Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quem recebeu casas pelo Afrobasket2017?

27 de Junho, 2017
E prontos, estalou o verniz que durante muito tempo esteve protegido pela ânsia e ganância de certos iluminados que, agindo em sentido contrário da missão que a pátria os confiou, decidiram “deitar mão” ao bem de outrem, contra todos os princípios de sã convivência social.

O assunto veio à baila, mais uma vez, por via das redes sociais, que já são, seguramente, palcos de debates de temas candentes da sociedade, com capacidade para rivalizar com os tradicionais órgãos de comunicação social, que são o jornal, o rádio, a televisão e o cinema.

Faz-me espécie que, na mesma semana, ouço a mesma informação, de duas pessoas que considero idóneas e pelas quais nutro elevada consideração e estima, o que me leva a concluir que o assunto tem o seu quê de verdade, nem que seja no mundo das cogitações, enquanto ainda não surge nenhum agente da parte acusada, a apresentar a sua versão dos factos.

Confesso ter imensas dificuldades em admitir que seja uma informação eivada de inverdade, no afã de querer macular a imagem, prestígio, honra e bom nome que os presumíveis acusados têm enquanto direito fundamental, constitucionalmente consagrado na carta magna angolana.

Entre as minhas razões de crédito para o que se apresenta como \"embuste\", reside o facto de que, 2007, ser dos anos em que a economia de Angola registou uma robustez sem igual, e até mesmo chegou-se a falar de super-avit, ou seja, foi no tempo das vacas gordas.

Por esta e outras razões, não tenho por que duvidar que, a dada altura, o estado angolano se tenha decidido por atribuir aos campeões do Afrobasket do refiro ano, como prémio suplementar, uma residência, num dos muitos projectos habitacionais que na época estavam a ser erguidos pela parte sul de cidade capital.

Ademais, no ano anterior, 2006, os Palancas Negras lograram participar, pela primeira vez, no mundial sénior de futebol realizado na Alemanha, e é público que, dentre as benesses promovidas pelo Estado Angolano, naturalmente, por orientação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, constam atribuição de casa para os integrantes da equipa nacional.E foi apenas pela presença, pois do ponto de vista competitivo, os resultados não foram famosos por aí além, sendo nosso entendimento que a acção do Governo sustentou-se, para lá doutros factores, no de ser, o futebol, o chamado desporto rei, que inflama paixões e mexe coração.

Devemos recordar que, pelas conquistas e hegemonia no continente africano, houve quem chegou a apelidar o basquetebol angolano da modalidade Raínha, ficando para outros momentos a rivalidade com o andebol sénior feminino que, diga-se em abono da verdade, não fica mal na fita.

A nossa convicção é ainda maior, atendendo o afecto que o Presidente José Eduardo dos Santos sempre demonstrou ao basquetebol de forma particular, e ao desporto no geral.

Reforçam os meus argumentos de \"condenação dos que ficaram com as casas alheias\", por saber da existência de informações que, um dos \"ocupantes ilegais\" tentou registar o imóvel como sua propriedade, ao que foi confrontado com a existência de um outro registo, no caso original e até prova em contrário, o verdadeiro, facto terá provocado o entornar do caldo desta novela que, parece terá muitos capítulos.

Posto isso, e considerando que o acto pode ser entendido como um crime semí ou mesmo público, (salvaguardo o espaço merecido aos especialistas na matéria), pensamos que a Procuradoria-geral da República tem aqui matéria bastante para se ocupar e dar o \"show\", começando por praticar um verdadeiro combate à corrupção, que tem sido uma das bandeiras da campanha do cabeça de lista do MPLA.

Aos prevaricadores, que seja aplicada a correspondente e exemplar sanção, servindo esta de, para além do cumprimento de uma das características da norma jurídica, - coercibilidade-, seja inibidora para os que fazem da prática o seu modo de actuação, o que em nada dignificam a pessoa humana.
Carlos Calongo

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