Jornal dos Desportos

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Opinio

Quem sacode a gua do capote na modalidade

07 de Dezembro, 2019
Depois da renúncia ao cargo do anterior presidente de direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB) há perspectivas de se começar a desenhar um “novo rumo” para a modalidade, com a recente criação da Comissão de Gestão do organismo.
Apesar de Gustavo a Conceição ter sido eleito para liderar a comissão “ad hoc” com 34 votos a favor e uma abstenção, curiosamente do Petro de Luanda, um dos maiores emblemas da «bola ao cesto» no país, o mais importante foi o consenso que houve no seio dos agentes da modalidade em relação ao processo. Imperou, enfim, o “fair-play”.
É sobejamente sabido que esta Assembleia Geral Extraordinária da FAB só se despoletou em função da renúncia ao cargo do então presidente do organismo, Hélder Cruz “Maneda”, numa atitude que levou também a seguir a mesma direcção cinco dos membros do seu elenco. E isso fez com que o basquetebol no país entrasse num momento bastante crítico, a tal ponto de estorvar a disputa da “fina-flor” da modalidade.
Na verdade, a Assembleia Geral Extraordinária realizada no último fim-de-semana, consumiu quase cinco horas de acesos debates, mas no final houve consenso em relação a indicação de Gustavo da Conceição para liderar a Comissão de Gestão.
Trata-se, na verdade, de uma figura que domina o “metier” do basquetebol, que aliás, já dirigiu os destinos da federação da modalidade no período sucessivo de 2004 a 2014 e vai, daí, acreditar-se que pode, efectivamente, “pôr ordem” no momento menos bom por que passa a modalidade da «bola ao cesto» no país. O nome do ex-jogador da Selecção Nacional e do 1º de Agosto foi proposto pela Associação de Basquetebol de Luanda.
Na mesma lista, em que os representantes das Associações de Benguela, Malanje, Cuanza-Sul, Huambo e Huíla“ inicialmente chumbaram” constavam, ainda, os nomes de António Celestino Sofrimento Manuel “Toni Sofrimento” e Anselmo Monteiro, que mais tarde acabou por reunir consenso do conclave de sábado último.
Porém, o entendimento só se consumou com entrada na mesma lista dos nomes de Drandão Júnior “Dinho” e António Figueiredo “Bi Figueiredo”, propostos pelos representantes das referidas associações.
Na óptica de muitos dos agentes da modalidade, os desafios da Comissão de Gestão, encabeçada por Gustavo da Conceição, devem estar focados sobretudo no processo de saneamento económico administrativo, face à descredibilizada imagem que a modalidade ganhou, durante a gestão de Hélder Cruz “Maneda”. Ao abandonar o barco do organismo na companhia de outros cinco responsáveis, designadamente Benjamim Romano, Luís Garrido, Maria Barbosa “Manú”, Adilson Muandumba e Gerson Sequeira, a direcção ficou sem qualquer quórum. Isso levou a FAB ao declínio.
É verdade que não se esperam deste grupo encabeçado por Gustavo da Conceição, soluções mágicas para os ingentes problemas que atravessa a FAB e a modalidade da «bola ao cesto» nesse momento no país, mas ainda assim, é ponto assente que se começa a desenhar um novo rumo para o organismo. Além dos onze títulos continentais, que o país colecciona a nível dos seniores masculinos, dois no feminino, assim como em provas de clubes e noutros escalões etários, Angola precisa resgatar a sua mística. E isso só será possível com engajamento de todos. A Federação, os agentes da modalidade e todos órgãos afins, são aqui chamadas para ajudar a reabilitar esta imagem do basquetebol, que, infelizmente, ficou desacreditada nos últimos tempos.
Urge, daí, a necessidade de se dar uma lufada de ar fresco nesta modalidade, em que apesar do momento menos bom por que passa, Angola ainda detém a hegemonia em África, o Continente Berço da Humanidade. É imperioso que todos os fazedores de basquetebol no país e não só, unam-se em prol da causa da modalidade para que, efectivamente, dias melhores imperem na “fina-flor” da «bola ao cesto». Nota positiva, nesse contexto, pode ser dada à Associação de Basquetebol de Luanda, que como aludiu o Morais Canâmua, meu companheiro neste espaço de opinião “A duas Mãos”, tudo fez, no período cinzento, para que as coisas não esmorecessem, com a disputa do campeonato provincial que, mesmo a meio-gás provocou o desentorpecimento. A disputa do “provincial” de Luanda, que consagrou o Petro como vencedor, fruto da vitória por 74-73, no jogo das decisões, sobre o rival 1º de Agosto, propiciou, de facto, outro rumo para esta modalidade em que Angola detenha a hegemonia continental.
Enfim, é importante que se sacuda a água do capote e nosso basquetebol seja colocado, de facto, no lugar que merece. Bem haja… Sérgio V.Dias

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