Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quem no deve!

12 de Fevereiro, 2016
Depois do reajuste dos preços dos derivados do petróleo, da água, da energia eléctrica e dos impostos, com que os cidadãos individuais e colectivos, devem contribuir para com os cofres do Estado, orientados pelo Governo, cresce a apetência dos desportistas e não só, sobre a prestação de contas financeiras, das federações, associações e clubes, à quem de direito.

Essa dúvida decorre igualmente, pelo facto de a maioria dos orçamentos, das federações e das associações provinciais, que saem do Orçamento Geral do Estado (OGE), assim como dos clubes, dos quais, alguns transformados e entidades privadas, e outros patrocinados por organismos estatais, serem desconhecidos pelo público, por nem sempre serem levados ao seu conhecimento, por intermédio das respectivas assembleias-gerais.

Ao contrário que constitui opinião de muita gente, as medidas que o Governo tem vido a operar, visam colocar ordem no mosaico económico – financeiro nacional, ao chamar a razão os gestores do erário público e não só, no caso ligados ao desporto, nem sempre habituados a prestar contas e a apresentar balanços a quem de direito, relacionados com determinado horizonte temporal, integrado no mandato do ciclo olímpico, para o qual foram investidos.

São bastantes os exemplos que aqui poderiam ser citados, sobre a ausência da prestação de contas às entendidas estatais, para os organismos que dependem financeiramente do OGE, como aos sócios e adeptos, no caso dos clubes. A título de exemplo, existem relatos nunca desmentidos oficialmente, que os gastos e ganhos relacionados com a organização em Angola, do Campeonato Africano das Nações (CAN) de futebol, em 2010, ainda não foram apresentados áreas competentes do Governo. No quesito em referência, que contempla outros casos relacionados com a falta da prestação de contas, os Ministérios da Juventude e Desportos, e o das Finanças, não devem ficar indiferentes.

Noves fora a contenção de gastos determinada pelo Governo, continua a registar-se o ingresso no desporto angolano nas diversas modalidades, de treinadores e atletas estrangeiros, em quantidades assinaláveis. Não é do desconhecimento da maioria das pessoas ligadas ao fenómeno desportivo, isto sem qualquer dose de chauvinismo, que Angola, de forma geral, vá-se lá saber porquê, que alguns dirigentes desportivos atribuem melhores condições financeiras e de trabalho aos expatriados, muitas vezes de competência profissional inferior a dos angolanos.

Não vai longe o tempo, em que em Angola desfilaram atletas de renome internacional. Rivaldo, o brasileiro que em 1999, foi a agraciado como o melhor jogador mundial, pela FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado), representou o Kabuskorp do Palanca. O país, para além de futebolistas, registou igualmente, a integração de atletas de craveira internacional, no basquetebol (americanos) e no hóquei em patins, o que faz com que a questão financeira, deve ser explicada aos contribuintes.

Na verdade, é preciso reconhecer que em relação aos clubes, os seus dirigentes, não são obrigados a tornar públicos os salários que pagam aos componentes dos seus grupos de trabalho. Têm o dever lógico, profissional e moral de apresentar, no fim e no início de uma época e mandato, os balanços e os respectivos orçamentos financeiros, pois deve-se partir do princípio que quem não deve não deve ter razões para temer. Ao se proceder com lisura, contribui-se para se evitar interrogações e suspeições, por parte do público e dos patrocinadores.

Distantes da intenção de ferir susceptibilidades, a não apresentação dos orçamentos e dos respectivos balanços, pelos responsáveis das federações, associações e clubes, deve-se ao deficiente trabalho que é efectuado por uma quantidade assinalável de dirigentes desportivos a todos os níveis, pese o facto de alguns terem sido nomeados e outros eleitos em assembleias – gerais de associados e sócios, em obediência ao que está consignado nos estatutos.

O problema é que algumas pessoas que assumem a disponibilidade para dirigirem qualquer projecto, sentem dificuldade em passar a acção. Já é tempo de se arranjarem mecanismos para se concretizarem tais projectos. As formas de os materializar, devem ser de responsabilidade colectiva e individual.

Na verdade, não se pode deixar de referir que em função do débil trabalho que é levado a cabo pelas áreas que se ocupam do marketing e da publicidade nos clubes, não obstante a maioria, incluindo alguns dos chamados grandes e tradicionais, contarem com uma quantidade reduzida, muitos sócios esquivam – se ao pagamento das cotas, por manifesta falta de cultura nesse aspecto, ou devido a ausência de motivação, em função da exiguidade de programas de sensibilização e mobilização. Isso são contos de outro rosário.

Ao mudar-se a política da não apresentação e divulgação dos orçamentos e balanços, que infelizmente continua a fazer parte da forma de funcionamento da maioria dos dirigentes federativos, das associações provinciais e dos clubes, está-se em presença da prestação de um mau serviço de dirigismo público/desportivo.
Leonel Libório

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