Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por SILVA CACUTI

Querem caumbular o Gilberto

21 de Abril, 2018
Eu, então, tenho muitas dicas para contar-vos, a partir daqui. Além dos resultados e andamentos dos jogos que estou a ver, com estes meus olhos. Umas não conto porque o espaço que tenho nem sempre chega para tudo. Outras, tenho mesmo medo de escrever, senão ainda fico mbora retido aqui, naquela orgulhosa condição de arguido.
Alguns mambos é só ver, admirar e comentar baixinho. Fazemos comparações. Sim. São inevitáveis, para quem vem de uma cidade onde a energia, a água, o lixo, o transporte e mais outros mambos são makas. Não tem como!
Nisto de comparar, nalgumas coisas os outros estão mais à frente, mas noutras, deixa só!
Queria contar-vos da menina que sorrateiramente agarrou-me nos \"gêmeos\" enquanto eu fazia uma caminhada matinal, na orla do Rio Nilo. Destas pedintes. Andava aí na casa dos 12, 13 anitos. Fez por simpatia, mas apanhei um susto, tanto que me deu uma raiva, daquelas que se estivesse perto, não escaparia de uma bofa bem dada.
Parei, nervoso, a suar, enquanto ela e outras senhoras, a uma distância segura, gargalhavam.
Quis vociferar qualquer palavrão, mas não adiantava. Não percebem inglês, muito menos português, e eu só aprendi como saudar em árabe, pela manhã. Depois, não lhe ia saudar pelo que me fez. Continuei a caminhada, enquanto elas ficavam para trás, divertidas com o episódio.
Sobre estas tais pedintes, há muito que se lhe diga. Não são poucas as mulheres que vejo aqui, com crianças nos braços, a pedir esmolas.
Sempre pensei que no mundo muçulmano tal não acontecia. Uma vez, disseram-me que o homem que pudesse dar sustento podia casar com mais de uma mulher, desde que desse sustento.
Figurão! E as minhas manas lá que estão a cangar os mamadus? Ficam já avisadas!
Dizem que a religião castiga os homens que abandonam as mulheres, a verdade mesmo é que são muitas que vejo no cadiengue da esmola. Acompanhadas por crianças.
E elas insistem de tal forma, até parece que é dívida. Enchem o saco até te tirar do sério.
Pior é que vi algumas pedintes a usar telefone. Que luxo! Me contaram de outra que, junto ao semáforo, abordou uma atleta angolana e como a muangole lhe abriu a pasta para mostrar que não tinha dinheiro, viu os cartões e indicou o multicaixa. Já viram?
Podia vos falar também do pânico no hotel, quando uma atleta congolesa, não digo se é Congo Branco ou mesmo do Congo. Nestes dias descobrimos que a África tem vários congos. Um dia desses vos conto!
Como dizia, a congolesa desmaiou no elevador. É asmática e estava sem o dispositivo médico por perto. Foi reanimada no hall da recepção, perto do elevador do Pyramisa Hotel.
Dos simpáticos, interesseiros \"amigos\", não vou falar. Eles vêem, de mansinho, sorrindo, com aquela lábia de Flávio, Gilberto, Al Ahly. Aaaah não, porque \"Angola e Egipto são irmãos\", desde quando então?
No fundo é para \"hipotecar-te\" algo, um negócio qualquer, que está a vender. Até te paga uma sevenUp, daquelas que na banda foram extintas.
Podia também falar do treinador que assessorou um adversário para que este tente vencer as conterras.
Mas o que quero mesmo falar, não sei se vai dar para contar tudo neste espaço, é que estão a tentar caçumbular-nos o Gilberto. Aquele mesmo, que jogou no Petro, Al Ahly, Palancas e depois ainda foi espalhar-se no Benfica de Luanda. O próprio.
Há aí uma conversa no taxi, segundo a qual o Gilberto é egípcio. Para eles é Guilbert. \"Guilbert is egipcian, nó angolan. Guilbert Al Ahly\", gabam o Guilbert deles, num inglês mais arrojado que o meu.
Mas no estádio e em todas instalações do Al Ahly, onde passei, é só Salah, não vi nenhum pôster do tal Guilbert egípcio. Nas cabeças dos jovens é só o \"look\" do Salah que está a bater. Até parece que é ele o melhor do mundo. Não têm vergonha pá!

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