheguei à cidade de Tamale, no dia da acreditação, um jornalista ghanese, radialista por sinal, que até era bem parecido, registaou, de Angola, o número de 13 desembarcados, sem contar já com os que tinham sido documentados em Accra.Ele saiu, na altura, com a estúpida pergunta de saber como era possível em Angola haver tantos órgãos, se, no seu dizer, não havia liberdade de imprensa?Na altura eu franzi o rosto.
E meu colega Silva Candembo também.
Respondemo-lhes então à medida do seu atrevimento ignorante, pois, nem sequer sabia onde, geopoliticamente, se situa Angola, e deu para ver que era daqueles \"irmãos africanos\" que no passado se portaram como \"angolanológos\", os tais que só viam Angola pela negativa.Ele não foi o único: na Sala de Imprensa do Estádio de Tamale, que designávamos de \"Estados Unidos dos Jornalistas\", porque diariamente abarrotava de repórteres especiais idos de África, Europa, América e Ásia para reportarem o CAN, estivemos à conversa com um outro jornalista sudanês com quem falámos de coisas múltiplas - da situação no seu país, sobretudo, da ardente região Darfur. Também saíra com patéticas inquirições similares às questões do ghanense: por que razão no vosso país (Angola) não há liberdade de imprensa? O Governo não faz nada?
Os partidos políticos e a sociedade civil não reagem?
O que me ocorreu foi a santa paciência de alfabetizar a sua ignorância, emancipando-lhe de que, em Angola já há(via) uma Lei de Imprensa, a segunda, até, e que a mesma contou, antes da sua aprovação e publicação oficial, com a colaboração de todas forças vivas do país, particularmente dos representantes de alguns partidos políticos com assento parlamentar ( sobretudo os dois principais actores da nossa política doméstica – o MPLA e a UNITA); jornalistas de órgãos estatais e privados, e membros das duas \"corporações\" que aglutinam a classe - a União dos Jornalistas Angolanos e o Sindicato dos Jornalistas.Agora que segundo o Comité Internacional de Protecção de Jornalistas - organização independente sem fins lucrativos que promove a liberdade de imprensa em todo o mundo - sublinha que a liberdade de imprensa no Ghana está abalada questão é : quem mandou matar Ahmed Hussein-Suale?


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