Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quero ver o Artur sem "caa s bruxas"

20 de Dezembro, 2016
E, pronto!...Artur de Almeida e Silva é o novo homem forte do futebol angolano, confirmado por via do pleito eleitoral realizado no sábado, de que arrebatou 67 votos, contra 51 e 13 dos candidatos pelas listas B e C, respectivamente, José Luís Prata e Osvaldo Saturnino de Oliveira.

Como que um acto coincidente, os resultados perfilam-se na mesma ordem da em que os candidatos deram a conhecer a intenção de partir para o pleito, em substituição do elenco de Pedro Neto de quem a memória colectiva do futebol angolano regista com alguma lamúria, como dos " comandos" mais negros do história do futebol Angolano.

Simplesmente, pelos resultados, terá ganho a proposta que melhor convenceu o universo votante, não cabe nesta abordagem as coisas pouco éticas que por baixo do tapete dizem à boca pequena, terem ocorrido ao longo do processo eleitoral, infelizmente.

Ainda em relação aos resultados, apesar do discurso corrente de que o maior vencedor foi o futebol angolano, é de meritório fazer uma referência à forma copiosa como a lista C foi derrotada, de facto foi um cartão vermelho atribuído à direcção cessante, por parte dos clubes e APF's.

O facto deve merecer uma análise profunda que pode resultar na percepção de que afinal os actos da direcção anterior podem ter provocado grandes estragos no ordenamento do futebol angolano, que como não me canso de referir não está de saúde, bem obrigada.

E, em que consistem tais actos? Se calhar, somos orientados pela prudência a não cair em tentação de acreditar em tudo que ouvimos, até por que é apenas a versão de uma das partes envolvidas no processo eleitoral, o que não retira, desde já, qualquer vírgula de que tais informações tenham alguma consistência e verdade.

Aliás, uma prova do que acima se diz são os13 meses de salários em atraso que a direcção de Pedro Neto deixou como herança para Artur de Almeida e Silva, que conforme recomenda a prática tem de assumir o activo e o passivo, e começar por encontrar formas de resolver esta questão que em muito tem a ver com a motivação de funcionários, neste caso os da FAF.

Não acredito que seja este o único e mais grave dos problemas que a Federação Angolana de Futebol eventualmente tem, mas sabe-se que a discussão em haste pública em nada ajuda a resolver, preferimos olhar para o que de melhor a direcção ora eleita pode trazer ao futebol angolano.

Com esse espírito, numa instância maior e de carácter urgente deve-se procurar os melhores mecanismos que promovam o resgate do prestígio da Selecção Nacional, que verdade se diga, já teve o seu tempo e espaço de respeito no contexto das selecções africanas em que chegou mesmo a ombrear com as fortes Nigéria, Camarões, Ghana, Argélia e outras do primeiro escalão do futebol do continente berço da humanidade.

Para o efeito, recomenda-se a conjugação de todos os factores positivos, quer os propostos por Artur Almeida como por José Luís Prata e Osvaldo Saturnino de Oliveira, que em última instância, salvo qualquer malabarismo inconfesso, projectaram as suas campanhas no afã de darem o melhor de si para tirar o futebol do marasmo em que se encontra.

Seria um bom exercício para provar que não deve fazer morada na família do futebol angolano o sentimento de "caça às bruxas", que aliás não promove nada de melhoria, senão estimular o ódio e todo o cortejo de coisas negativas que emperrem o desenvolvimento da modalidade.

Finalmente, com votos de feliz natal, saudamos todos quanto se envolveram na operação das eleições, sobretudo, os vencedores do pleito, e que a vitória em véspera de natal seja a oportunidade para a reconciliação da família do futebol que merece coisas boas e melhores.
Carlos Calongo

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